quinta-feira, 11 de junho de 2026

Subir aos Lagos de Covadonga

  | Ventor 19.02.10

Uma vitela, junto ao lago Enol

Depois de caminharmos pelos arredores de Covadonga, já conhecida também por Santa Cueva, onde jaz o meu amigo Pelágio, começamos a subir rumo à região dos lagos Ercina e Enol.

Foi uma subida sempre rodeada de paisagens dos Picos, numa belíssima estrada de montanha em que as gralhas começaram por ser a nossa companhia.

Um dos vinte e tal Picos da Europa. Este nas Astúrias

Para mim, sem desperdiçar das minhas vistas o encanto das paisagens montanhosas que estão debruçadas sobre Covadonga e dos seus lagos a cerca de 1200 metros de altitude, ainda mais entusiasmado fiquei quando encontrei em redor dos lagos, as vacas pastando, algumas delas em companhia dos seus filhotes que tão bem embelezavam aquelas belas montanhas

Elas caminham e observam o Ventor, junto ao lago Ercina

Mas para além dos picos que se levantavam entusiasmados por entre a neblina, lá longe, sempre a apreciar o próprio entusiasmo do Ventor, as vacas das Astúrias emproavam-se também à minha passagem, imitando os gados de Adrão e arredores, sempre que subo à Pedrada. Não há lagos no Muranho nem na Corga da Vagem ou na Seida, mas temos as nossas nascentes bem como as corgas a que dão origem, como a Corga da Vagem e as águas da Seida que sempre mataram a sede aos nossos rebanhos.

Uma gralha dançando a balsa com o Ventor, junto ao lago Enol

Mas junto do lago Enol, tive também a presença das gralhas, companheiras de velhos tempos que não perderam tempo a exibir-se para mim, esvoaçando à minha volta, dançando no ar, autênticas balsas como as de Viena, tal como o Danúbio Azul e que ali, por encanto, bem poderia chamar a balsa do Enol Azul!

Esta gralha, cançada de dançar a balsa com o Ventor, no chão, decide levá-lo até às nuvens

Mas tudo o que é bom termina depressa e com o mesmo entusiasmo com que subimos o CO-4, rumo aos lagos, o mesmo entusiasmo nos trouxe de volta a Covadonga, a Cangas de Onis e nos colocou nos trilhos que nos levariam até Léon onde chegamos cerca da meia-noite.

No entanto, não deixamos Cangas de Onis, sem que uma velha amiga nos saísse ao caminho e se despedisse de nós, desejando-nos uma boa viagem e que, no futuro, nunca esquecessemos aquelas belas serras de fadas, onde os duendes se banqueteiam com todas as maravilhas da Natureza - Maravilhas feitas pelas mãos dos homens e pelas Mãos de Deus. 

 À saída de Cangas de Onis, esta águia veio para se despedir dos apreciadores do seu reino - o mesmo reino do meu amigo Pelágio

quarta-feira, 10 de junho de 2026

A Caminhada do Tomás

 | Ventor 25.09.09

Feliz Aniversário, Tomás

Vamos continuar juntos a nossa Grande Caminhada. Com beijinhos dos tios e padrinhos e da Avó Júlia.

Como diria o Quico, que o Senhor da Esfera te proteja sempre.

domingo, 7 de junho de 2026

O Travesseiro ---

  | Ventor 17.04.09

...ou travesseiros, pela beleza de Sintra!

Um pombo bravo que quis dois dedos de conversa

Um coelho bravo mais um amigo do Ventor

Mais amigos do Ventor que quiseram dar-me as boas vindas

Mais uma vez vou ter de falar-vos dos travesseiros. E porque não das queijadas, dirão vocês! Não falo de queijadas porque são os travesseiros o meu programa para as festas. Comer dois travesseiros, beber um café e dar uma caminhada por Sintra ou seus arredores é um dos meus momentos favoritos, sempre que posso.

Ontem foi um desses dias.

A beleza das deladeiras, tem feito parte das minhas caminhadas

Eram recantos destes que, noutros tempos  as cobras ameaçavam o Ventor, Dedaleiras, fetos, ervas e o terrível vibrar sibilino de cobras gordinhas e parece que conheciam como eu me queria ver longe delas!

Mas as dedaleiras são mesmo um encanto!

Fomos a S. Pedro de Sintra, ao Café da "minha prima" Natália e como não podia deixar de ser, bebi o café e comi os dois travesseiros da praxe! Deixei a Dona do Quico e a avó do Tomás, ali, cavaqueando abrigadas do frio e parti para a voltinha que sempre gosto e depois desta terminada, lá fomos para observar se haviam por ali alguns dos animais que me vão animando nestas belas caminhadas sintrenses. Mas nada!

Em Adrão chamamos-lhe "estroques"

Os galegos chamam-lhe "stroks"


Soprando na flor e apertando o ar lá dentro, dá um "estrondo" tipo bomba de carnaval

Mas encontrei outros belos "rapazolas" para me acompanharem na apreciação das belezas daquele local. Ao encostar o carro num trilho de terra, reparei que um coelho, todo empinado e sustentado nas patas trazeiras nos ia observando como se nós fossemos uns marcianos acabadinhos de chegar. Tirei a máquina, preparei o "shot" mas, pareceu-me ouvir ele dizer: "na, na! Querias? Paparasis não"! E, em dois pulitos, entrou no silvado.

Não é por acaso que, de vez em quando, encontro por aqui aves de rapina. E melhor que eu, elas vêm bem os coelhos

Saí do carro, utilizando o meu passo de leopardo e fui-me chegando, sorrateiramente, tal como um caçador faria, mas não o vi. Olhei para a minha direita e vi um coelho, em grande velocidade, seguir a linha do horizonte e também não deu para dar gosto ao dedo. Ainda pensei que fosse o mesmo coelho mas parecia-me impossível. Encontrei dedaleiras e esqueci-me logo aqueles "anti-paparasis". Segui o trajecto das dedaleiras e fui disparando mas, quando dei por mim, andavam os coelhos todos entusiasmados num frenético vai e vem, por entre as dedaleiras, a observar-me e controlar-me!


Observar, calmamente, as flores da macieira liberta-nos do aprisionamento do stress

Podem acreditar que aqueles malandros estão bem organizados!

Então, tirei o som da máquina e, como quem não quer a coisa, dediquei-me às dedaleiras e, assim, entretinha-me com a beleza das dedaleiras e com a organização dos coelhos e entretinha-me, também, a disparas para ver se, apesar de ser longe, obtinha alguma foto de jeito. Mas, assim, quem fica sem jeito sou eu! Os coelhos iam caminhando por entre as dedaleiras e eu ia observando aquela rapaziada e disparando sempre.

Depois fui ver uma velha macieira que se enfeitou com as suas belas flores para me receber e, visto de mais longe, lá estava o primeiro coelho controlador que quase me fazia lembrar uma marmota observando tudo à sua volta. Depois voltei a ver mais coelhos entre as dedaleiras, uns observando-me e outros a fazerem a sua vida normal como quem não quer a coisa.


Imaginam como serão os campos de produçãp de lavanda em França? Uma beleza!

Por todos os motivos e mais alguns, Sintra continua a ser o meu campo de ligação ao passado. É por lá que vou observando os grandes arvoredos, os animais que, nos velhos tempos, animaram a minha alvorada. Por ali está tudo presente!

Vacas, cavalos, ovelhas, cabras, burros ... coelhos, perdizes, pombos bravos, pica-paus, ... os carvalhos, os sobreiros, as silvas com as suas amoras, o tojo, os fetos, as dedaleiras ... enfim!


Uma beleza branca, que me dá os bons dias, as boas tardes e as boas noites ...

... pois são bolbos lindos, branquinhos aqui ao pé da porta

Para além de tudo isso, Sintra, tem muitas belezas sem fim e tem, também, as queijadas e os travesseiros.

Nada mau para fugir à rotina citadina, ao betão, ao bulício ...

Assim, tento também dar algum ânimo à dona do meu Quico e a mim.

Também ao pé da porta, a flor da salsa



Senhora da Peneda

  | Ventor 06.09.05

A Senhora da Peneda é uma romaria no Norte de Portugal. É uma romaria que dura de 1 a 8 de Setembro de todos os anos. No dia 6 de Setembro era, e penso que ainda é, o apogeu da festa.


Nossa Senhora da Peneda 

Faz hoje muitos anos que eu andei por lá, quando da minha Carta de Alforria! Há poucos anos ainda andei lá na romaria; há três anos, fui lá, no último dia, para fazer uma sardinhada e confraternizar com amigos perdidos no tempo mas não no coração e não tive onde poder fazer o braseiro, e bem! Era proibido e voltamos para fazer a sardinhada no Carvalho de Eixão.

 

O Carvalho de Eixão

Quando eu nasci, já aquele carvalho era grande e velho! À sua sombra descansavam os romeiros que convergiam para aquele caminho de Santiago! Mas há coisas que não me saem da cabeça! Antigamente, durante os meus anos de criança, penso que não haveria romaria no Norte de Portugal que tivesse mais fogo de artifício ou não, que a da Senhora da Peneda. Sabem quantos fogos (incêndios) houve? Se a memória não me falha, zero!

O Cruzeiro da Portela. Era aqui que se deitava os foguetes, frente à Senhora da Peneda

Quando eu era miúdo, os romeiros que se dirigiam à Peneda, passavam na minha aldeia, Adrão, carregados de canas de foguetes prontas a estoirar. Passavam mesmo naquilo que poderei chamar de Av. Principal e por debaixo da minha janela. Passavam de dia e de noite enroscados numa mézinha anti-cansaço e cheios de vontade de fazer fulia!

Tocavam as concertinas, ouviam-se as pandeiretas, era estridente a presença dos cavaquinhos e os ferrinhos, enferrujados ou não, ouviam-se também. Cantava-se e dançava-se a caminho da Senhora da Peneda! Claro que as pessoas eram jovens eram romeiros que levavam as suas músicas para a festa da Peneda, mas a festa fazia-se pelo caminho! Mesmo assim, quando lá chegavam, ainda apareciam com vontade para tocar, cantar e dançar!

Para trás tinha ficado Adrão e o Ventor, à espera dos estrondos que me iriam acordar logo de seguida

Só da minha aldeia, Adrão, à Peneda, são duas horas a andar bem e, para trás, antes de chegar à minha aldeia, a mais próxima, Soajo, ficava a hora e meia o que davam 3 horas e meia! Mas as pessoas caminhavam desde muito mais longe de todo o Concelho de Arcos de Valdevez e de mais longe. Como hoje os peregrinos se metem à estrada para chegarem a Fátima, assim era com os romeiros que iam até à Peneda.

Só que não havia estradas. Os caminhos eram entre as montanhas, de pedra em pedra, à biqueirada e não havia calçado que resistisse. No Cabaz das Merendas, para muitos rumeiros, tinha de caber sempre um par de calçado suplente. Eu, ao pegar no sono, era logo acordado por cantares ao desafio e pela sinfonia da música em que o som da concertina prevalecia e era assim todos os dias de 1 a 8 de Setembro. Quando um grupo de romeiros passava, logo despejava os seus fogos para cumprir as suas promessas na Portela, a montanha que fica entre Adrão e a Peneda.

Do lado de lá, para as bandas de Castro Laboreiro eram os que vinham do lado de Melgaço e Monção e mais os que vinham de Espanha a fazer os seus estoiros de artifício de noite e de dia. Hoje, não se vai a pé à Peneda a não ser que tenham de pagar alguma promessa. A estrada esventrou as montanhas, as concertinas e afins não se ouvem, as cantorias ao desafio, pelo caminho, acabaram e os fogos são proibidos. Sabem porquê?

Hoje em Portugal não se trabalha! Os animais que roíam os matos, cabras, vacas, ovelhas, cavalos ... desapareceram, ou estão reduzidos a uma pequena amostragem, e os donos que os orientavam foram à procura de melhor vida ao mesmo tempo que partiram à conquista de mundos. Penso que, na Peneda, já não se canta nem se dança! Reza-se por melhores dias e para que Nossa Senhora nos mantenha, embora longe uns dos outros, unidos. As romarias eram festas e preces, hoja as romarias são só preces! E mesmo só para isso, vão de carro. Eu também já só vou de carro à Peneda. Se quiser ir a pé, terei de o fazer sózinho porque ninguém irá comigo!

quarta-feira, 3 de junho de 2026

As Camarinhas

 | Ventor 04.08.12

As camarinhas são frutos silvestres de um arbusto a que chamam camarinha ou camarinheira (corema album) pertencente à família das Ericaceae. A camarinheira floresce na primavera, de Março a Maio e dá os frutos brancos (drupas), durante o verão, de Julho a Setembro.

Os frutos da camarinheira fazem lembrar pérolas e, por isso, eu lhe chamo, o arbusto das pérolas.


A camarinheira, cheia de drupas - as nossas pérolas


É só apanhar as camarinhas e, comer ou oferecer

Em Adrão, pela serra de Soajo, nas minhas Montanhas Lindas, não me recordo de ver camarinhas, embora até acredite que houvesse, por lá, alguma camarinheira, algures, entre as carrascas, as ericas.

Já me fartei de ver camarinhas, algures, pela costa alentejana pois recordo bem as pérolas mas, quando me falaram em camarinhas, não sabia o que era. Desconhecia o nome mas, sempre que via as drupas, armadas em pérolas brancas, não lhes ligava nada. Para mim, frutos silvestres, são como os cogumelos, os cagordos ou machouchos de Adrão. Sei que há um que posso comer à vontade, os outros que por lá há, até podem ser os melhores do mundo mas, no entanto, não contem comigo para os comer. Nem que sejam trufas!

As trufas com os instrumentos para as sacar do subsolo. Como vêm, este mundo é cheio de maneirismos, até a ferramenta para sacar as trufas, é à maneira. Entra o porco adestrado e, detectada a coisa, aí vai pá! Toca a escavar! Claro que terão de pagar um quinhãozito ao porco, senão ele diz: "procura-as tu"! Agora também há cães treinados para a "caça" à trufa. Penso que o cão, menos exigente que o porco, deve contentar-se com uma ou duas bolinhas de granulado. Os cães que são treinados para a trufa são treinados como os seus parceiros da droga


Truffe noire du Périgord. Consta ser a mais apreciada, em França e Espanha

As trufas são um túbero que nasce sob os solos a cerca de 40 cm, junto de carvalhos, castanheiros, nogueiras, ... e são procuradas porque são muito apreciadas pelo seu aroma. Segundo o meu amigo Luis Perricho, o kg de trufas, em França, ronda os 700 a 1.000 euros. Mas há por aí informação de que, trufas brancas de Alba, uma região italiana, entre Milão e Turim, acho eu, já foram leiloadas trufas abaixo do kg, por 100.000 ou mais dólares. As trufas, podem ser o melhor petisco do mundo mas, mesmo assim, só de olhá-las, eu fujo! Vale mais ficarmos pelas camarinhas. Mesmo assim, cuidado! Eu só comi duas!

Grandes Veleiros 2012 -I

 | Ventor 23.07.12

Deixo aqui algumas fotos dos Grandes Veleiros que ontem, 22 de Julho de 2012, desfraldaram as velas e zarparam do rio Tejo, em Lisboa, rumo a Cádis.

sagres.jpeg

A Sagres abriu o cortejo 

Pode ver aqui, no Shutterfly, a bela caminhada destas belezas dos mares, Tejo abaixo.

(Terá de clicar no texto verde, deixar abrir, clicar em Slideshow e, se preferir ver as fotos, em êcran inteiro, clicar, em cima, à direita, em Full Screen).

As fotos darão uma ideia desse todo, Tejo-Veleiros que sempre andam por aqui mas, em grande escala só de longe a longe. Se estou bem informado, só em 2016 voltarei a ver o rio Tejo, todo engalanado, com estas pérolas dos mares.

Até lá, tentarei regozijar-me com uma ou outra passagem da linda, Sagres, do Creoula, da Santa Maria Manuela e de um ou outro que vire as velas para matar saudades do belo rio Tejo.

Espero que aqueles que nunca viram o Tejo engalanado assim, gostem.

O Precípício

 | Ventor 25.10.12

O precipício?

Sim, ele está presente, permanentemente! Pelo menos caminha a meu lado, ultimamente.

Começou a parede do quarto a segurar-me. Quando, há cerca de 15 dias, caminhava entre a parede e a cama, senti uma vertigem. O que me estava a acontecer era terrível! Iniciei a minha nova viagem, uma viagem diferente. Entrei em órbita!

Parei, encostei as costas à parede, tentei deixar-me cair sobre a cama mas, a parede, uma amiga inseparável, tinha braços, agarrou-me e disse: "não Ventor, eu não te vou deixar cair"!

O Cabo a Roca visto do Cabo Raso. Hoje seria impossível o Ventor caminhar por lá como já o tem feito!

Agarrou-me, com braços invisíveis, magnéticos. Eu olhava a cama, queria cair sobre ela mas, a parede tornou-se minha aliada e não deixava. Joguei tudo na órbita e no vómito! Deitado sobre a cama, rodava permanentemente sobre uma órbita. A rotativa não era permanente mas, intermitente! E eu, olhava o tecto, as paredes, os móveis e dizia para mim: «mas para onde queres ir»?

O destino não existia e eu rodava, apenas, em volta de nada! Ou, então, tudo rodava à minha volta. Corria para a casa de banho e tentava deitar todas as minhas entranhas fora. Porém, não saía nada. A guerra, era apenas sonora! Sonhei, bem acordado, com Marrupa. Sonhei com a minha caminhada, chão dentro, a velocidade descontrolada, com o chão junto ao nariz mas, sempre em frente!

Agora tinha uma velocidade orbital. Só me apetecia obrigar a parar tudo à minha volta mas, infelizmente, não conseguia!

Pensei apanhar um táxi e ir fazer mais uma visita ao Hospital! Desisti! Se por causa de uma instabilidade qualquer tenho de ir para o Hospital, estou lixado e o país mais lixado fica.

Vamos lá Ventor, faz algo pelo Fox!

A minha companheira de caminhadas interveio. Vou chamar o médico. Se pagas para ele poder vir cá a casa, pois seja! Que se lixam as troikas, o país e tudo o resto!

Utilizou o telefone. Quase duas horas depois, o médico batia à porta. Contei-lhe a minha história, riu-se e disse: "você foi atingido por um problema que afecta muitos - vertigens! Vou-lhe receitar betaserc"!

O médico foi-se embora, desejando-me as melhoras e eu, de seguida, levantei-me para ir à casa de banho. As paredes quase me esmagavam e, com a cabina mais pequena, lá comecei a orbitar. Voltei para a cama, reentrei em órbita, voltei à casa de banho para deitar fora as entranhas mas, não saía nada. Tanto puxei que o meu ouvido direito deu um estalido. Comecei a melhorar!

De noite, fui obrigado a agarrar-me à cama com todas as forças que tinha, depois de voltar a entrar em órbita e gritar: «agora é que eu vou»! "Que foi Luis"? Respondi que o f.d.p. do disco voador não levantava. Afinal não iria para lado nenhum!

De manhã levantei-me, desci as escadas a contar os passos. Não por dificuldades mas, por receio delas. Pensava que, se entrasse em órbita, apesar do disco voador não ser muito forte, poderia partir as paredes em volta.

Dirigi-me ao carro! Olhei em volta, mobilizei a cabeça em várias direcções e, pareceu-me que tudo iria correr bem. Olhei à esquerda, com calma e, de seguida, à direita, de onde um eventual perigo poderia vir. Rodei a cabeça como se fosse um programa de software da Microsoft e, fiz marcha atrás, tal e qual como faria o Ventor dos meus sonhos. Segui viagem com todas as atenções do mundo. Tudo correu bem até Alfragide. Encostei o carro, dei uma pequena caminhada até à Farmácia, comprei o betaserc e, pronto! Comecei uma nova guerra. Entrei num café e zás! Aí foi o primeiro.

Penso que as coisas estão a correr bem mas, ainda sem garantia absoluta! Roda devagar mas sê soft!

Agora, dias depois, voltei ao Facebook, escrevi um post sobre a minha caminhada africana mas, entretanto, já passaram alguns dias. Nem sei, quantos!

Mas entre sonhos e realidade, tenho caminhado, de varanda a varanda!

Tenho me entretido com os meus amigos!

Vou à varanda e o minorca penudo tem continuado por lá. O seu grito é sempre o mesmo! "Olá, Ventor"!

Ouço as boas vindas dos pombos. "Olá Ventor"!

Vou para a outra varanda. A cerca de 200 metros, os cavalos dos ciganos, presos por cordas no espaço do seu sossego, gritam também: "olá Ventor"! Esvoaçando direitos a mim, vindos do campo, quatro estorninhos, que até pareciam vir estatelar-se nas vidraças da varanda, arrancam, quase na vertical, gritando: "olá, Ventor"!

O Tobias, vindo das oliveiras, pousou numa laranjeira à minha frente e gritou diferente: "salvé, Ventor"!

Uma galinha, acabando de pôr o ovo, começou a cacarejar e o galo bateu as asas, emproou-se e, num único folgo gritou: "salvé, Ventor"!

As gaivotas, que abandonam o mar e se colocam no rasto do Ventor, esvoaçam em volta e gritam, contentes: "salvé, Ventor"!

E assim por diante.

Enchi-me de coragem e fui para o jardim fazer rodar a cabeça e tentar comunicar com os meus amigos. Um dos guardas do jardim, que já me conhece, diz-me: "o seu amigo é mau"!

Tratava-se do meu amigo Pingas, o cisne branco, agora, o único da Amadora. «Então porquê»?

"Bate na pata coxa e está lixado comigo"!

Olhei para o Pingas e perguntei-lhe: «oh, Pingas, tu portas-te mal"?

Ele espanejou as asas, e deu um grito! Não sei se chateado com o guarda se contente por me ver. Voltou a abrir as asas e a gritar: "bem-vindo Ventor"!

Hoje, os medronheiros, tal como o Ventor, estão doentes

E, caminhando, lentamente, quase sem passos, estão a passar-me ao lado, os frutos do Outono. As castanhas, os medronhos e tantos outros vão morrendo, lentamente, esperando que o Ventor volte a fazer parte da sua linda caminhada outonal. Se calhar, com alguma sorte, para o ano, tudo será melhor!

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Lago Enol

  Lago Enol, um lago de Covadonga que retrata as belezas dos Picos da Europa, nas Astúrias O Ventor saiu das trevas para caminhar entre a...