terça-feira, 2 de junho de 2026

O Ventor e as Tascas

  | Ventor 19.09.05

Nas minhas caminhadas, eu vou sempre entrando em alguma tasca onde possa matar a sede. Desde as tascas mais insólitas às mais sofisticadas.

Há, até, quem fique à porta, a cheirar o copo, como este nosso amigo

E é engraçado porque nada mais simpático ou mais degradante do que as conversas nas tascas. Ali fala-se de tudo desde a surrapa que se bebe até das preocupações das nossas marias, dos nossos bichos e, infelizmente, também de coisas más que nunca acabam como as guerras.

Já derrubamos muros e agora vamos exterminar os arames farpados!

Um dia destes, eu ia a caminho de uma tasca ali por Belém e encontrei esta flor que logo fotografei junta do arame farpado. Ia um homem a passar e apesar de ainda não ser meio dia, começou a olhar para o objecto do meu interesse e, um pouco cambaleante, disse qualquer coisa que eu não percebi e a minha resposta foi: "será que o arame farpado é para cercar a flor"? Ele olhou-me nos olhos e retorquiu numa linguagem das escolas do meu amigo Baco:

"Não me admiraria muito. Mas olhe que elas já derrubaram muros, espero que não se deixem apanhar por arames farpados"! Fiquei a pensar nas flores que derrubaram muros, como os nossos cravos, e outros cravos por esse mundo fora e fui logo a correr contra um dos maiores muros que o mundo viu crescer, não contra invasores de má índole, mas sim contra a liberdade. Montei-me nas asas do vento e voei até Berlim nos meus pensamentos vagos. E o meu interlocutor segiu rua abaixo com o leme fora do sítio, mas deixou-me a pensar. Será que as flores vão ser capazes de destruir todos os arames farpados que nos cercam?!

O Baptismo da Joana

  | Ventor 19.09.05

8 de Setembro foi um dia em cheio para a Joana. Dia de anos e dia de Baptismo. Ela assim decidiu e quando se pode, nada como o cumprimento de uma vontade. Ela viu o Tomás baptizar-se e ficou sempre a pensar naquilo. Foi um ano menos uns dias de pensamento activo e até pensou qual o Padre. Mas antes, na véspera, houve um ensaio. Quis jantar com o Ventor, a sós, na mesa da sala. O restante pessoal entreteve-se na cozinha. Quis jantar com o vestido do baptizado que tinha experimentado. Ensaio, jantar, conversa e truz. Caiu para o lado, exausta. Mas ela fartou-se de conversar comigo. Parecia que tinha dado um pulo de anos, ter por aí uns 15 e não 5. Manteve várias conversas de pessoa crescida, sempre actualizadas.

O cansaço venceu-a

 Ela diz que esta velinha era para lhe iluminar o caminho

Agora sim. Vai começar o seu grande dia

A prima faz-lhe companhia neste grande dia

Ela continua a caminho da festa e o Ventor só tem olhos para ela. Ele e a máquina

E ela parece um modelo, só tem olhos para o Ventor e a máquina

Temos a igreja, só para nós

Depois tomou conta da área reservada ao seu amigo - o Padre. Diz que ali é preciso muito respeitinho ...

 ... mas mantém-se activa

Diz também: "a partir de hoje vou fazer um pacto com o Senhor e a Virgem Maria. Eles vão ser sempre meus amigos e eu Deles

A partir deste momento, o pacto está feito

Agora ela conversa com o Padre sobre tudo o que quer saber

Depois, tal como está escrito, no reino dos homens, deve reinar a paz

A Dama e o Vagabundo

  | Ventor 20.08.05

Foi uma bela caminhada. Imaginem que até caminhei em volta deste prato, pela Quinta das duas Torres.


Lá vou eu a correr e a saltar de Torre em Torre

Só que cada uma destas caminhadas deixam-me mais só no tempo. Fui ver casar mais uma das princesas do meu Burgo que ainda teve o cuidado de achar-me um grande Vagabundo. Claro que a minha cara metade era a Dama, depois estávamos rodeados à mesa por uma bela juventude. Era a mesa da Dama e do Vagabundo. Enfim, éramos todos uns vagabundos e esta juventude já vagabundeia connosco há uns aninhos! Só não coloco aqui as suas caras bonitas porque eu sou daqueles que tenho pouco a ver com a confiança na Net.


Era realmente a mesa da Dama e dos vagabundos

Claro que fiz uma reportagem fotográfica que está a correr e-mails, mas cada vez que eu tirava uma foto, o repórter oficial transtornava a sua fisionomia. Não sei porquê! Toda a gente lhe comprou as fotografias, até eu com uma máquina cheia delas! Mas se aqui não sou o repórter que alguns desejariam, ainda dou só um cheirinho do que foi o grande dia deste Vabundo.

E também um cheirinho da noiva que nos encantou


                                       



Assim, perdidos no escuro da noite, sempre haviam umas lamparinas ou umas velinhas para nos iluminar as belas torres, as fachadas cheias de hera, as janelas, as portas, ... as caras bonitas e encantadas como fadas nocturnas que, como eu, saltavam de torre em torre no meio de velhas fadas em forma de corujas que por ali vagueiam há séculos.




Assim, ao retirar-me do meio de belas flores, e ao ter de ir vagabundear para outro lado, terminou para todos e para mim também, mais um belo momento de beleza que felizmente vão alternando com os tristes que também nos acompanham. Assim, talvez um dia muitos de nós possamos dizer que vivemos uma vida completa, cheia de tristezas e alegrias e, umas e outras nos encherão o coração e o cérebro de recordações.

Tristeza

 | Ventor 01.08.05

Ela levou-me ao colo de Adrão a Soajo para me baptizar. Dizia-me a minha mãe que nunca deixou que ninguém me pegasse!! Ela aqueceu-me as mãos quando eu era criança e subíamos as montanhas atrás das vacas. Ela casou e foi para a América com o marido, quando eu vim para Lisboa. Andamos sempre afastados e só de vez em quando nos encontrávamos por aí. Nas nossas montanhas, em Adrão, na sua casa de Arcos de Valdevez.

 Ela chorou-me morto quando a sua sogra lhe telefonou a dizer-lhe: "morreu o nosso Ventor"! Era um engano. Fora o meu irmão que morreu na tropa num acidente. Ela chorou e pôs a América de Adrão a chorar por mim! Ela sempre gostou de mim e sempre dizia: "o meu Ventor"!

Ela, na foto, está feliz com o seu Bubo que eu lhe ensinei que a casa também era dele. A mesma felicidade tinha com o Max o seu cãozinho, que só passou a deixar entrar no quarto e na cama quando viu que com o seu Ventor ele também dormia na cama e era tratado como um igual!

O Bubo morreu e foi para as estrelinhas como diz a Joana. O Max está a morrer com um tumor na cabeça. Duas tristezas! Agora a tristeza é maior. Hoje a vida deu uma volta. Ela telefonou-me que os médicos lhe deram um ano de vida! Hoje apetece-me chorar! Só vejo a vida esvaziar-se à minha volta e apetece-me esvaziar uma garrafa de scotch e dormir, dormir, dormir e não pensar em nada!

Sistemas de comunicação

  | Vento 29.07.05

Este ano é para mim um mau ano.

Devido à seca e não só! Pela seca, para mim e para todos nós, mesmo para aqueles que pensam que não. Mas, apesar de tudo, tem sido um ano de aprendizagem. Quase que sou especializado em vários sistemas de comunicações. Várias linguagens!

Este ano, aprendi dois sistemas novos e hoje mesmo, recordei um que já quase tinha esquecido. Este ano, nas minhas pequenas ou grandes caminhadas, aprendi o sistema de comunicações utilizado pelos pica-paus malhados e aprendi o sistema de comunicações utilizado pelos gaios. Estes, tenho-os seguido desde o ano passado. Não me deixam fotografá-los mas já os entendo!

Mas hoje, quando andava atrás de uma pega para fotografar, ouvi uns sons esquisitos mas ao mesmo tempo familiares! Larguei a pega, desobediente, e fui atrás dos sons. Achei que fiquei apático ao ouvir aqueles sons enquanto os meus carrilhões procuravam entendê-los. Afinal era tão simples!

Ao prosseguir no encalço dos sons, vi mais lá à frente uma perdiz a atravessar o caminho. Depois outra e outra e mais outra! Eu sabia que andavam por ali pelo menos três perdizes. De repente vi que eram quatro que atravessavam o caminho o que indicava pelo menos mais uma. Tinha começado com duas em Março e depois voltei a vê-las. Sabia que elas teriam ali o ninho, mas procurei não as perturbar. Entre a minha avidez pelo ninho para fotografar com os seus ovos, ponderei e não o procurei, para que elas tivessem o seu rumo normal. Pelo menos que não fosse eu a estragar tudo.


As perdizes atravessam o caminho à minha frente, mas longe

Mas hoje, certifiquei-me, ao ver aquelas quatro perdizes que o som teria a ver com uma catrefa delas. Foi o que aconteceu. Era um grande bando de perdizes em comunicação. Lembrei-me que aquele som era o que ouvia quando pequeno caminhava pelas minhas montanhas. Desde que os perdigotos me apareciam aos pés até desapareceram nos matos, tudo acontecia após aquele som. Este som faz lembrar aquele que é utilizado pelos humanos. "Umas palmadas que batem e, de repente, uma voz: meninos, vamos a dispersar"!


Depois, alguém que descia em sentido contrário tirou-me a oportunidade de as fotografar como eu gostaria

Fiquei sem a foto da pega e sem a foto ideal das perdizes, mas fiquei contente por saber que as perdizes ainda continuam na roda da vida, e que aquele casalinho de amigos tiveram os seus meninos. Hoje, já grandes!

Hoje fomos à quinta

 | Ventor 15.07.05

Hoje peguei no Maralhal e fomos à Quinta!



Joana e Tomás 


Joana e Tomás 

Primeiro fizemos uma visão geral sobre a quinta, a ver se estava tudo em ordem, e depois fomos tomar o pequeno almoço á grande! Quando voltamos à quinta, o galo chamou o seu Maralhal para ver o maralhal do Ventor!



Este galo dá o alerta

Venham ver o Ventor depressa, diz ele, pois se calhar vai-se embora outra vez a correr!


 
O galo já está chateado

Não estão a ouvir o que eu digo?


 Outro galo observa e diz 

Eu já os tinha chamado mas ninguém me ligou. Não tarda muito vão-se embora outra vez!



Tirem os patos do caminho. Que pategos!


Pategos o tanas! Sai mas é tu do caminho que eu quero um encontro com o meu amigo Ventor!



Oh, rapariga, puxa o carro, para oferecermos uma boleia ao Ventor!


O pato coxinho 

Deixem-me chegar à frente. O Ventor sabe o que é andar coxo e logo que me veja, já não vos liga mais! Deixem o Ventor ver o coxinho!

Bem, depois de muita algazarra, lá saímos da quinta para virmos almoçar. Deixamos lá todos os nossos amigos e foi o fim do mundo para nos despedirmos de todos. Mas deixo uma promessa: voltaremos!

Demagogia barata

  | Ventor 06.07.05

"É pena que só pensen nos animais e pouco nas pessoas que passam fome em portugal, mas gostam muito de ir aos fast-fod com os filhos. Demagogia barata".

Este é o comentário de alguém que, certamente ... Bem, é melhor não dizer nada! Provavelmente o comentário até está deslocado porque nada tem a ver com o post onde foi inserido. Seja como for é um post do meu Quico que tem por titlo «A Coruja e a Superstição». e o meu Quico ficou danado e queria falar sobre criancinhas e fast-foods mas eu disse-lhe para não falar do que não sabe, pois nunca teve a má ideia de ir comer a um fast food dos que são aqui idealizados.

A alimentação do Quico pertence a outro fast food e ele pode fazer confusão. Esse amigo do comentário não terá certamente ideia do que significa a palavra demagogia. Se tivesse não falava dela neste contesto. Normalmente o meu Quico tomou como bandeira falar dos animais e das suas desgraças provocadas por gente, onde, se calhar, esse amigo se insere. Se não se inserisse aí, não faria tal comparação porque qualquer demagogo sabe, que quem tem coragem para falar das misérias dos animais, e mitigar-lhe a fome, também terá para falar das crianças e dos pobres que não têm dinheiro para as alimentar.

Mas o que esse amigo não sabe ou não quer saber é que os pandilhas políticos deste país tomam o poder de assalto com demagogias e mentiras como vemos constantemente, tal como têm sido todas as eleições até hoje realizadas e sempre em nome dos pobres, dos que nada têm e, evidentemente, das criancinhas. Nunca tomaram o poder a tentar defender os animais. Pudera! O único homem que pretendeu fazer uma lei realista para tentar defender os animais, foi apudado de fascista e bla, bla, bla ...

E exactamente por aqueles que choram baba e ranho em nome desses valores e pouco ou nada fazem a não ser resguardar, demagogicamente, o poleiro alcançado. Tem sido assim e continua a ser assim, infelizmente. Temos partidos políticos que alcançam o poder baseado em mentiras demagógicas e depois têm o descaramento de virem dizer que, afinal, isto está pior do que pensavam. E só foco os últimos. Foi assim com Durão e foi assim com Sócrates. Eram chefes de partidos que também têm um quinhão nosso sacado do Orçamento e que deveria ir para as tais criancinhas e pobrezinhos, mas mostram apenas quão incompetentes são ao fazerem esta afirmação.

Mas não! Não! Impossível! «Nós não fazíamos a mínima ideia em que estado a realidade do país se encontrava»! - Esta é a peça chave de todos eles. Até se esquecem que como partidos de OPOSIÇãO têm acesso a tudo para exactamente poderem saber atempadamente com que linhas coser o remendo. Afinal o que eles andam é todos a enfiar-nos o barrete a começar pelo chefe máximo. É uma vergonha, uma escandaleira, a divisão dos bolos podres que este país tem preparado, ano após ano, para o nosso futuro! O futuro de todos nós, dos tais velhinhos, das criancinhas pobres e das ricas ou quase, que vão aos tais fast foods.

Não se esqueçam que quem é pobre hoje, pode ser rico amanhã, e quem é rico hoje, pode ser pobre amanhã. É a esses senhores que o nosso comentador deve pedir para velarem pelas criancinhas que não têm pão. Se esses senhores conseguissem olhar as criancinhas como o meu gato o faz, elas até seriam mais felizes, mesmo quando não têm pão! Eu não quero que o meu Quico se meta na política porque seria terrível. Seriam todos bombardeados com os nomes que realmente merecem e não só! E nunca haveria abortagem. Seria: missão iniciada, missão concluída.

A Caminhada do Tomás

  | Ventor   25.09.09 Feliz Aniversário, Tomás Vamos continuar juntos a nossa Grande Caminhada. Com beijinhos dos tios e padrinhos e da Avó ...