sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Renovação da Carta de Condução online

  | Ventor 15.12.17

Sim, renovação online! Acho que começou em Maio.

Não foi fácil o início mas foi fácil a renovação online.

No início, era o relatório médico. Onde fazer o relatório médico? Marquei consulta para um médico que já me conhece e que me fez o pnúltimo relatório. Disse à recepcionista que a consulta era para me fazer o relatório médico para renovar a carta de condução e, como essas coisas são demoradas não tinha muito tempo para esperar. Fui logo informado pela recepcionista do consultório que o doutor não tinha plataforma e teria de arranjar um médico com plataforma para enviar o relatório para o IMT.

Perguntei-lhe se conhecia algum disse-me que não. Então fui à procura e comecei a ouvir a canção da Mariazinha, aquela que começa por «gosto muito da Mariazinha». E, depois, vem o «não, e não e não, e não e não, e não e não e não.

IMT - polegar bem levantado, um like

Bem, fui a uma escola de condução e disse: "preciso de renovar a carta, o que me podem fazer aqui"?

Resposta: "podemos tratar disso tudo mas vai ter de marcar para o dia 12 e a consulta é por ordem de chegada". Ok. Achei que era condenado a ir dormir uma soneca para a porta da escola de condução o dia 12 deste mês para poder ser atendido  e eu só tenho paciência para dormir numa boa cama.

Pedi à minha esposa, enquanto eu guiava de regresso a casa. «Liga para o Hospital da Luz e pergunta à mocinha se lá têm uma plataforma para me fazerem o relatório médico para a renovação da carta de condução e envia-lo para o IMT.

"Temos, sim senhora, D. Gisela. O seu marido tem cá médico"? Diz-lhe que pode ser um qualquer ou dois, os que fizerem falta ... «Tem sim é ....

Era uma quinta feira. "Então posso-lhe marcar para sábado às tantas, porque tem uma vaga. Pode ser"?

«Pode até ser agora»! Ficou para sábado de manhã.

Entrei no consultório e ouvi: "que o trás por cá, Senhor Luis"? «Vim cá para me passar o relatório médico para a renovação da carta».

"Meu Deus, isto é uma confusão que nem lhe passa pela cabeça. Eu vou tentar mas não sei se você vai levar o relatório hoje. Há sempre falhanços, ou nossos ou do sistema, ou .... Eu pagava-lhe para não o ter cá para isso"!

Uma boa médica refilona como eu mas, com mais ou menos dificuldades e com a ajuda de um colega lá me resolveram o problema. O sistema trabalhou. Pelos vistos, gosta de trabalhar ao sábado! Cheguei a casa e respirei fundo. Agora vamos à online.

Fiz tudo como o Site do IMT diz e poucos dias depois tinha a carta nos CTT de Massamá. Levantei-a ontem porque na véspera não estava em casa para a receber.

Fiz o pedido e tinha de pagar o trabalhinho 24 horas depois. Logo após o pagamento, tinha a guia e o recibo para imprimir. Em sete ou oito dias, tinha tudo tratado com a carta em casa.

Não vale a pena dizer mal das instituições só por dizer. E olhem que eu tinha ouvido dizer mal desde que o sistema foi instituído. Por isso eu deixo aqui uma palavra de satisfação para com o IMT.

Acredito que os médicos tenham problemas com a plataforma por várias razões mas Roma e Pavia não se fizeram num dia.

domingo, 12 de novembro de 2017

O Santiago ficou sem o Cocas

 | Ventor 12.11.17

Hoje tivemos uma má notícia. O nosso amigo Cocas, morreu.

O Cocas era um gatinho que foi pedir comer junto de amigos no Algarve há cerca de 9 anos atrás. Apareceu todo remeloso a mendigar alguma coisa para matar a fome. A Joana, a nossa princesa mais velha exaucrinou a mãe e o pai para trazerem o cocas para casa. Mas a mãe da Joana ao se aproximar de gatos começa logo a espirrar e não podia trazer o gato.

Leva-o mãe que eu levo-o para a tia Tata.

Eras tão lindo Cocas

E assim foi! A Joana levou o gato para a tia Tata, mas ele estava doente. Foi para o veterinário e as despesas foram enormes. As alegrias, por vezes, são bem pagas.

O gato ficou bom e foram cerca de 9 anos de alegrias. Os cães dormiam fora e o Cocas tinha a casa por sua conta. De repente deixou de ter vontade de comer e foi morrer à veterinária que tratou dele. O Cocas morreu e eu perdi um grande amigo. Ele era um dos meus grandes amigos do Lugar do Sol.

Também o meu amigo Santiago perdeu esse belo amigo. Eles adoravam-se um ao outro. É triste a vida ser tão complicada para as pessoas e para os animais.

Mas quando choramos por um animal é porque ele fez mesmo parte da nossa família.

Sei como te vai custar Santiago. Sei como é difícil olhares em volta e não veres o teu companheirinho peludo a observar as tuas travessuras

Adeus Cocas. Vou sentir a tua falta quando voltar ao Lugar do Sol.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O Ski deixou-nos

  | Ventor 09.05.16

O Ski era meu amigo. Já é o segundo amigo que perdi no Lugar do Sol.

Sky

Quando eu partia para as minhas caminhadas, eles todos corriam a despedir-se de mim no portão, mas o Ski olhava-me sempre com uma doçura sem fim, naqueles olhos avelãs. Quando eu estava no campo, do lado contrário, era ele sempre o primeiro a ladrar. Espreitava-me por entre os arames e ladrava. De repente estava lá a matilha toda. O Ski e os perdigueiros.


O Ski tinha uma casa. Ele gostava muito da sua casa. Tanto nesta como na outra, ele deixava os seus amigos dormirem com ele. Viviam juntos, comiam juntos, sonhavam juntos.


Eles gostavam das suas casas debaixo do Telheiro, mas o Ski, teve direito a uma só para ele. Tinha quase 12 anos e os donos quiseram dar-lhe mais recato e conforto devido à doença. Mas eles não abandonavam o Ski. O último a chegar ficava quase todo de fora. Tal como os mosqueteiros, não diziam "um por todos e todos por um" mas diziam: "o que é do Ski é nosso e o que é nosso é do Ski"!

Quando eu chegava, mais pareciam uma "matilha de lobos" em volta da presa que uma matilha de cães a receber um amigo. Todos me queriam tocar, lambuzar, agarrar, cheirar. E todos me diziam, "não trouxeste o gato"? Porque nunca trazes o gato"? Porque se o trouxesse Ski, tu eras o primeiro a dar-lhe uma dentada. "Não dava nada porque sei que é teu e isso era quanto bastava para não-lhe fazer mal". Porque não seria assim?

 Eles eram todos amigos e o Ski adoptou os filhos da Maria e do Gaspar como se fossem dele. Como diz a célebre canção, "amigos para siempre"

O Ski tinha uma maneira especial de me olhar, de se chegar e de se colocar a meu lado. Acompanhava-me sempre todo discreto. Os outros aproximavam-se, agarravam-se a mim, uns estroinas maravilhosos mas o Ski olhava, aproximava-se e parecia-me dizer, calmamente, que a amizade deles era igual à dele.

Depois apareceu outro amigo - o Santiago

O Santiago gosta de todos mas tinha um carinho especial pelo Ski


"Ele é meu amigo, ele não xe janga"! Eu tenho a certeza que sim, Santiago

Aproximava-se do Santiago sempre num estilo protector. Parecia dizer-lhe, "estou aqui, contigo, Santiago". Na última vez que estivemos juntos, o Santiago agarrava-se-lhe, fosse onde fosse, até nas orelhas. Eu disse ao Santiago: não te agarres tanto às orelhas do Ski, Santiago que ele pode zangar-se, se o magoas. O Santiago tinha tanta confiança nele que me respondeu: "ele é meu amigo. Ele não xe janga"!".

Nunca mais te vais esquecer dele Santiago

É difícil perder um amigo e o Santiago começa cedo a aprender quanto custa. Até a mim vai custar muito quando lá chegar e não me aparecer aquele olhar especial do Ski. Mas a vida é assim, feita de atropelos permanentes em que uns ficam e outros vão partindo primeiro. O Ski nunca nos abandonará porque continuaremos a vê-lo em fotos e continuará no nosso cérebro a saltar e a correr pelo Lugar do Sol.

 


  


Deixo aqui duas flores que estavam na piroga, em 02 de Abril passado. A amarela já era minha conhecida mas a vermelha não e ele não me largava e olhava para mim e para as flores como que a tentar perceber-me

Mas, quer queiramos quer não, o Santiago, os pais, o Ventor, ... toda a família e amigos, ficamos sem o nosso amigo Branco de Weimar ou Weimarner, o nosso amigo Ski.

Foi em 8 de Maio de 2016 que o Ski se despediu dos seus amigos e de todos nós, dos amigos e da família. Os últimos anos da vida dele, foram de tudo o que havia de bom, sem fome, sem frio, feliz. Tinha uns donos que o adoravam. Devido à doença, a sua dona ia tapa-lo à noite e conversava com ele. Diz-se muito sortuda por fazer parte da sua vida. Vai colocar no seu lugar um cedro e uma linda planta selvagem e assim ficaremos sempre juntos.

Podes crer Cristina que estará sempre connosco. Irei procura-lo no meio dos seus amigos e não o encontrarei mas continuaremos juntos.

domingo, 10 de abril de 2016

No Lugar do Sol ...

 | Ventor 10.04.16

... os meus amigos continuam por lá. Ontem fui visita-los!

O Germânico

O germânico, não é o germano mas é um grande amigo do Ventor. Eu passeio por entre as flores, vou clicando e ele está sempre com os olhos em mim. É uma beleza peluda e amigo do Ventor. Também está sempre com os olhos no Santiago.

O Santiago também está sempre de olhos neles. Brinca com eles e eles brincam com ele e já sabem que é ele o novo dono. O Santiago diz que eles são amigos e que gosta muito deles e eles dele.

Mas quando o Ventor se preparou para ir dar a sua caminhada da praxe, o Santiago encheu-se de coragem e disse: "eu vou contigo"! Não Santiago, tu não podes. Tu és pequenino, tens de comer muito para me acompanhares nas minhas caminhadas. Se comeres muito, para o ano vais comigo às perdizes. Mas o Santiago diz-me: "elas fogem"! Não fogem nada, elas são minhas amigas! Então vou contigo. Se são tuas amigas, também são minhas.

Enchi-me de coragem e levei o Santiago. Olha que eu não te posso trazer às costas! Eu levo o teu cajado! Vou contigo pelos montes todos e chamo as perdizes. Fez o gesto como faria para chamar os pombos. Ele queria, era ir comigo. E foi!

Ele era o homem das botas, eu era o homem dos ténis. Com as minhas botas, ninguém me apanha - pensava ele. Mas, os trambolhões nas verduras foram muitos. Eu dizia: "hoje estás a conhecer um colchão novo"! Ele dizia: "é bom"! Caminhamos entre as flores, as lindas flores da Primavera mas, o Santiago não percebe nada das minhas explicações mas, também que interessa? O que interessa é participar! E o Santiago participou. Participou e bem! Nunca pensei que participasse tanto.

Depois quis que eu chamasse a mãe e a tia Gisela para nos verem no monte. No monte, de pé, de cajado, e caminhando entre as flores. Para o Santiago foi uma festa e para mim, nem se fala. Depois, eu disse-lhe que fizemos um quilómetro. Ele ficou todo contente! Um quilómetro? É isso que ele está a dizer: foi um quilómetro mas, para a próxima vai ser mais um! Foi assim que o Santiago fez a sua primeira Grande Caminhada. Um, diz ele, com o dedo no ar!

Para a próxima, vai ser maior, Santiago

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Outono de 2015

 | Ventor 23.09.15

Outono é a estação dos dourados, dos vermelhos, dos castanhos a mesclarem os verdes que teimam em animar a esperança do Ventor nas suas caminhadas. E hoje, dia 23 de Setembro de 2015, temos o privilégio de começar a viver mais um Outono.

Um castanheiro em Sintra

 Os ouriços aguardam melhores momentos

Hoje estive em Sintra a apreciar o início da transacção dos castanheiros. Eles começam a ser emoldurados no amarelamento do verde, das folhas e dos ouriços.

Ouriços que começam a arreganhar uma espécie de dentes castanhos, rindo à gargalhada e desafiando-nos também a emitá-los. E, enquanto os ouriços riam, o castanheiro murmurou-me: "olha, Ventor, o castanho, a cor que este ano também veste o teu Porto, mostrando que nem tudo é verde, vermelho, amarelo, azul, ... mas também tens o castanho. O castanho com que o teu Porto brinda a Europa dos castanheiros, o fruto que, por muitos séculos, ajudou a matar a fome, não só em Portugal, mas também por essa Europa fora, antes da chegada do milho, da batata, do feijão e outras coisas desbravadas nas caminhadas marítimas dos portugueses de outrora e outros.

A beleza dos frutos castanhos, nas alturas

Olha para trás, Ventor, e quando ouvires falar de globalização, faz marcha atrás, caminhando nos séculos e ficarás a saber porque uma das aves rainhas deixou de o ser. Todos perdemos os nossos reinos, Ventor, até os belos castanheiros.

De novo aqui, só o equipamento castanho do Futebol Clube do Porto".

Este fruto caído, fê-lo para cumprimentar o Ventor

Mas, enquanto aquele belo castanheiro conversava comigo, eu recordava outros castanheiros, a beleza dos seus troncos, das suas folhas e das suas sombras, sobre os prados de feno. Recordava as belas varas de castanheiro feitas com tanto carinho para caminharmos nos montes da serra de Soajo, com alguma segurança e capazes de enfrentar o lobo!

Sorrindo ao sol de Outono

«Com essa vara de castanheiro, Ventor, não vai haver lobo algum que te ataque e, se o fizer, tenho a certeza que te defenderás com ela, como um homem».

Ao ouvir estas palavras da boca do ti Joaquim Brasileiro, eu sentia-me orgulhoso das varas que eu e o seu neto, o meu amigo Joaquim, tínhamos feito. Sonhava, assim, hoje, em Sintra, com os belos castanheiros de Adrão. Não eram muitos mas eram lindos. Pensava, observando aquela beleza, como o castanheiro e o carvalho são árvores que deixarão satisfeito o olhar de qualquer Druida.

Este vieram para brincar ao faz de conta com o Ventor

Por isso, aqueles que possam, façam as suas caminhadas junto dos castanheiros e observem as suas belezas em mais este Outono.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Tudo o Vento Levou

  | Ventor 14.02.15

 Se não for o vento é o tempo e se não for o tempo é o vento. Tudo se vai!

Também podem ser as rémiges!

Há dias, estive a observar o meu amigo Pingas, o cisne que foi por anos, meu companheiro de algumas caminhadas. Ele caminhava sobre as suas amarguras e auscultava a melodia das águas, no ciclo do seu tempo. Como sempre, ele observava-me e dava ao rabinho para demonstrar a sua alegria com a minha presença.

 Uma das últimas fotos que tirei ao meu amigo Pingas

"Hoje não trouxe a máquina, Pingas, mas um dia destes venho cá para te tirar algumas fotos".

«Não vais não, Ventor, estou a preparar-me para abandonar esta prisão sem grades. As grades são as minhas rémiges mas, se eu conseguir distrair esses gajos e as minhas rémiges me colocarem no ar, com a ajuda do vento, eu farei o resto.

Quando eu desalojava os meus filhotes do lago, no outro sítio, fazia-o porque nós, os cisnes, colocamos os filhos fora de casa mas, eu, Ventor, fazia-o com mais afinco. Queria-os fora desta prisão que os homens me destinaram. Queria os meus filhos longe dela!

Agora, Ventor, depois de perder a minha companheira, não mais deixei de ser um cisne moribundo a deslizar sobre as águas do rio.

Não digas a ninguém, Ventor, mas eu sinto que as minhas rémiges vão salvar-me os últimos anos da minha vida se tiver alguma sorte».

Isto foi em meados de Janeiro. Voltei uns dias depois e vi, por entre os choupos, aquele grande penudo a deslizar nas águas frias deste inverno. Há uma semana, voltei a procurar o meu amigo e fui logo atingido pela amargura da incerteza. Dirigi-me aos guardas do jardim e disseram-me que o Pingas, o velho amigo do Ventor, tinha fugido. Desapareceu, simplesmente.

 Outra das últimas fotos do meu amigo Pingas, cerca de 4 meses antes de desaparecer

Perguntei a algumas pessoas e disseram-me que ele voava imenso, rio abaixo e rio acima, exercitando-se, tal como os patos reais e, de um dia para o outro deixaram de o ver.

Oxalá que o meu amigo Pingas tenha tido muita sorte, que encontre o seu lago de sonhos, onde os cisnes e outros seus companheiros de caminhada, vivam em paz, sem serem molestados pela podridão humana. Onde as flores enfeitem as suas margens e todos juntos se espreguicem nos ares límpidos matinais, recebendo juntos e em paz, a chegada do nosso amigo Apolo.

Todos temos sonhos. Porque não haverá um cisne de sonhar? Porque não posso eu sonhar que o meu amigo Pingas ainda venha a encontrar, no fim da sua vida, um pouco de felicidade?

Espero que tenha sido assim, Pingas, que estendas as tuas rémiges e que os ventos te levem pelos teus espaços de liberdade. Tu foste das coisas mais lindas que eu encontrei na Amadora.

Nunca irei esquecer o teu pedido de ajuda para passares para o outro lado da sebe, onde se encontrava a tua companheira e os teus quatro filhotes e a alegria com que me agradecias a ajuda que te tinha dado.

Até sempre, amiguinho branco. Que o Senhor da Esfera te dê alguma felicidade porque todos os animais também merecem ser felizes.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

As Oliveiras

  | Ventor 15.05.14

A oliveira é uma árvore. Mas a oliveira não é uma árvore qualquer. É uma árvore de madeira dura e fornece-nos as azeitonas e o azeite. Já há milhares de anos que os homens do neolítico ou do final do neolítico sabiam extrair o seu óleo - o azeite - que sabiam aplicar na alimentação, na combustão ou como unguento. As velhas candeias de azeite aparecem em escavações arqueológicas de velhos tempos e velhos templos, tal como no palácio de Cnossos, em Creta.

Falar da oliveira, seria falarmos, também, de várias civilizações, antes da era cristã e também durante a era cristã. Talvez uma das primeiras civilizações onde se prosperou com o cultivo da oliveira e o comércio dos seus derivados, azeitonas e azeite, tenha sido a civilização minóica. Mas apesar das oliveiras serem de origem asiática, sul do mar Cáspio, Pérsia, elas terão estado sempre presentes em redor do mar Mediterrâneo, na vida dos Fenícios, dos Hebreus, dos Cartagineses, dos Romanos, dos Gregos, ... chegando até aos nossos dias, desempenhando um papel primordial nas nossas civilizações mais modernas, como a espanhola e a portuguesa.


Uma oliveira com muitos séculos, milénios (?) ...

Mas, como em tudo, para além das azeitonas e dos azeites, como seria se vivêssemos nos tempos em que as árvores falassem?! Como seria se as oliveiras nos contassem as suas histórias? Recordo-me, quando era pequenino, os velhotes da minha terra, onde quase ninguém sabia ler ou escrever e os que sabiam, saberiam muito mal, iniciarem as suas histórias assim: "era uma vez, nos tempos em que os animais falavam", ... "Era uma vez, nos tempos em que as árvores falavam", ...

Não sei como seria mas posso calcular como seria ouvir uma oliveira falar comigo!

Por isso, uns anos atrás, num dia solarengo, caminhava eu nos campos do Ribatejo, tentando encontrar uns mochos que me desafiaram para uma cantoria. Saí de uma estrada e entrei noutra de terra batida, uma espécie de picada africana, ladeada de campos floridos, por onde rodarão uma ou outra viatura, além de tractores. Por fim, vejo ao lado dessa estreita estrada, umas oliveiras mas eu só levava os olhos apontados aos pássaros e às flores, para além de ir observando a paisagem.

Por fim, observando umas sombras, lancei o meu olhar sobre as árvores que lhes davam origem. Verifiquei logo que se tratava de oliveiras isoladas, uma aqui outra ali e todas de troncos retorcidos mas, duas delas, eram realmente autênticos monumentos às oliveiras e aos homens que as podem observar.


Uma oliveira no Ribatejo

Nesse dia, durante essa caminhada, sentei-me à sombra desta oliveira.

Das reentrâncias do seu tronco, uma voz me disse: "estás sentado no mesmo local onde se sentou Dom Fuas Roupinho"! De certeza que não fomos só os dois, disse eu. "Não! Aqui tem-se sentado muita gente. Romanos, árabes visigodos, lusitanos, D. Fuas, tu e até ribatejanos". Pois, mas os ribatejanos estão na terra deles! "Sim, e até eles o conseguiram, porque esta oliveira resistiu aos milénios"!

Há pouco tempo, observei oliveiras extraordinariamente velhas, na Quinta do Lorido, para os lados do Bombarral e, há dias, na Quinta da Bacalhoa, em Azeitão. Estas quintas são propriedades do Joe Berardo. As oliveiras são, sem dúvida, autênticos monumentos das civilizações ditas mediterrânicas.

Há muitos anos, logo na sequência do 25 de Abril, estava sentado no escritório onde trabalhava e recebia um colega novo, que tinha saído da Força Aérea e tinha andado num helicóptero a fazer estudos para a implantação da então futura Barragem do Alqueva, no Alentejo. Perguntei-lhe qual a opinião dele sobre a hipotética barragem e ele depois de várias dissertações, disse-me: "olha Ventor, quanto a mim, a barragem já devia estar feita, já cheira mal tanta hesitação. Ou temos dinheiro e fazemo-la, ou não temos dinheiro e ficamos quietos. A mim, só me faz impressão alagar oliveiras com muitas centenas, até milhares de anos".


 Uma oliveira plantada pelos romanos em 300 A.C.


A placa escrita por alguém para quem esta oliveira falou

Depois apareceram empresas a quererem comprar as oliveiras para as voltar a transplantar nos seus locais para isso determinados. Só empresas e empresários com disponibilidade de capital podia meter mãos a essa obra. Foi o caso do Joe Berardo. E sabem que eu até comecei a simpatizar com o homem?!

Mas o Joe Berardo e seus assistentes, tentam, com as oliveiras do Alqueva e não só, tornar este mundo mais belo para cada um de nós. E foi por isso que, quando entrei, ali encontrei velhos amigos como Diana e Apolo que me contaram as histórias das oliveiras que eles viram crescer, por esse mundo fora bem como as histórias que eles foram ouvindo, vindas dos troncos retorcidos, sobre todos aqueles que pisaram a Península Ibérica e por entre elas caminharam, juntamente com os meus amigos Apolo e Diana.


 O cão guardador das oliveiras

Mas o Joe Berardo não se esqueceu de arranjar um cão, azul como o Ventor gosta, para guardar as suas oliveiras. Este cão é grande como o cão que tinha o meu amigo Nemrod, na Caldeia.

A minha amiga Diana tenta tirá-lo dali para levar nas suas caçadas mas ele não está disposto a deixar as oliveiras abandonadas. Tal como fazia o cão de Nemrod, também este não vai com Diana. Nesses tempos quando eu e Diana caminhávamos pelas margens do rio Eufrates, o cão do meu amigo Nemrod só ia com o dono e comigo.

Talvez um dia o Finitro me dê forças para acompanhar Diana em mais umas caçadas e, então, o cão azul poderá ser nosso companheiro de outras fabulosas caminhadas.

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Observando

 Sim, observando! É o que eu estou a fazer! ____________________________________________________________________________________________ O n...