sábado, 25 de junho de 2005
domingo, 19 de junho de 2005
À Lobo
Ventor 19.06.05
Há alguns dias atrás, ao atravessar a passadeira para peões. à minha porta, com um saco de lixo na mão, senti uma terrível pancada na barriga da perna esquerda e quase anichei no meio da via.
Tacteei mas não caí, e a primeira coisa que fiz, mal me recompus, foi olhar o estrago que o tiro fez. Para mim, a primeira impressão é que tinha levado um tiro na perna.
Ao mesmo tempo que tentava não anichar no meio da rua, olhei em volta, passeio, janelas, portas e não vi ninguém de arma na mão ao mesmo tempo que me lembrei que não ouvi tiro nenhum. Mesmo assim, baixei os olhos para a barriga da perna e a perneira das calças estava intacta. Portanto, calças sem furo, pensei, não tinha mesmo havido tiro!
Os carros que à minha esquerda tinham parado para eu passar, ficaram estupefactos a olhar-me a contorcer-me de dores no meio da via, sem capacidade para me mover. Um rapaz de mota, chegou-se pelo meio dos carros até junto de mim e perguntou-me o que me aconteceu. Disse-lhe que pensei que tinha levado um tiro na perna, mas vistas as coisas, só poderia ter sido uma pedrada. Mostrei a barriga da perna e tinha uma negra, mas dentro dela só eu percebia a severidade da pancada.O meu músculo tinha-se desarticulado.
Saí do meio da rua e, quase de rastos, lá levei o saco do lixo. Uma vizinha da janela, disse ao marido que o amigo Ventor terá tido mais um grande problema de coluna! Vim para o meu carro, para levar a minha mulher á fisioterapia e logo que ela desceu e viu a minha máscara, queria desistir, mas eu lá a levei. Afinal a dor era na barriga da perna, mas o mecanismo funcionava! Ainda arranjava forças para grunhir de dor e fazer baixar a embraiagem!
Deixei-a na fisioterapia e como ela ia ter com uma amiga para beberem o café juntas, disse-lhe que vinha para casa fazer o meu tratamento. Cheguei a casa, gelo, pomada de silício, em vez de voltaren, mais gelo, e lá vou eu a coxear até ao carro. Andei assim alguns dias e ainda não passou, mas já pareço um lobo! Já caminhei na serra de Sintra a coxear, já controlei os meus pica-paus a coxear e, já passei tardes inteiras, dentro do carro a ver esvoaçar os gaios e de vez em quando, dou urros diabólicos devido ao meu tratamento, à lobo, sempre que me esqueço do meu dói-dói!
Sempre que tive problemas fiz tratamentos à lobo. Já torci pés e fui eu que os endireitei à lobo. Quando tirava a chapa em Lisboa os especialistas ficavam parvos quando eu lhes contava as minhas histórias. Uma vez torci um pé e, mesmo assim, para não molhar os ténis no rego de regar o milho, saltei do rego da água para cima do muro ao lado. A laje dançou e eu dancei com ela e só ouvia o pé a desfazer-se todo.
Por fim, em Lisboa, na Av. Da Liberdade, três dias depois, o médico que se chama (va) Corte Real, disse-me para nunca mais lá aparecer depois de fazer tanto estrago. E não! Fiz e continuo a fazer tratamentos à lobo! Mas nunca esqueçam: ouçam o que eu digo mas não liguem ao que eu faço. Apenas me tenho saído bem. Imagino quanto sofrem os lobos, meus companheiros de Caminhada, sem assistência hospitalar, sem médicos, sem enfermeiros, ... sem nada! Mas eles comem o barro e o barro está cheio de silício. Sem saberem tratam-se, e ... bem!
terça-feira, 14 de junho de 2005
Que seca!
Ventor 14.06.05
Hoje fui a S. Pedro de Sintra beber um café e comer um travesseiro. É uma das minhas caminhadas preferidas, à sempre linda Sintra. Passei algum tempo a observar as silvas e a pensar nas amoras e no Eugénio Andrade e no seu poema sobre as amoras. Afinal, também é meu, pois ninguém mais que eu terá vivido tão intensamente as amoras das silvas.
Flores de silvas e amoras a nascer
Depois, como não podia deixar de ser, fui até à Lagoa Azul. Mal que entrei no local da Lagoa, encontrei dois GNR's a observar a água, mas de semblante triste. Olhei a Lagoa, desejei Bom Dia aos homens e disse-lhe logo: «estamos lixados»! Eles olharam-me, mediram-me, perceberam,
e o mais próximo, disse: "pois estamos"! Inteligentes aqueles GNR's!
A Lagoa estava assim
Dei a minha volta à Lagoa coxeando e assim tive mais tempo para observar os meus amigos. Dois milhafres apareceram para me dizer olá (e disseram mesmo!), mas com a fome que estavam nem me quiseram olhar mais. Os cágados sairam fora da água só para me espreitarem e dizerem-me que gostavam de me ver por lá!
Rapaziada venham ver o Ventor!
Depois foram as libélulas e os peixes. Fizeram passagens à minha volta uns e subiram quase à superfície outros..
As libélulas, eram muitas e quase todas azuis
Este amigo diz que as águas estáo paradas e já começa a faltar o oxigénio!
Mas no meio desta bicharada toda cantavam as rolas e os pombos e ouvi o mais belo de todos os sons. Quando apontava a máquina para um pombo que tinha pousado ao meu lado, num pinheiro alto, esqueci-me logo dele, pois logo por ali, ouvi um pica-pau a martelar com o bico na madeira.
Ando de volta dos ninho dos pica-paus, dois, mas já há mais de 40 anos que não ouvia o som deles na execução do seu trabalho. Uma maravilha da natureza! Ouvi o seu som de trabalho e a sua conversa comigo. Nem toda a gente conhece o som do pica-pau quando ele nos quer ver longe. Depois, mais à frente, já afastado da Lagoa, procurei as minhas carrascas e uma ave esvoaça sobre mim e só pelo gesto, disse logo à minha mulher: «olha para aquele pinheiro, está lá um pica-pau». Colocou-se por detrás do galho a observar-nos e depois vimos ele partir de abalada. Na minha terra só vi pica-paus verdes mas por aqui eles são brancos pretos e vermelhos como este.
Está no Site do Quico este amigo do Ventor
sexta-feira, 10 de junho de 2005
Dia de Portugal
Ventor 10.06.05
10 de Junho, era o dia de Portugal!
Hoje não sei se ainda é! Sabem porque? Cada vez me parece mais o dia do "oportunismo"! Se alguém quiser fazer a retrospecção que eu já fiz, mas guardei para mim, porque senão ... Bom! Não acreditam? Podem crer! Já ouve quem ameaçasse os blogs e eu não quero fazer nada para isso.
Mas sempre poderei dizer alguma coisa! Ouço o povo na Rádio, na Televisão, na Rua, no café, ... e julgo que, pelo menos, por enquanto, só uma coisa safa a geração política que resultou da Abrilada de 1974! Sabem o que é? Adivinhem!
Se não adivinharem depois eu digo-vos! Mas temos de reconhecer que todos eles se pavoneiam sugando o suor do povo. Todos eles de um extremo ao outro, se pavoneiam enquanto apenas e só nos mataram a única coisa que ainda poderíamos ter ... A Esperança! Até essa nos levaram!
sábado, 21 de maio de 2005
Tejo, a nossa veia cava
Ventor 21.05.05
Ontem caminhei três horas por Belém. Fui aos meus pastéis, olhei o tejo e, como sempre fico deslumbrado com a sua paisagem e com os seus monumentos. Tirei 220 fotografias a caminhar entre turistas, também entusiasmados. Mas eles são visitantes, nota-se que gostam da bela Lisboa pelo seu sorriso, pelas suas expressões ávidas de conhecer e eu que sou da casa, nunca me encho!
Pormenor do Pavilhão dos Descobrimentos num belo dia de sol e algumas nuvens
Eles fizeram a sua Grande Caminhada juntos, levantaram padrões, descobriram mundos ...
Deixaram-nos monumentos e o Tejo ficou adornado de belezas sem fim. Fico ali a olhar, a olhar, e chego à conclusão que eram mesmo grandes os nossos antepassados. Eles tinham um objectivo e alcançaram-no! Nós hoje não temos objectivo nenhum a não ser o subsídio! É um pensamento comum e talvez a palavra mais utilizada em Portugal! ... Pedinchice!
Foi este o objectivo que nos incutiu a ressaca surgida do 25 de Abril! Ouço os nossos políticos da esquerda à direita. Há anos que observo as suas expressões quando discursam, quando dialogam, quando se engalfinham e pergunto-me a mim mesmo: "será que esta malta alguma vez teve vergonha"?
https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html
Setember Eleven
Ventor 11.09.11 O dia que mudou o mundo e, por isso, o dia que também mudou o Ventor. Um dia que nunca devemos esquecer! Não devemos esqu...









