| Ventor 19.09.05
Nas minhas caminhadas, eu vou sempre entrando em alguma tasca onde possa matar a sede. Desde as tascas mais insólitas às mais sofisticadas.
Há, até, quem fique à porta, a cheirar o copo, como este nosso amigo
E é engraçado porque nada mais simpático ou mais degradante do que as conversas nas tascas. Ali fala-se de tudo desde a surrapa que se bebe até das preocupações das nossas marias, dos nossos bichos e, infelizmente, também de coisas más que nunca acabam como as guerras.
Já derrubamos muros e agora vamos exterminar os arames farpados!
Um dia destes, eu ia a caminho de uma tasca ali por Belém e encontrei esta flor que logo fotografei junta do arame farpado. Ia um homem a passar e apesar de ainda não ser meio dia, começou a olhar para o objecto do meu interesse e, um pouco cambaleante, disse qualquer coisa que eu não percebi e a minha resposta foi: "será que o arame farpado é para cercar a flor"? Ele olhou-me nos olhos e retorquiu numa linguagem das escolas do meu amigo Baco:
"Não me admiraria muito. Mas olhe que elas já derrubaram muros, espero que não se deixem apanhar por arames farpados"! Fiquei a pensar nas flores que derrubaram muros, como os nossos cravos, e outros cravos por esse mundo fora e fui logo a correr contra um dos maiores muros que o mundo viu crescer, não contra invasores de má índole, mas sim contra a liberdade. Montei-me nas asas do vento e voei até Berlim nos meus pensamentos vagos. E o meu interlocutor segiu rua abaixo com o leme fora do sítio, mas deixou-me a pensar. Será que as flores vão ser capazes de destruir todos os arames farpados que nos cercam?!


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