terça-feira, 2 de junho de 2026

Os anos do Tomás

  | Ventor 30.09.05

O Tomás fez os seus três aninhos. Mas o Tomás não gostou da surpresa! A surpresa, eram a Patanisca e a Malagueta e tudo começou na rua! O Tomás diz que pataniscas e malaguetas só gosta das que a avó Júlia faz. Avó não, visavó! As avós também fazem pataniscas muito bem feitas, mas essas ele já conhece! Agora uma Patanisca destas, tornou a surpresa demasiado grande.

A visavó e suas excelências 

Quando o Ventor chegou já a surpresa estava na rua

A Joana é desafiada a intervir na festa ...

... e aceita!

Claro que a malta diverte-se!

A Patanisca e a Malagueta já têm uma ajudante e que ajudante! Assim não vão falhar de certeza.

E a Joana diz: «então vamos ao trabalho»!

E agora é que vai começar o verdadeiro divertimento. Sim, porque a festa é deles!

A malta participa na festa e o Tomás já começa a alinhar  ... 

... e todos já fazem a sua crítica.

A Joana está disposta a voltar a colaborar

A malta continua a diverter-se ...

... e a Joana, pensa que aquilo é com ela

Voltou lá, mas levou parceiro de arromba

Parecem juízes da velha e nova Albion

A Joana diz ao seu parceiro que devem fazer tudo para não ficarem mal vistos. Afinal trata-se de um espectáculo para o Tomás!



Ele olha para a Patanisca e diz: «vamos levar isto a rir».

O Tomás está a pensar que, desde que a Joana esteja no palco, tudo será diferente.

A Malagueta diz para a Patanisca. « a corda»? E ela responde que não estava a dormir. Pois não, era apenas a corda, instrumento da brincadeira.

Corda daqui e corda dali, mas o Tomás não achava grande piada.

Acabou a paródia da corda. Já não era sem tempo, pensava o Tomás. Não era mesmo o seu dia!

«Que chatice», dizia o Tomás!


Vou mas é ter com o Ventor.

A malta divertia-se e ...

... o Ventor lá convenceu o Tomás de que a festa é para ele. Regressou!

O Ventor subiu e fotografa de cima para baixo. A festa continuava na rua.

Agora vamos ao trabalho! Arrumar a festa e leva-la para cima. O Ventor já lá está!


Ah! Aqui, no meu covil, já as coisas têm outra visibilidade!

Para que te deu? Mascarem-se mas não contem comigo!

Também tu, Mariana?



Esta malta está doida varrida. Se eu me ia borrar todo com aquelas porcarias para depois ser metido na banheira. Livra!

Ainda bem que a festa muda de rumo!

Por este andar, nunca mais posso dedicar uns minutos ao meu amigo Pumba! 

Esta parte da festa também nunca mais acaba!

Ainda bem que estes gajos já perceberam que tínhamos de mudar de rumo!

As minhas amigas já tomaram outro rumo. Ainda bem que essa surpresa de «Pataniscas e Malaguetas» não é para mim. Vamos divertirmo-nos!

Fogo! Estava a ver que não!

Olha, lá está aquela outra vez!

E estava! Desta vez era de pandeireta. Parecia uma romeira da Peneda cansada da viagem, mas com música, é outra coisa!




Ela sabe bem que se não agradar a todos, basta-lhe agradar ao Ventor. Ele adora pandeiretas!

Assim, sim!

Oh, Ventor, disto é que eu gusto!

Mas que lixarada!

Ah! Assim já estou divertido!

Olhem para isto!

A cusca da Maria Teresa, não perde pitada da festa.

O Ventpr diz que nós somos os homens de amanhã. Temos de aprender com as asneiras que estes gajos fazem hoje!

Voltemos a rastejar no meio destes papelinhos bonitos.

Vamos Tara. Pode ser que nos safemos no meio desta malta.

Olha o Ventor vai tirar outra foto.

Muito se diverte esta malta!

Ai, Ventor que dia!

Aparece amanhã, para jogarmos uma batota qualquer, ok? Hoje foi por demais, e então com uma Patanisca e uma Malagueta, logo a seguir ao almoço, não fiquei muito bem. Não te esqueças de voltar amanhã!

Monsanto

  | Ventor 24.09.05

Um dia, vindo de Lisboa, escaldado da broca da minha dentista, deu-me para ir procurar os meus amigos esquilos ali em Monsanto, fazendo um desvio, em vez de regressar a casa e chatear o Quico com a minha dor de dentes. A nossa dona estava em Sesimbra com a Joana e a avó. Encostei o carro, e fui atascar à tasca do lado.

Mal entrei no recinto da tasca, uma esplanada, à porta, debaixo de uns pinheiros, ouvia, nos pinheiros, o cantar estridente das cigarras. O empregado vê-me de máquina na mão a perscrutar o pinheiro, em cima, mas nada. Entrei, bebi um refrigerante, recebendo logo ali, uma lição sobre dor de dentes e bebidas frias, bebidas quentes ... Conversei, paguei, a bebida, não a conversa, e disse: "agora é que eu vou apanhar uma"! «Ninguém as vê, diz ele». Assim foi. Cá está ela!

Uma cantora dos átrios, em Monsanto. Agora que as cigarras estão de regresso ao seu mundo mudo, já estou a ficar com saudades dessas minhas cantadeiras

O Ventor e as Tascas

  | Ventor 19.09.05

Nas minhas caminhadas, eu vou sempre entrando em alguma tasca onde possa matar a sede. Desde as tascas mais insólitas às mais sofisticadas.

Há, até, quem fique à porta, a cheirar o copo, como este nosso amigo

E é engraçado porque nada mais simpático ou mais degradante do que as conversas nas tascas. Ali fala-se de tudo desde a surrapa que se bebe até das preocupações das nossas marias, dos nossos bichos e, infelizmente, também de coisas más que nunca acabam como as guerras.

Já derrubamos muros e agora vamos exterminar os arames farpados!

Um dia destes, eu ia a caminho de uma tasca ali por Belém e encontrei esta flor que logo fotografei junta do arame farpado. Ia um homem a passar e apesar de ainda não ser meio dia, começou a olhar para o objecto do meu interesse e, um pouco cambaleante, disse qualquer coisa que eu não percebi e a minha resposta foi: "será que o arame farpado é para cercar a flor"? Ele olhou-me nos olhos e retorquiu numa linguagem das escolas do meu amigo Baco:

"Não me admiraria muito. Mas olhe que elas já derrubaram muros, espero que não se deixem apanhar por arames farpados"! Fiquei a pensar nas flores que derrubaram muros, como os nossos cravos, e outros cravos por esse mundo fora e fui logo a correr contra um dos maiores muros que o mundo viu crescer, não contra invasores de má índole, mas sim contra a liberdade. Montei-me nas asas do vento e voei até Berlim nos meus pensamentos vagos. E o meu interlocutor segiu rua abaixo com o leme fora do sítio, mas deixou-me a pensar. Será que as flores vão ser capazes de destruir todos os arames farpados que nos cercam?!

O Baptismo da Joana

  | Ventor 19.09.05

8 de Setembro foi um dia em cheio para a Joana. Dia de anos e dia de Baptismo. Ela assim decidiu e quando se pode, nada como o cumprimento de uma vontade. Ela viu o Tomás baptizar-se e ficou sempre a pensar naquilo. Foi um ano menos uns dias de pensamento activo e até pensou qual o Padre. Mas antes, na véspera, houve um ensaio. Quis jantar com o Ventor, a sós, na mesa da sala. O restante pessoal entreteve-se na cozinha. Quis jantar com o vestido do baptizado que tinha experimentado. Ensaio, jantar, conversa e truz. Caiu para o lado, exausta. Mas ela fartou-se de conversar comigo. Parecia que tinha dado um pulo de anos, ter por aí uns 15 e não 5. Manteve várias conversas de pessoa crescida, sempre actualizadas.

O cansaço venceu-a

 Ela diz que esta velinha era para lhe iluminar o caminho

Agora sim. Vai começar o seu grande dia

A prima faz-lhe companhia neste grande dia

Ela continua a caminho da festa e o Ventor só tem olhos para ela. Ele e a máquina

E ela parece um modelo, só tem olhos para o Ventor e a máquina

Temos a igreja, só para nós

Depois tomou conta da área reservada ao seu amigo - o Padre. Diz que ali é preciso muito respeitinho ...

 ... mas mantém-se activa

Diz também: "a partir de hoje vou fazer um pacto com o Senhor e a Virgem Maria. Eles vão ser sempre meus amigos e eu Deles

A partir deste momento, o pacto está feito

Agora ela conversa com o Padre sobre tudo o que quer saber

Depois, tal como está escrito, no reino dos homens, deve reinar a paz

A Dama e o Vagabundo

  | Ventor 20.08.05

Foi uma bela caminhada. Imaginem que até caminhei em volta deste prato, pela Quinta das duas Torres.


Lá vou eu a correr e a saltar de Torre em Torre

Só que cada uma destas caminhadas deixam-me mais só no tempo. Fui ver casar mais uma das princesas do meu Burgo que ainda teve o cuidado de achar-me um grande Vagabundo. Claro que a minha cara metade era a Dama, depois estávamos rodeados à mesa por uma bela juventude. Era a mesa da Dama e do Vagabundo. Enfim, éramos todos uns vagabundos e esta juventude já vagabundeia connosco há uns aninhos! Só não coloco aqui as suas caras bonitas porque eu sou daqueles que tenho pouco a ver com a confiança na Net.


Era realmente a mesa da Dama e dos vagabundos

Claro que fiz uma reportagem fotográfica que está a correr e-mails, mas cada vez que eu tirava uma foto, o repórter oficial transtornava a sua fisionomia. Não sei porquê! Toda a gente lhe comprou as fotografias, até eu com uma máquina cheia delas! Mas se aqui não sou o repórter que alguns desejariam, ainda dou só um cheirinho do que foi o grande dia deste Vabundo.

E também um cheirinho da noiva que nos encantou


                                       



Assim, perdidos no escuro da noite, sempre haviam umas lamparinas ou umas velinhas para nos iluminar as belas torres, as fachadas cheias de hera, as janelas, as portas, ... as caras bonitas e encantadas como fadas nocturnas que, como eu, saltavam de torre em torre no meio de velhas fadas em forma de corujas que por ali vagueiam há séculos.




Assim, ao retirar-me do meio de belas flores, e ao ter de ir vagabundear para outro lado, terminou para todos e para mim também, mais um belo momento de beleza que felizmente vão alternando com os tristes que também nos acompanham. Assim, talvez um dia muitos de nós possamos dizer que vivemos uma vida completa, cheia de tristezas e alegrias e, umas e outras nos encherão o coração e o cérebro de recordações.

Tristeza

 | Ventor 01.08.05

Ela levou-me ao colo de Adrão a Soajo para me baptizar. Dizia-me a minha mãe que nunca deixou que ninguém me pegasse!! Ela aqueceu-me as mãos quando eu era criança e subíamos as montanhas atrás das vacas. Ela casou e foi para a América com o marido, quando eu vim para Lisboa. Andamos sempre afastados e só de vez em quando nos encontrávamos por aí. Nas nossas montanhas, em Adrão, na sua casa de Arcos de Valdevez.

 Ela chorou-me morto quando a sua sogra lhe telefonou a dizer-lhe: "morreu o nosso Ventor"! Era um engano. Fora o meu irmão que morreu na tropa num acidente. Ela chorou e pôs a América de Adrão a chorar por mim! Ela sempre gostou de mim e sempre dizia: "o meu Ventor"!

Ela, na foto, está feliz com o seu Bubo que eu lhe ensinei que a casa também era dele. A mesma felicidade tinha com o Max o seu cãozinho, que só passou a deixar entrar no quarto e na cama quando viu que com o seu Ventor ele também dormia na cama e era tratado como um igual!

O Bubo morreu e foi para as estrelinhas como diz a Joana. O Max está a morrer com um tumor na cabeça. Duas tristezas! Agora a tristeza é maior. Hoje a vida deu uma volta. Ela telefonou-me que os médicos lhe deram um ano de vida! Hoje apetece-me chorar! Só vejo a vida esvaziar-se à minha volta e apetece-me esvaziar uma garrafa de scotch e dormir, dormir, dormir e não pensar em nada!

Sistemas de comunicação

  | Vento 29.07.05

Este ano é para mim um mau ano.

Devido à seca e não só! Pela seca, para mim e para todos nós, mesmo para aqueles que pensam que não. Mas, apesar de tudo, tem sido um ano de aprendizagem. Quase que sou especializado em vários sistemas de comunicações. Várias linguagens!

Este ano, aprendi dois sistemas novos e hoje mesmo, recordei um que já quase tinha esquecido. Este ano, nas minhas pequenas ou grandes caminhadas, aprendi o sistema de comunicações utilizado pelos pica-paus malhados e aprendi o sistema de comunicações utilizado pelos gaios. Estes, tenho-os seguido desde o ano passado. Não me deixam fotografá-los mas já os entendo!

Mas hoje, quando andava atrás de uma pega para fotografar, ouvi uns sons esquisitos mas ao mesmo tempo familiares! Larguei a pega, desobediente, e fui atrás dos sons. Achei que fiquei apático ao ouvir aqueles sons enquanto os meus carrilhões procuravam entendê-los. Afinal era tão simples!

Ao prosseguir no encalço dos sons, vi mais lá à frente uma perdiz a atravessar o caminho. Depois outra e outra e mais outra! Eu sabia que andavam por ali pelo menos três perdizes. De repente vi que eram quatro que atravessavam o caminho o que indicava pelo menos mais uma. Tinha começado com duas em Março e depois voltei a vê-las. Sabia que elas teriam ali o ninho, mas procurei não as perturbar. Entre a minha avidez pelo ninho para fotografar com os seus ovos, ponderei e não o procurei, para que elas tivessem o seu rumo normal. Pelo menos que não fosse eu a estragar tudo.


As perdizes atravessam o caminho à minha frente, mas longe

Mas hoje, certifiquei-me, ao ver aquelas quatro perdizes que o som teria a ver com uma catrefa delas. Foi o que aconteceu. Era um grande bando de perdizes em comunicação. Lembrei-me que aquele som era o que ouvia quando pequeno caminhava pelas minhas montanhas. Desde que os perdigotos me apareciam aos pés até desapareceram nos matos, tudo acontecia após aquele som. Este som faz lembrar aquele que é utilizado pelos humanos. "Umas palmadas que batem e, de repente, uma voz: meninos, vamos a dispersar"!


Depois, alguém que descia em sentido contrário tirou-me a oportunidade de as fotografar como eu gostaria

Fiquei sem a foto da pega e sem a foto ideal das perdizes, mas fiquei contente por saber que as perdizes ainda continuam na roda da vida, e que aquele casalinho de amigos tiveram os seus meninos. Hoje, já grandes!

A Caminhada do Tomás

  | Ventor   25.09.09 Feliz Aniversário, Tomás Vamos continuar juntos a nossa Grande Caminhada. Com beijinhos dos tios e padrinhos e da Avó ...