quinta-feira, 15 de junho de 2006

Caminhar na Natureza

 Ventor 15.06.06

Caminhar sob a ameaça de chuva, nunca foi o meu forte. Prefiro caminhar à chuva, do que ser ameaçado por ela. O chato, é quando não somos capazes de caminhar.

É o meu caso neste momento. Uma tormenta! Estar deitado, sentado, andar a pé ou de carro, é par mim, de momento, uma grande tormenta,

Mas enfim, vou! Pelo menos enquanto o sacrifício mo permitir, como hoje mas, às vezes, o scrifício não o permite. Neste momento, até para estar aqui sentado estou a fazer um grande sacrifício. Mesmo para fazer uma massagem na tremideira do meu colchão, é um sacrifício.

Mas mesmo assim, a Natureza é a minha companheira preferencial, chova ou dê sol!  Por isso, mesmo grunhindo de dor, andei pela minha serra preferida. Preferida por ser linda e por estar mais à mão e mesmo escondida pelo nevoeiro esfarrapado, ela continua a ser tão linda como só Sintra o sabe ser.

Penetrar no seu seio e olhar as suas árvores envergonhadas escondendo-se do Ventor no nevoeiro esfarrapado, continua a ser belo. Gostava de ser um Byron, não precisaria de ser Lord, para saber descrever o que sinto quando caminho na serra de Sintra. Ela é uma sera completa. Basta ver a bravura do seu solo, as suas rochas alcandoradas umas sobre as outras e os casarios incrustados na majestade do seu arvoredo para, à chuva ou ao sol  verificarmos que não poderá haver muitos locais assim. Por isso já o Byron dizia ser um local único.

Ver o nevoeiro caminhar entre as árvores, e todo aquele maravilhoso  arvoredo  desfilar perante os nossos olhos é deveras único.

As ginjas eram um desafio e as peras preparam-se para o ser.

Nos seus muros, fazendo lembrar o meu Minho, as hortências diziam-me olá e curvavam-se à minha passagem, ao mesmo tempo que me lembravam que haveria dias melhores.

sexta-feira, 14 de abril de 2006

A última águia real

   Ventor 14.04.06

Hoje, chamaram-me para ouvir uma notícia triste na SIC.

Um estudioso da Águia Real por zonas das Minhas Montanhas Lindas, diz que apenas há uma Águia Real no Parque Nacional da Peneda Gerez.

Imagem de Águia Real retirada da Wikipédia

Eu sinto o meu corpo estremecer quando ouço o «Grito da Águia». Normalmente o Grito da Águia de Asa Redonda, ou da Águia de Boneli. Sinto que elas me chamam e me fazem queixa do nosso desnorte.

Antigamente, nos meus tempos de miúdo, eu ouvia nos vales e montanhas da serra de Soajo, os gritos das Águias Reais. De vez em quando, aparecia junto de mim, a voar ou pousada, o corpo majestoso da Águia Real. Normalmente aparecia sempre solitária, mas cheguei a ver o casal a fazer as suas danças nupciais. Cheguei a ver uma Águia Real apanhar um cordeiro diante da sua dona e larga-lo nas alturas, talvez por a pele do animal se ter rompido nas garras daquela beleza alada.

Ainda tinho esperança de, na minha próxima ida à Pedrada, encontrar alguma Águia Real a fazer-me companhia, mas a esperança é muito ténue. De qualquer modo, ouvi um senhor, na imagem, dizer que ela tinha voado para os lados do Ramiscal. Eu que atravessei o Ramiscal com 12 anos, sob giestas retorcidas na raiz, carvalhos e matagais sem fim, há muitos anos, não precisarei de o fazer hoje, para ver a Águia Real se ela por lá andar. Vou fazer pousar a grande Águia junto de mim, Miguel Dantas!

adler.png

Certamente que preferias as rogosidades das rochas ou o galho de uma árvore, que estar cercada de arame em rede sobre boas madeiras aplainadas. Choro silenciosamente a tristeza da tua prisão.

Deixo aqui um obrigado a todos que trabalham, todos os dias, para fazerem abrir nucas de cabeças nhurras!

Espera por mim Águia linda, para podermos ver juntos, mais uma vez, as nossas Montanhas Lindas. A única homenagem que te posso prestar é escrever sempre o teu nome com letra grande.

Eu acredito nele, porque não tenho razões para não acreditar, antes pelo contrário! No processo desencadeado pelo progresso da chamada «modernidade», o homem desencadeou a sua própria extinção e de todos os animais seus companheiros de caminhada. As causas são muitas e deixo-as para os especialistas, mas não deixarei de considerar a minha espécie de «bicho execrável»!

Acredito que o Eng. Miguel Dantas, creio ser este o seu nome, que se dedica ao estudo da Águia Real, há vinte anos, segundo ouvi, verterá lágrimas pela sua «querida amiga», quando notar a falta dela nos céus, sobre a sua cabeça.

Todos que são honrados com as aparições dessa e de outras belas rapaces, sentirão saudades, um dia, de não mais acompanharam a sua beleza a cruzar os ares entre as montanhas ou ver o seu perfil pousado sobre as mais altas rochas em redor.

domingo, 9 de abril de 2006

Os amigos

  Ventor 09.04.06

Por aqui, através desta maravilhosa janela tenho feito bastantes amigos, e para além disso, obtido contactos perdidos, inclusivamente, contactos que nunca deveria ter perdido.

Mas hoje quero aqui falar-vos de um dos muitos amigos que obtive através desta janelinha. O meu amigo, Belmiro Xavier. Creio que lhe posso chamar amigo, porque não é toda a gente que perde uns minutos a incentivar-nos, a mim e ao Quico, a prosseguirmos esta Grande Caminhada.

Em Adrão

O Belmiro tem-nos incentivado através de e-mails e através do Guestbook a prosseguirmos este entretimento. Passa por aqui muita gente, mas nem todos têm sensibilidade para perder um minuto a dizer ao Quico que as coisas estão bem ou mal. Houve um momento em que não se viam algumas das fotos colocadas no Site e ninguém teve a amabilidade de me informar. Teve de ser um americano dos confins das Américas, um “camon”, a me informar e a dar-me, posteriormente, o feedback. Esse americano disse-me que tinha muita pena não saber português para poder ler os meus textos mas que fazia a tradução via Google, e não era a mesma coisa. Já lhe agradeci na devida altura pela sua amabilidade.

E porque destaco agora o Belmiro neste post? Porque nem eu conheço o Belmiro nem ele a mim pois nunca nos vimos, ou pelo menos, nunca fomos apresentados, mas ele sabe que um dos problemas que eu tenho tido é não ter fotos da minha aldeia para colocar aqui, pois das que tenho, nem todas posso aqui colocar, porque não pedi autorização às pessoas para o fazer. E o meu amigo Belmiro, em boa hora, deslocou-se da sua cidade, Braga e caminhou pelas minhas Montanhas Lindas, fotografou-as no seu manto branco e teve a amabilidade de partilhar as suas fotos comigo, enviando-as, via e-mail.

No seu e-mail dizia que me enviava fotos tiradas em 26 de Fevereiro de 2006 das Minhas Montanhas Lindas vestidas de branco, lindas, como nunca as tinha visto! Nos meus tempos de criança vi-as assim muitas vezes, mas cheguei a ver tudo coberto de neve onde só as verticais das paredes das casas tinham cor diferente.

Como muito bem tenho verificado nestes meandros da Net, os amigos podem não ter, para nós, um rosto, mas podemos verificar que, muitos deles, têm uma alma.

Obrigado Belmiro,

segunda-feira, 13 de março de 2006

Mais um raid sobe o Alentejo

  Ventor 13.03.06

Mais um raid e mais uma observação de passagem sobre estas lindas meninas albi-negras. Estas são as minhas meninas que me acompanharam por terras africanas e foram, também, belas companheiras de guerra.

Esta aldeia de cegonhas é um marco belo na caminhada de todos que por ali passam.

Junto à barragem de S. Domingos assisti a um bailado entre uma cegonha e uma águia, afastadas mas a reclamarem que o mundo é de todos e nos céus alentejanos estas duas belezas cohabitam e mantêm os seus propósitos.

É com as cegonhas que eu reabro novas caminhadas do Ventor.

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Elas executam um bailado para o Ventor

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As cegonhas parecem viver felizes no Alentejo

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Belezas à nossa passagem

domingo, 5 de março de 2006

Escuridão e Luz

  Ventor 05.03.06

Tive um sonho muito mau! Sonhei que voltei à idade das trevas. Senti que caminhávamos na escuridão, ouvia as pessoas falarem mas, à minha volta, só existia a negrura completa. No entanto, olhava o firmamento e lá estavam as lindas meninas tremeluzentes na abóbora celestial.

Depois lembrava-me que tinha existido uma época brilhante e na escuridão aguardava que o meu amigo Apolo aparecesse no horizonte e me ferisse a vista com a sua luz, mas aguardava, aguardava, e a noite era eterna.

Acordei a pensar nisso e na beleza da luz.

Entretanto, nesse mesmo dia a minha mulher, uma irmã e uma sobrinha foram até Odrinhas ali para os lados de Sintra, visitar uma loja de quinquilharias e resolveu comprar um candeeiro de petróleo!

Um dia depois fomos à nossa casa de Massamá e encontrei esta preciosidade. Um candeeiro a sério, com petróleo, torcida e tudo. Só me faltavam os fósforos ou o isqueiro para pegar fogo à torcida. Já tenho saudades das candeias de petróleo que me esturricaram as pestanas durante os anos primórdios.

Gostei desta prenda!

Depois comecei a pensar porque raio usar cera (as célebre velinhas) como alternativa às falhas da electricidade? Mas pronto, eu sei que no dia que usar o meu candeeiro a petróleo (durante o tempo que o curtir) não estarei aqui a tentar dialogar convosco sobre estas teclas. Mas, pelo menos enquanto houver petróleo no mundo, não viverei uma noite de trevas como aquela do meu sonho.

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Setember Eleven

  Ventor  11.09.11 O dia que mudou o mundo e, por isso, o dia que também mudou o Ventor. Um dia que nunca devemos esquecer! Não devemos esqu...