terça-feira, 14 de junho de 2005

Que seca!

  Ventor 14.06.05

Hoje fui a S. Pedro de Sintra beber um café e comer um travesseiro. É uma das minhas caminhadas preferidas, à sempre linda Sintra. Passei algum tempo a observar as silvas e a pensar nas amoras e no Eugénio Andrade e no seu poema sobre as amoras. Afinal, também é meu, pois ninguém mais que eu terá vivido tão intensamente as amoras das silvas.

Flores de silvas e amoras a nascer

Depois, como não podia deixar de ser, fui até à Lagoa Azul. Mal que entrei no local da Lagoa, encontrei dois GNR's a observar a água, mas de semblante triste. Olhei a Lagoa, desejei Bom Dia aos homens e disse-lhe logo: «estamos lixados»! Eles olharam-me, mediram-me, perceberam,

e o mais próximo, disse: "pois estamos"! Inteligentes aqueles GNR's!

A Lagoa estava assim

Dei a minha volta à Lagoa coxeando e assim tive mais tempo para observar os meus amigos. Dois milhafres apareceram para me dizer olá (e disseram mesmo!), mas com a fome que estavam nem me quiseram olhar mais. Os cágados sairam fora da água só para me espreitarem e dizerem-me que gostavam de me ver por lá!

Rapaziada venham ver o Ventor!

Depois foram as libélulas e os peixes. Fizeram passagens à minha volta uns e subiram quase à superfície outros..


 As libélulas, eram muitas e quase todas azuis

Este amigo diz que as águas estáo paradas e já começa a faltar o oxigénio! 

Mas no meio desta bicharada toda cantavam as rolas e os pombos e ouvi o mais belo de todos os sons. Quando apontava a máquina para um pombo que tinha pousado ao meu lado, num pinheiro alto, esqueci-me logo dele, pois logo por ali, ouvi um pica-pau a martelar com o bico na madeira.

Ando de volta dos ninho dos pica-paus, dois, mas já há mais de 40 anos que não ouvia o som deles na execução do seu trabalho. Uma maravilha da natureza! Ouvi o seu som de trabalho e a sua conversa comigo. Nem toda a gente conhece o som do pica-pau quando ele nos quer ver longe. Depois, mais à frente, já afastado da Lagoa, procurei as minhas carrascas e uma ave esvoaça sobre mim e só pelo gesto, disse logo à minha mulher: «olha para aquele pinheiro, está lá um pica-pau». Colocou-se por detrás do galho a observar-nos e depois vimos ele partir de abalada. Na minha terra só vi pica-paus verdes mas por aqui eles são brancos pretos e vermelhos como este.

Está no Site do Quico este amigo do Ventor

sexta-feira, 10 de junho de 2005

Dia de Portugal

  Ventor 10.06.05

10 de Junho, era o dia de Portugal!

Hoje não sei se ainda é! Sabem porque? Cada vez me parece mais o dia do "oportunismo"! Se alguém quiser fazer a retrospecção que eu já fiz, mas guardei para mim, porque senão ... Bom! Não acreditam? Podem crer! Já ouve quem ameaçasse os blogs e eu não quero fazer nada para isso.

Mas sempre poderei dizer alguma coisa! Ouço o povo na Rádio, na Televisão, na Rua, no café, ... e julgo que, pelo menos, por enquanto, só uma coisa safa a geração política que resultou da Abrilada de 1974! Sabem o que é? Adivinhem!

Se não adivinharem depois eu digo-vos! Mas temos de reconhecer que todos eles se pavoneiam sugando o suor do povo. Todos eles de um extremo ao outro, se pavoneiam enquanto apenas e só nos mataram a única coisa que ainda poderíamos ter ... A Esperança! Até essa nos levaram!

sábado, 21 de maio de 2005

Tejo, a nossa veia cava

  Ventor 21.05.05

Ontem caminhei três horas por Belém. Fui aos meus pastéis, olhei o tejo e, como sempre fico deslumbrado com a sua paisagem e com os seus monumentos. Tirei 220 fotografias a caminhar entre turistas, também entusiasmados. Mas eles são visitantes, nota-se que gostam da bela Lisboa pelo seu sorriso, pelas suas expressões ávidas de conhecer e eu que sou da casa, nunca me encho!

Pormenor do Pavilhão dos Descobrimentos num belo dia de sol e algumas nuvens

Eles fizeram a sua Grande Caminhada juntos, levantaram padrões, descobriram mundos ...

Deixaram-nos monumentos e o Tejo ficou adornado de belezas sem fim. Fico ali a olhar, a olhar, e chego à conclusão que eram mesmo grandes os nossos antepassados. Eles tinham um objectivo e alcançaram-no! Nós hoje não temos objectivo nenhum a não ser o subsídio! É um pensamento comum e talvez a palavra mais utilizada em Portugal! ... Pedinchice!

Foi este o objectivo que nos incutiu a ressaca surgida do 25 de Abril! Ouço os nossos políticos da esquerda à direita. Há anos que observo as suas expressões quando discursam, quando dialogam, quando se engalfinham e pergunto-me a mim mesmo: "será que esta malta alguma vez teve vergonha"?

domingo, 15 de maio de 2005

Faz hoje 35 anos

  Ventor 15.05.05

... que deixei a Força Aérea. Claro que vou comemorar este dia com uns copos, os copos da saudade! Não sei quantos comemorarei mais, mas sei que enquanto puder, não esquecerei!

São servidos?

terça-feira, 10 de maio de 2005

Mundo ignóbil

  Ventor 10.05.05

Este nosso mundo, o nosso, o português, abstenho-me de falar do mundo dos outros, está cada vez, segundo as opções dos nossos políticos, mais social! Até está, mas no papel e na mísera distribuição de uns cêntimos para quem precisa, segundo se crê.

Afinal esses cêntimos não chegam nada para quem precisa e quem não precisa esbanja-os em luxos incríveis, numa sociedade que se pretende digna e capaz de tratar dos seus. A nossa sociedade, se repararem bem, tem sido um descalabro total, no aspecto social. E andam por aí, tantos ... ditos senhores, a tentar peneirar o sol a ver se enxergam luz.

Alguns familiares, matam, as suas crianças desprotegidas, por processos ignóveis e a sociedade sente-se manietada por se reger por leis, muitas delas sem sentido. Somos um país de advogados, ... de doutores e engenheiros de coisa nenhuma. Pavoneiam-se nos seus ciclos todos os dias, dão shows televisivos, armadilham leis e seguem os trilhos de "nossa senhora não te rales". As crianças morrem, por negligência das autoridades, que criaram camisas de forças de onde não saem e depois os sabichões do templo arranjam logo bodes expiatórios para tudo.

A verdade é que os nossos velhos, necessitados, não têm dinheiro para comer e para medicamentos. Há os que têm família que ajuda, mas há também os que não têm ninguém. Como é possível haver medicamentos no mercado a preços incríveis? Dar por dois ou três medicamentos para uns dias cerca de 80 euros, já descontado o subsídio da Segurança Social, quem tem uma reforma que nem para comer lhe chega, mais renda de casa, mais ... quando a gente olha para a chulice que nos rodeia, em grandes bombas, com cartões de crédito sem limites, com casa paga, muitas vezes com férias pagas, tudo isso saído do suor do povo, portanto pago por todos nós, que dizer da nossa sociedade cada vez mais social?

Sim, refiro-me aos políticos que nos levam couro e cabelo para nada! Sim refiro-me a administradores das grandes empresas, públicas e privadas que são reis e príncipes neste mundo de larápios! Para eles levarem essa vida faustosa, pagamos nós os incríveis preços de produtos mal feitos e de serviços mal prestados. Não seremos só nós, eu sei, mas os povos desta célebre sociedade (a grande comunidade da Europa) estão cada vez mais escravizados na sua luta para poderem viver com certa dignidade e, então, Portugal é o máximo!

Só vejo dificuldades à minha volta e os foristas do templo dizem-nos que a tendência é para piorar nos próximos 10 anos! Dizem que os empregos serão cada vez menos, que para a Segurança Social, virá um dia, não longínquo, que deixará de pagar a quem pagou o que lhe pediram. No entanto para amainar os péssimos ânimos do povo, aparecem sempre alguns prontos para nos divertir, como, por exemplo, a tourada a realizar nos Açores em terras de Santa Maria, para comemorar o aniversário da sua autonomia. Por isso o meu Quico enviou às faustosas autoridades daqueles sítios este e-mail:

«Ex-mos Senhores Presidência do Governo Regional dos Açores, Ministro da República para os Açores, Câmara Municipal de Vila do Porto, Circulo de Amigos de S Lourenço (entidade organizadora).

Eu sou o Quico, o gato do Ventor e estou muito desolado por saber que vão chegar aos Açores uns touros para serem toureados nessa bela terra de Santa Maria. Costumo dizer, nas minhas comunicações com terceiros que sou o vosso amigo Quico, mas neste caso não usarei essa doce frase, pois não poderei usá-la com aqueles que vão permitir que os meus verdadeiros amigos, os touros do Ribatejo, ou outros quaisquer, que vão ser terrivelmente mal tratados para satisfação e gáudio de meia dúzia de iluminados.

Eu dirijo este e-mail às Entidades acima porque sei que entre elas estarão os verdadeiros responsáveis por essa tourada. Ou porque a organizaram ou porque permitiram a sua organização e também porque, se quiserem, poderão evitá-la.

Também sei que os amigos das touradas não são sensíveis à voz dos homens, nem às dores e sacrifícios dos touros e se calhar, menos ainda ao desânimo e desolação de um gato. Vocês são políticos e têm por obrigação tentar arranjar emprego para os desempregados e também divertimentos para o Povo, porque não! Mas há sempre gente apta nos meios políticos, por arrasto ou por vontade própria, a entrar por caminhos que são uma nódoa para a dignidade do homem neste planeta cheio de arrelias.

Vocês querem satisfazer o Zé Povinho, mas como eu ouço os homens deste mundo em que me integro, podem fazê-lo muito bem sem mal tratar os nossos companheiros de CAMINHADA e satisfazer também a vossa própria satisfação pessoal! Se querem manter o povo entretido, é tão simples! Porque não transformam esse local da tourada num campo de jogos de Chinquilho, da Malha,  da Macaca!

Enfim! Já não falo noutros géneros de espectáculos que esses certamente conhecem. Vocês sabem o que é jogar ao Chinquilho? Eu sou gato, também não, nem sei se o Ventor sabe, mas sei que ele costuma ver uma gente do grupo de reformados a jogar ao Chinquilho e bem divertidos. Promove a auto estima, é bom para o stress e satisfaz plenamente aqueles que ao Chinquilho se dedicam nas horas de lazer.

Vocês são homens, e diz o Ventor que pertencem à classe dos notáveis. Serão mesmo notáveis? Eu penso que um homem notável será aquele que vela por si, pelos seus semelhantes e por todos os animais que o Senhor da Esfera colocou neste mundo para prosseguirmos ao lado uns dos outros a melhor caminhada possível. E seria tão simples! Bastaria que todos tivessem bom coração e soubessem respeitar aqueles que vos matam a fome e só por isso, eles deveriam ter no pouco tempo que lhes dão de vida, uma vida vivida com dignidade.

Se calhar comer-se-iam menos toxinas e haveria menos doenças ente nós todos. Por isso, em nome da DIGNIDADE QUE DEVE PAUTAR TODO O SER HUMANO, vos peço. NÃO FAÇAM MAL AOS MEUS AMIGOS! VÃO JOGAR AO CHINQUILHO SEUS CRETINOS!

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Setember Eleven

  Ventor  11.09.11 O dia que mudou o mundo e, por isso, o dia que também mudou o Ventor. Um dia que nunca devemos esquecer! Não devemos esqu...