terça-feira, 6 de setembro de 2005

Senhora da Peneda

  Ventor 06.09.05

A Senhora da Peneda é uma romaria no Norte de Portugal. É uma romaria que dura de 1 a 8 de Setembro de todos os anos. No dia 6 de Setembro era, e penso que ainda é, o apogeu da festa.


Nossa Senhora da Peneda 

Faz hoje muitos anos que eu andei por lá, quando da minha Carta de Alforria! Há poucos anos ainda andei lá na romaria; há três anos, fui lá, no último dia, para fazer uma sardinhada e confraternizar com amigos perdidos no tempo mas não no coração e não tive onde poder fazer o braseiro, e bem! Era proibido e voltamos para fazer a sardinhada no Carvalho de Eixão.

 

O Carvalho de Eixão

Quando eu nasci, já aquele carvalho era grande e velho! À sua sombra descansavam os romeiros que convergiam para aquele caminho de Santiago! Mas há coisas que não me saem da cabeça! Antigamente, durante os meus anos de criança, penso que não haveria romaria no Norte de Portugal que tivesse mais fogo de artifício ou não, que a da Senhora da Peneda. Sabem quantos fogos (incêndios) houve? Se a memória não me falha, zero!

O Cruzeiro da Portela. Era aqui que se deitava os foguetes, frente à Senhora da Peneda

Quando eu era miúdo, os romeiros que se dirigiam à Peneda, passavam na minha aldeia, Adrão, carregados de canas de foguetes prontas a estoirar. Passavam mesmo naquilo que poderei chamar de Av. Principal e por debaixo da minha janela. Passavam de dia e de noite enroscados numa mézinha anti-cansaço e cheios de vontade de fazer fulia!

Tocavam as concertinas, ouviam-se as pandeiretas, era estridente a presença dos cavaquinhos e os ferrinhos, enferrujados ou não, ouviam-se também. Cantava-se e dançava-se a caminho da Senhora da Peneda! Claro que as pessoas eram jovens eram romeiros que levavam as suas músicas para a festa da Peneda, mas a festa fazia-se pelo caminho! Mesmo assim, quando lá chegavam, ainda apareciam com vontade para tocar, cantar e dançar!

Para trás tinha ficado Adrão e o Ventor, à espera dos estrondos que me iriam acordar logo de seguida

Só da minha aldeia, Adrão, à Peneda, são duas horas a andar bem e, para trás, antes de chegar à minha aldeia, a mais próxima, Soajo, ficava a hora e meia o que davam 3 horas e meia! Mas as pessoas caminhavam desde muito mais longe de todo o Concelho de Arcos de Valdevez e de mais longe. Como hoje os peregrinos se metem à estrada para chegarem a Fátima, assim era com os romeiros que iam até à Peneda.

Só que não havia estradas. Os caminhos eram entre as montanhas, de pedra em pedra, à biqueirada e não havia calçado que resistisse. No Cabaz das Merendas, para muitos rumeiros, tinha de caber sempre um par de calçado suplente. Eu, ao pegar no sono, era logo acordado por cantares ao desafio e pela sinfonia da música em que o som da concertina prevalecia e era assim todos os dias de 1 a 8 de Setembro. Quando um grupo de romeiros passava, logo despejava os seus fogos para cumprir as suas promessas na Portela, a montanha que fica entre Adrão e a Peneda.

Do lado de lá, para as bandas de Castro Laboreiro eram os que vinham do lado de Melgaço e Monção e mais os que vinham de Espanha a fazer os seus estoiros de artifício de noite e de dia. Hoje, não se vai a pé à Peneda a não ser que tenham de pagar alguma promessa. A estrada esventrou as montanhas, as concertinas e afins não se ouvem, as cantorias ao desafio, pelo caminho, acabaram e os fogos são proibidos. Sabem porquê?

Hoje em Portugal não se trabalha! Os animais que roíam os matos, cabras, vacas, ovelhas, cavalos ... desapareceram, ou estão reduzidos a uma pequena amostragem, e os donos que os orientavam foram à procura de melhor vida ao mesmo tempo que partiram à conquista de mundos. Penso que, na Peneda, já não se canta nem se dança! Reza-se por melhores dias e para que Nossa Senhora nos mantenha, embora longe uns dos outros, unidos. As romarias eram festas e preces, hoja as romarias são só preces! E mesmo só para isso, vão de carro. Eu também já só vou de carro à Peneda. Se quiser ir a pé, terei de o fazer sózinho porque ninguém irá comigo!

sábado, 20 de agosto de 2005

A Dama e o Vagabundo

   Ventor 20.08.05

Foi uma bela caminhada. Imaginem que até caminhei em volta deste prato, pela Quinta das duas Torres.

Lá vou eu a correr e a saltar de Torre em Torre

Só que cada uma destas caminhadas deixam-me mais só no tempo. Fui ver casar mais uma das princesas do meu Burgo que ainda teve o cuidado de achar-me um grande Vagabundo. Claro que a minha cara metade era a Dama, depois estávamos rodeados à mesa por uma bela juventude. Era a mesa da Dama e do Vagabundo. Enfim, éramos todos uns vagabundos e esta juventude já vagabundeia connosco há uns aninhos! Só não coloco aqui as suas caras bonitas porque eu sou daqueles que tenho pouco a ver com a confiança na Net.


Era realmente a mesa da Dama e dos vagabundos

Claro que fiz uma reportagem fotográfica que está a correr e-mails, mas cada vez que eu tirava uma foto, o repórter oficial transtornava a sua fisionomia. Não sei porquê! Toda a gente lhe comprou as fotografias, até eu com uma máquina cheia delas! Mas se aqui não sou o repórter que alguns desejariam, ainda dou só um cheirinho do que foi o grande dia deste Vabundo.

E também um cheirinho da noiva que nos encantou


                           



Assim, perdidos no escuro da noite, sempre haviam umas lamparinas ou umas velinhas para nos iluminar as belas torres, as fachadas cheias de hera, as janelas, as portas, ... as caras bonitas e encantadas como fadas nocturnas que, como eu, saltavam de torre em torre no meio de velhas fadas em forma de corujas que por ali vagueiam há séculos.



Assim, ao retirar-me do meio de belas flores, e ao ter de ir vagabundear para outro lado, terminou para todos e para mim também, mais um belo momento de beleza que felizmente vão alternando com os tristes que também nos acompanham. Assim, talvez um dia muitos de nós possamos dizer que vivemos uma vida completa, cheia de tristezas e alegrias e, umas e outras nos encherão o coração e o cérebro de recordações.

segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Tristeza

 Ventor 01.08.05

Ela levou-me ao colo de Adrão a Soajo para me baptizar. Dizia-me a minha mãe que nunca deixou que ninguém me pegasse!! Ela aqueceu-me as mãos quando eu era criança e subíamos as montanhas atrás das vacas. Ela casou e foi para a América com o marido, quando eu vim para Lisboa. Andamos sempre afastados e só de vez em quando nos encontrávamos por aí. Nas nossas montanhas, em Adrão, na sua casa de Arcos de Valdevez.

 Ela chorou-me morto quando a sua sogra lhe telefonou a dizer-lhe: "morreu o nosso Ventor"! Era um engano. Fora o meu irmão que morreu na tropa num acidente. Ela chorou e pôs a América de Adrão a chorar por mim! Ela sempre gostou de mim e sempre dizia: "o meu Ventor"!

Ela, na foto, está feliz com o seu Bubo que eu lhe ensinei que a casa também era dele. A mesma felicidade tinha com o Max o seu cãozinho, que só passou a deixar entrar no quarto e na cama quando viu que com o seu Ventor ele também dormia na cama e era tratado como um igual!

O Bubo morreu e foi para as estrelinhas como diz a Joana. O Max está a morrer com um tumor na cabeça. Duas tristezas! Agora a tristeza é maior. Hoje a vida deu uma volta. Ela telefonou-me que os médicos lhe deram um ano de vida! Hoje apetece-me chorar! Só vejo a vida esvaziar-se à minha volta e apetece-me esvaziar uma garrafa de scotch e dormir, dormir, dormir e não pensar em nada!

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Sistemas de comunicação

   Vento 29.07.05

Este ano é para mim um mau ano.

Devido à seca e não só! Pela seca, para mim e para todos nós, mesmo para aqueles que pensam que não. Mas, apesar de tudo, tem sido um ano de aprendizagem. Quase que sou especializado em vários sistemas de comunicações. Várias linguagens!

Este ano, aprendi dois sistemas novos e hoje mesmo, recordei um que já quase tinha esquecido. Este ano, nas minhas pequenas ou grandes caminhadas, aprendi o sistema de comunicações utilizado pelos pica-paus malhados e aprendi o sistema de comunicações utilizado pelos gaios. Estes, tenho-os seguido desde o ano passado. Não me deixam fotografá-los mas já os entendo!

Mas hoje, quando andava atrás de uma pega para fotografar, ouvi uns sons esquisitos mas ao mesmo tempo familiares! Larguei a pega, desobediente, e fui atrás dos sons. Achei que fiquei apático ao ouvir aqueles sons enquanto os meus carrilhões procuravam entendê-los. Afinal era tão simples!

Ao prosseguir no encalço dos sons, vi mais lá à frente uma perdiz a atravessar o caminho. Depois outra e outra e mais outra! Eu sabia que andavam por ali pelo menos três perdizes. De repente vi que eram quatro que atravessavam o caminho o que indicava pelo menos mais uma. Tinha começado com duas em Março e depois voltei a vê-las. Sabia que elas teriam ali o ninho, mas procurei não as perturbar. Entre a minha avidez pelo ninho para fotografar com os seus ovos, ponderei e não o procurei, para que elas tivessem o seu rumo normal. Pelo menos que não fosse eu a estragar tudo.


As perdizes atravessam o caminho à minha frente, mas longe

Mas hoje, certifiquei-me, ao ver aquelas quatro perdizes que o som teria a ver com uma catrefa delas. Foi o que aconteceu. Era um grande bando de perdizes em comunicação. Lembrei-me que aquele som era o que ouvia quando pequeno caminhava pelas minhas montanhas. Desde que os perdigotos me apareciam aos pés até desapareceram nos matos, tudo acontecia após aquele som. Este som faz lembrar aquele que é utilizado pelos humanos. "Umas palmadas que batem e, de repente, uma voz: meninos, vamos a dispersar"!


Depois, alguém que descia em sentido contrário tirou-me a oportunidade de as fotografar como eu gostaria

Fiquei sem a foto da pega e sem a foto ideal das perdizes, mas fiquei contente por saber que as perdizes ainda continuam na roda da vida, e que aquele casalinho de amigos tiveram os seus meninos. Hoje, já grandes!

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Hoje fomos à quinta

  Ventor 15.07.05

Hoje peguei no Maralhal e fomos à Quinta!

Joana e Tomás 

Joana e Tomás 

Primeiro fizemos uma visão geral sobre a quinta, a ver se estava tudo em ordem, e depois fomos tomar o pequeno almoço á grande! Quando voltamos à quinta, o galo chamou o seu Maralhal para ver o maralhal do Ventor!

Este galo dá o alerta

Venham ver o Ventor depressa, diz ele, pois se calhar vai-se embora outra vez a correr!

 O galo já está chateado

Não estão a ouvir o que eu digo?

 Outro galo observa e diz 

Eu já os tinha chamado mas ninguém me ligou. Não tarda muito vão-se embora outra vez!

Tirem os patos do caminho. Que pategos!

Pategos o tanas! Sai mas é tu do caminho que eu quero um encontro com o meu amigo Ventor!

Oh, rapariga, puxa o carro, para oferecermos uma boleia ao Ventor!

O pato coxinho 

Deixem-me chegar à frente. O Ventor sabe o que é andar coxo e logo que me veja, já não vos liga mais! Deixem o Ventor ver o coxinho!

Bem, depois de muita algazarra, lá saímos da quinta para virmos almoçar. Deixamos lá todos os nossos amigos e foi o fim do mundo para nos despedirmos de todos. Mas deixo uma promessa: voltaremos!

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Setember Eleven

  Ventor  11.09.11 O dia que mudou o mundo e, por isso, o dia que também mudou o Ventor. Um dia que nunca devemos esquecer! Não devemos esqu...