| Ventor 15.06.06
Caminhar sob a ameaça de chuva, nunca foi o meu forte. Prefiro caminhar à chuva, do que ser ameaçado por ela. O chato, é quando não somos capazes de caminhar.
É o meu caso neste momento. Uma tormenta! Estar deitado, sentado, andar a pé ou de carro, é par mim, de momento, uma grande tormenta,
Mas enfim, vou! Pelo menos enquanto o sacrifício mo permitir, como hoje mas, às vezes, o scrifício não o permite. Neste momento, até para estar aqui sentado estou a fazer um grande sacrifício. Mesmo para fazer uma massagem na tremideira do meu colchão, é um sacrifício.
Mas mesmo assim, a Natureza é a minha companheira preferencial, chova ou dê sol! Por isso, mesmo grunhindo de dor, andei pela minha serra preferida. Preferida por ser linda e por estar mais à mão e mesmo escondida pelo nevoeiro esfarrapado, ela continua a ser tão linda como só Sintra o sabe ser.
Penetrar no seu seio e olhar as suas árvores envergonhadas escondendo-se do Ventor no nevoeiro esfarrapado, continua a ser belo. Gostava de ser um Byron, não precisaria de ser Lord, para saber descrever o que sinto quando caminho na serra de Sintra. Ela é uma sera completa. Basta ver a bravura do seu solo, as suas rochas alcandoradas umas sobre as outras e os casarios incrustados na majestade do seu arvoredo para, à chuva ou ao sol verificarmos que não poderá haver muitos locais assim. Por isso já o Byron dizia ser um local único.
Ver o nevoeiro caminhar entre as árvores, e todo aquele maravilhoso arvoredo desfilar perante os nossos olhos é deveras único.
As ginjas eram um desafio e as peras preparam-se para o ser.
Nos seus muros, fazendo lembrar o meu Minho, as hortências diziam-me olá e curvavam-se à minha passagem, ao mesmo tempo que me lembravam que haveria dias melhores.
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