sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Subir aos Lagos de Covadonga

  Ventor 19.02.10

Uma vitela, junto ao lago Enol

Depois de caminharmos pelos arredores de Covadonga, já conhecida também por Santa Cueva, onde jaz o meu amigo Pelágio, começamos a subir rumo à região dos lagos Ercina e Enol.

Foi uma subida sempre rodeada de paisagens dos Picos, numa belíssima estrada de montanha em que as gralhas começaram por ser a nossa companhia.

Um dos vinte e tal Picos da Europa. Este nas Astúrias

Para mim, sem desperdiçar das minhas vistas o encanto das paisagens montanhosas que estão debruçadas sobre Covadonga e dos seus lagos a cerca de 1200 metros de altitude, ainda mais entusiasmado fiquei quando encontrei em redor dos lagos, as vacas pastando, algumas delas em companhia dos seus filhotes que tão bem embelezavam aquelas belas montanhas

Elas caminham e observam o Ventor, junto ao lago Ercina

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Uma gralha dançando a balsa com o Ventor, junto ao lago Enol

Mas junto do lago Enol, tive também a presença das gralhas, companheiras de velhos tempos que não perderam tempo a exibir-se para mim, esvoaçando à minha volta, dançando no ar, autênticas balsas como as de Viena, tal como o Danúbio Azul e que ali, por encanto, bem poderia chamar a balsa do Enol Azul!

Esta gralha, cançada de dançar a balsa com o Ventor, no chão, decide levá-lo até às nuvens

Mas tudo o que é bom termina depressa e com o mesmo entusiasmo com que subimos o CO-4, rumo aos lagos, o mesmo entusiasmo nos trouxe de volta a Covadonga, a Cangas de Onis e nos colocou nos trilhos que nos levariam até Léon onde chegamos cerca da meia-noite.

No entanto, não deixamos Cangas de Onis, sem que uma velha amiga nos saísse ao caminho e se despedisse de nós, desejando-nos uma boa viagem e que, no futuro, nunca esquecessemos aquelas belas serras de fadas, onde os duendes se banqueteiam com todas as maravilhas da Natureza - Maravilhas feitas pelas mãos dos homens e pelas Mãos de Deus. 

 À saída de Cangas de Onis, esta águia veio para se despedir dos apreciadores do seu reino - o mesmo reino do meu amigo Pelágio

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A Caminhada do Tomás

 | Ventor 25.09.09

Feliz Aniversário, Tomás

Vamos continuar juntos a nossa Grande Caminhada. Com beijinhos dos tios e padrinhos e da Avó Júlia.

Como diria o Quico, que o Senhor da Esfera te proteja sempre.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O Cuco

  | Ventor 11.06.09

Hoje ouvi cantar o cuco! (Este hoje foi em 11.06.2009. Já passaram uns aninhos, vão ser 17).

Há muitos anos que caminho por S. Pedro de Sintra e seus arredores e, nesta época do ano, Primavera-Verão, todo esse tempo procuro ouvir este meu amigo de sempre.

Hoje, tive a sorte que há muito esperava.

Esta noite sonhei que andava a passear por campos lindos, a tentar fotografar bichos e vejam que, para além de flores e para azar meu, só vi um louva-a-deus. Não havia qualquer outro bicho, de qualquer forma ou cor. Acordei muito desapontado!

Caminhava entre as silvas floridas

Mas, quando ontem à noite me deitei, disse à dona do Quico: "se estiveres bem, um dia destes, gostava de ir ao café da Natália, comer dois travesseiros, beber o café e dar a minha voltinha dos tristes".

Hoje, de manhã, levantou-se e disse-me: "arranja-te, quero ir beber um café"! Preparamo-nos e, já a caminho, perguntei-lhe onde queria ir e, se estava bem, que escolhesse. Ela sabia que eu gostaria de ir a Sintra e disse-me para ir à Natália. Lá fomos nós, eu ela e a mãe, ficando o Quico a guardar a casa.

Deixo aqui as ginjas, simbolizando outras fruteiras que me serviram de alvo

Chegados ao Café da Natália, bebi o café e comi dois travesseiros e, como quem não quer a coisa, meti sapatos a caminho, ficando elas à minha espera, na esplanada, à sombra.

Por fim, sempre cuscando, o cântico deste meu amigo, ouvi um som esquisito por ser anormal mas, como ia a passar uma camioneta, nem liguei.

De repente, e sem qualquer dúvida, lá estava o som que eu tanto esperava: "cucu-puti, cucu-puti, cucu-puti"! Exactamente, três vezes!

Ele passou a voar na minha vertical e, pareceu-me que já tinha cantado antes mas, com tanto barulho da camioneta, fiquei na dúvida. Porém, logo de seguida, todas as dúvidas se desfizeram. O meu amigo voltou a encontrar-me!

Enquanto ia fotografando o que me interessava, apareceu no ar uma maravilha destas com o seu lindo cântico (este tirei da Wikipédia)

Passaram tantos anos e nunca mais ouvi cantar o cuco em Adrão, talvez umas três vezes no máximo. Em Moçambique, não sei se o ouvi cantar se sonhei. Ainda hoje, 40 anos depois, vivo nessa dúvida!

Durante anos, nas minhas caminhadas pelo Alentejo, ouvia sempre o cuco cantar junto à foz do rio Mira. Na margem sul, na margem norte ou sobre o rio, mas sempre a voar. Depois deixei de ir para Vila Nova de Milfontes e voltei a deixar de ouvir o cuco.

Às vezes, quando passo por Vila Nova de Milfontes, lembro-me do cuco, mas é fora da época e só penso nele em relação ao passado. Há 3-4 anos, lá para os lados do Malhão, perguntei a um amigo se já tinha ouvido o cuco cantar naquele ano. A resposta era que não, que ele ainda não tinha dado um ar da sua graça. Ele a acabar de falar e o cuco na nossa vertical com o seu cucu-puti .. cucu-puti ... Ora vê! Ele descobriu que você chegou.

Passou-se este tempo todo e eu nunca mais ouvi cantar o cuco! Mas todos os anos ia renovando a esperança de ouvi-lo e, exactamente, onde o ouvi hoje. Não percebia porque não ouvia o cuco em redor da serra de Sintra!

Vocês dirão: "e que tem isso de especial"?

Nada! Mas apetecia-me ouvir cantar o cuco!

Todos sabemos que se trata de uma ave parasita, mas de parasitas está o nosso mundo cheio e esses parasitas a que me refiro, cantam bem mas não me alegram, enquanto que o cuco canta muito melhor e alegra-me bem!

Uma ferreirinha, uma das aves parasitadas pelos cucos (tirei-a da Wikipédia)

Por isso, hoje, registarei na minha agenda que ouvi cantar o cuco, às 11:06 horas. Ainda fiquei por ali a ver se o ouvia repetir o cântico, mas não. Ele sabe que eu lhe podia chamar parasita e seguiu outro rumo ou, então, seguiu o meu, mas não cantou!

O pisco de peito ruivo, mais uma das aves parasitadas pelos cucos, tenho lindas, (mas tirei esta da Wikipédia)

Entretive-me com outros bichos! Com as ovelhas, as borboletas, as flores das silvas, outas flores, dois gatos apavorados e escondidos no meio dos fetos e das silvas. Percebi logo porquê! Uma águia bem grande andava a caçar e eu só a vi porque ela gritava para todo o seu mundo que andava por ali o Ventor.

A águia, bem grande, que apanhei já muito longe contra a sombra dos eucaliptos

Uma gatinha aterrorizada ao ouvir o pio da águia. Ela estava de olhos no céu antes de eu tirar a foto

Esta gatinha preta estava também aterrorizada, espalmada entre os fetos com o olhar no rasto da águia. Ao ver-me, achou que eu seria o seu salvador e o pinheiro grande, à sua esquerda, não me deixou tirar a foto à águia

Quando perguntava às pessoas de idade mais avançada se ouviam por ali cantar o cuco, a resposta era invariàvelmente a mesma. "Dantes cantava, agora não se ouve"!

Mas hoje eu matei saudades, ao ouvir o cântico do cuco.

Uma felosa que acabou por desproteger os seus filhotes e cuidar deste brutamontes

Recordo-me de, quando pequenino, meu pai me dizer que os cucos (cucas concerteza) punha os ovos nos ninhos de outras aves mais pequenas. Por exemplo, nos ninhos dos chascos! A mim, tudo isso me fazia uma grande confusão, mas se o meu pai o dizia, seria mesmo verdade!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O Travesseiro ---

  | Ventor 17.04.09

...ou travesseiros, pela beleza de Sintra!

Um pombo bravo que quis dois dedos de conversa

Um coelho bravo mais um amigo do Ventor

Mais amigos do Ventor que quiseram dar-me as boas vindas

Mais uma vez vou ter de falar-vos dos travesseiros. E porque não das queijadas, dirão vocês! Não falo de queijadas porque são os travesseiros o meu programa para as festas. Comer dois travesseiros, beber um café e dar uma caminhada por Sintra ou seus arredores é um dos meus momentos favoritos, sempre que posso.

Ontem foi um desses dias.

A beleza das deladeiras, tem feito parte das minhas caminhadas

Eram recantos destes que, noutros tempos  as cobras ameaçavam o Ventor, Dedaleiras, fetos, ervas e o terrível vibrar sibilino de cobras gordinhas e parece que conheciam como eu me queria ver longe delas!

Mas as dedaleiras são mesmo um encanto!

Fomos a S. Pedro de Sintra, ao Café da "minha prima" Natália e como não podia deixar de ser, bebi o café e comi os dois travesseiros da praxe! Deixei a Dona do Quico e a avó do Tomás, ali, cavaqueando abrigadas do frio e parti para a voltinha que sempre gosto e depois desta terminada, lá fomos para observar se haviam por ali alguns dos animais que me vão animando nestas belas caminhadas sintrenses. Mas nada!

Em Adrão chamamos-lhe "estroques"

Os galegos chamam-lhe "stroks"


Soprando na flor e apertando o ar lá dentro, dá um "estrondo" tipo bomba de carnaval

Mas encontrei outros belos "rapazolas" para me acompanharem na apreciação das belezas daquele local. Ao encostar o carro num trilho de terra, reparei que um coelho, todo empinado e sustentado nas patas trazeiras nos ia observando como se nós fossemos uns marcianos acabadinhos de chegar. Tirei a máquina, preparei o "shot" mas, pareceu-me ouvir ele dizer: "na, na! Querias? Paparasis não"! E, em dois pulitos, entrou no silvado.

Não é por acaso que, de vez em quando, encontro por aqui aves de rapina. E melhor que eu, elas vêm bem os coelhos

Saí do carro, utilizando o meu passo de leopardo e fui-me chegando, sorrateiramente, tal como um caçador faria, mas não o vi. Olhei para a minha direita e vi um coelho, em grande velocidade, seguir a linha do horizonte e também não deu para dar gosto ao dedo. Ainda pensei que fosse o mesmo coelho mas parecia-me impossível. Encontrei dedaleiras e esqueci-me logo aqueles "anti-paparasis". Segui o trajecto das dedaleiras e fui disparando mas, quando dei por mim, andavam os coelhos todos entusiasmados num frenético vai e vem, por entre as dedaleiras, a observar-me e controlar-me!


Observar, calmamente, as flores da macieira liberta-nos do aprisionamento do stress

Podem acreditar que aqueles malandros estão bem organizados!

Então, tirei o som da máquina e, como quem não quer a coisa, dediquei-me às dedaleiras e, assim, entretinha-me com a beleza das dedaleiras e com a organização dos coelhos e entretinha-me, também, a disparas para ver se, apesar de ser longe, obtinha alguma foto de jeito. Mas, assim, quem fica sem jeito sou eu! Os coelhos iam caminhando por entre as dedaleiras e eu ia observando aquela rapaziada e disparando sempre.

Depois fui ver uma velha macieira que se enfeitou com as suas belas flores para me receber e, visto de mais longe, lá estava o primeiro coelho controlador que quase me fazia lembrar uma marmota observando tudo à sua volta. Depois voltei a ver mais coelhos entre as dedaleiras, uns observando-me e outros a fazerem a sua vida normal como quem não quer a coisa.

Imaginam como serão os campos de produçãp de lavanda em França? Uma beleza!

Por todos os motivos e mais alguns, Sintra continua a ser o meu campo de ligação ao passado. É por lá que vou observando os grandes arvoredos, os animais que, nos velhos tempos, animaram a minha alvorada. Por ali está tudo presente!

Vacas, cavalos, ovelhas, cabras, burros ... coelhos, perdizes, pombos bravos, pica-paus, ... os carvalhos, os sobreiros, as silvas com as suas amoras, o tojo, os fetos, as dedaleiras ... enfim!


Uma beleza branca, que me dá os bons dias, as boas tardes e as boas noites ...

... pois são bolbos lindos, branquinhos aqui ao pé da porta

Para além de tudo isso, Sintra, tem muitas belezas sem fim e tem, também, as queijadas e os travesseiros.

Nada mau para fugir à rotina citadina, ao betão, ao bulício ...

Assim, tento também dar algum ânimo à dona do meu Quico e a mim.

Também ao pé da porta, a flor da salsa

sexta-feira, 2 de março de 2007

A OPA morreu

  | Ventor 02.03.07

Viva a Portugal Telecom!

Obrigado e parabéns, Granadeiro!

Hoje é para mim um dia grande!

Um dia, uns indivíduos doentes por sofrerem de gula, gulosos como são, lançaram uma OPA sobre uma das mais belas empresas portuguesas. Não digo a mais bela porque não quero ferir os gostos de outros mas podem crer que é, seguramente, em termos de empresas, a mais bela das nossas "meninas" cotadas e das "meninas" com um dos rostos mais lindos que este país, à beira-mar plantado, tem para mostrar ao exterior.

Eu não gostava de a ver morrer mastigada por gulosos. Não! Não tenho nada contra a beleza das Sonaes, mas neste caso, acredito, plenamente, que as suas intenções era esfarrapar a Portugal Telecom, triturá-la, ficar com o melhor bocado e lançar fora, por boas "quinhentas", os desperdícios.

Felizmente que, a maioria dos accionistas da Portugal Telecom perceberam isso. Não se tratava apenas de transferência de patrões, mas muito mais do que isso. E eles sabem que a PT tem capacidade para realizar um projecto contínuo de crescimento dentro e fora de portas que crie valor para os detentores do seu capital.

Mas o que mais me fez estar de coração aberto contra a Sonae, pela primeira vez, desde que a conheço, e muito mais do que defender, com esse mesmo coração, a derrota da Sonae, é porque não acredito no «projecto Sonae» para a PT. A Sonae nunca explicou muito bem o que pretendia fazer com a PT. A gente da Sonae queria, isso sim, a TMN! Estão de barriga cheia e já não querem o bolo, apenas pretendiam ficar com a cereja e, para isso, era necessário desfazer o bolo.

Eles sempre disseram que se desfaziam da Vivo no Brasil porque era um investimento de "tansos", esquecendo-se que todos os "tansos" deste mundo, incluindo também, os "tansos" da Sonae, morrem por investir no Brasil. Só que a Sonae retirou porque a Sonae procurou o lucro fácil e imediato e isso, como devem compreender, se não é "proibido" em países como este à beira-mar plantado, é "proibido" em países em desenvolvimeto, como acontece com o Brasil. As empresas têm de ter capacidade para investir e saber esperar e é dever moral de todos fazermos algo por todos!

Por isso estou satisfeito, acreditando que não estou errado, porque é certamente como eu digo e se não é, será apenas porque a Sonae não foi capaz de fazer passar a mensagem. Para mim a mensagem era esta: «nós queremos a TMN e para isso temos de comprar a PT toda e, depois de apanharmos a TMN veremos se algo mais nos interessa, porque haverá "tansos" prontos para comprar tudo que nós não queiramos».

Depois de tudo que vi e ouvi, ficou em mim uma apreciação negativa das gentes das Sonaes. Felizmente a maioria dos accionistas da PT também compreendeu o que as mensagens das Sonaes transmitiram.

Obrigado a todos que compreenderam. Obrigado ao Governo por não usar o seu direito de veto.

Obrigado Granadeiro.

Obrigado Portugal Telecom por saberes resistir.

Vamos a um copo?

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Montanhas lindas - Gerês

  | Ventor 14.08.06

Desvio para falar sobre incêndios!
Falar sobre incêndios é muito complicado, mas existe uma linguagem simples que é a do povo e podem crer que o povo sabe tudo! No mês de Julho andei pelas minhas Montanhas Lindas, tanto pela serra do Gerês como pela serra de Soajo, como pela serra da Peneda. Foi numa altura em que a Santa Bárbara estava muito zangada e haviam trovoadas todos os dias.
A minha primeira caminhada foi, no asfalto, em redor das minhas Montanhas Lindas, aquelas onde nasci, cresci e corri ao lado de tudo que por lá existe, desde as “mais reles” cobras de água, até às víboras, as salamandras, os tritões, as aranhas cuja visão já era um desconforto, a sapos quase de quilo! Lobos, raposas, coelhos, perdizes, aves de rapina, texugos, doninhas, ratos, etç., eram, naqueles tempos, permanentes companheiros de caminhada deste vosso amigo.
Agora, sempre que por lá apareço, cada bichinho desses que encontro, é saudado com uma festa. Toda a minha ascendência já se foi e a deles também, mas há sempre algo que nos liga e nem que mais não seja, basta o facto de termos ali o nosso berço. Eles fazem a minha caminhada feliz, mas os homens tornam-na muito infeliz e posso dizer-vos porquê!
Eu sei que há muitas causas originadoras de incêndios e pela primeira vez vi uma que sabia que existia pelo que ouvia contar mas nunca tinha visto ao natural. O incêndio provocado por um relâmpago! Estávamos a chegar ao posto de controlo de entrada na Mata de Albergaria, no Gerês, uma mata de carvalhos fenomenais, perguntamos aos putos que lá se encontravam a distribuir a senha de entrada se já tinham visto o incêndio, lá em cima, nos penhascos da montanha à nossa esquerda. Disseram que já tinham avisado os bombeiros. Não foi preciso usar o telemóvel! A beleza de um dos carvalhos da Mata de Albergaria no Gerês
Esse incêndio tinha acabado de ser provocado por um raio. O raio passou da nossa direita para a nossa esquerda, como um míssil e foi incrustar-se na montanha, incendiando logo uma boa porção de terreno. Os bombeiros foram aparecendo, pois nós encontrámo-los no regresso, quando regressamos da Portela do Homem, mas não foi preciso que fizessem fosse o que fosse, pois Santa Bárbara e as musas de Neptuno, em homenagem ao Ventor, fizeram cair água a cântaros e apagou, num ápice, aquela fúria emanada da boca de Vulcano. Depois de apreciarmos toda aquela beleza, dirigimo-nos para a Pedra Bela, local de onde apreciei, ao longe, o pico da Derrilheira das minhas Montanhas Lindas.
Tudo isto apenas para vos dizer que por todos os locais que andamos, as bermas das estradas estavam cheias de mato, e haviam zonas que foram invadidas por ervas, silvas, tojos, fetos, giestas, etç., ficando assim reduzida a largura da estrada uma vez que o alcatrão estava tapado por esses restolhos secos ou meio verdes e que seriam potenciais focos de incêndio a partir dali, pois o verão iria ajudar.
Da minha caminhada vindos da Peneda para Arcos de Valdevez, mas mais ainda na descida do Mezio para os Arcos, não havia uma única berma limpa. Parece incrível como se pretende manter a beleza verde do Parque Natural da Peneda Gerês naquelas condições, pois como era bem visível, nada estava a ser feito para isso. Segundo me parece, esta malta apenas aprendeu a fazer uma coisa. Banquetear-se com os fundos públicos. Se calhar, apenas uma suposição, fundamentada pelo que vejo, se formos verificar o Orçamento de determinadas instituições, servirá apenas para pagar ordenados e o restante para prémios, porque trabalhos executados nem em brincd. Mas se formos ver os papéis, fartam-se de trabalhar! Eu acho que, no que diz respeito ao Parque Nacional da Peneda-Gerês a malta que deveria velar pelo Parque, nem as suas belezas saberão apreciar, porque se soubessem, certamente teriam feito algo a tempo de evitar grandes catástrofes. Na decida do Mezio para os Arcos, devido ao tamanho dos matos, tudo corria perigo naquela estrada. Peões, animais …INCÊNDIOS!!!!


Eles roubam os vossos espaços, amigos, roubam-nos a todos
Depois, para ajuda, há milhares de pulhas a circular nas nossas estradas, que vão lampreiros a deitar fora as curiscas conforme sai da última chupadela, em brasa e, quando esta apanha um tofo de mato, eis como as coisas podem acontecer – FOGO! É pena é que esses gajos não sejam apanhados nas próprias labaredas que por desleixo, ou incúria, ateiam! Ainda hoje, ao passar junto às bombas do China, na Amadora, vi um desses tarados a deitar a curisca fora quando estava parado, à espera de vez, junto às bombas de gasolina. Era o segundo! Felizmente não fumo, mas se fumasse, tenho a certeza que ninguém me veria deitar a curisca fora da viatura. Cambada de paranóicos!
Mas também acho que paranóicos são todos esses que falam para nos entreter. Estamos num país de irresponsáveis. Ouvir o Ministro da Administração Interna falar de incêndios, torna-se risível, Não por ele pessoalmente como é evidente, mas pela generalidade do tema. Acredito que o Ministro tenha as melhores das intenções nas suas conversas sobre incêndios, como terão sido as conversas de todos os outros que por lá passaram. Mas depois de ouvi-lo e continuar à espera de notícias, quando ouço os bombeiros e responsáveis pelas autarquias locais, etç., etç., a me virem dizer o seguinte: «Não Ventor, as matas do Estado são as piores de todas. São as mais sujas, as mais porcas, aquelas a que ninguém liga, autênticas bombas»! Ouvindo isto na mesma televisão em que o Ministro acabou de falar, (qual bombeiro), que poderei eu pensar? «Afinal o que é o Estado? O interesse de meia dúzia de gajos»? Porque fala o Ministro apenas dos agricultores, dos proprietários de pequenas courelas com meia dúzia de árvores? Porque não é capaz de dizer: «nós próprios somos uns imbecis que não limpamos as nossas matas, e através delas, os incêndios propagam-se ás courelas dos agricultores»! Claro que eu sei que não compete ao Ministro da Administração Interna ir limpar as matas do estado, mas compete-lhe fazer tudo para que isso aconteça. Ou será que os ministros dos Governos de Ralé que temos tido, não são capazes de pôr os amigos a trabalhar!?
Os directores das instituições do Estado Português e a Panóplia de seus servidores não podem fazer nada? Porquê?
Os garranos estão a descansar, procurando a fresca e, ao mesmo tempo, vão comendo pedacinhos de saibro de onde tiram o silício que tanta falta faz aos ossos e articulações. 
Em nome dos garranos do Gerês apenas posso chamar a esses gajos todos – HIPÓCRITAS!!!!!

sábado, 5 de agosto de 2006

Montanhas lindas - Senhora da Peneda

 | Ventor 05.08.06

A Senhora da Peneda
«Quando era pequeno, contavam-me uma história para miúdos que ia passando de boca em boca. Eis o resumo: A Senhora da Peneda tinha mais irmãs e todas elas (seriam seis ou sete), depois de tanto caminhar à procura de lugar aprazível, resolveram enviar a sua "Benguela" pelo ar e onde a "Benguela" caísse, seria onde cada uma delas ficaria. A Senhora da Peneda foi encontrar a sua "Benguela" junto aos rochedos da Meadinha onde acabou por ficar. As irmãs tiveram pena dela por ficar num local tão agreste e pediram-lhe para voltar a enviar a "Benguela", mas ela não quis. Disse que o local era lindo e ficaria ali muito bem. Já não me recordo os locais das outras irmãs, todos melhores locais que o dela, visto por outro prisma, mas sei que, de todos eles, este é maravilhoso». (À bengala, chamavam benguela)
Os rochedos da Meadinha
Antes de passarmos por Castro Laboreiro, passamos ao “derredor” (era assim que dizíamos quando éramos pequenos) das minhas Montanhas Lindas. Aliás, mais para diante, irei escrever por aqui, vários textos com o título «Ao redor das minhas Montanhas lindas».
Montes junto à Branda das Aveleiras
Vi os contrafortes da Pedrada passando pelo S. Bento do Cando, brandas das Aveleiras e de Santo António, e muitos outros lugarejos, tendo sempre à minha esquerda a estrutura montanhosa da serra de Soajo. O Alto da Derrilheira, a Serrinha, o Fojo do Lobo, a Brusca, a Naia e a montanha por detrás da qual ficava escondido o outro braço do Fojo do Lobo. Mas vi a Pedrada, lá longe, pelos lados do Curral do Pai! Para os menos atentos, foi nos montes das Brandas das Aveleiras e de Santo António que o Pedro Alarcão e a esposa Anabela Moedas montaram arraiais para estudo da “Vida Secreta dos Lobos”, comentário que vi no Canal I e que me leva a deixar aqui uma homenagem bem merecida a esses dois e todos que os apoiaram.
 Mosteiro da Senhora da peneda 
Mas o essencial disto tudo é que a Senhora da Peneda é uma obra que dá vida às minhas Montanhas Lindas.
Deixo aqui, algumas fotos da Senhora da Peneda que tirei em Julho passado, com a minha máquina velhinha. Para azar meu, utilizei a pior máquina que tinha disponível na altura, pois as outras duas já tinham os cartões cheios. Mas melhores tempos virão para mostrar a Senhora da Peneda como ela o merece.
Uma visão visto das escadas de acesso ao Mosteiro
Topo das escadarias por onde vinham os romeiros que vinham do lado de Arcos de valdevez, Soajo, Adrão e outros locais
Da próxima vez, espero mostrar-vos a escadaria da Senhora da Peneda pois não tirei mais fotos, por dois motivos: porque, devido a problemas na minha coluna, não tinha estofo para descer e voltar a subir aquelas escadarias todas e porque não me convinha arriscar também devido a uma forte trovoada que lançou cântaros de água sobre a Senhora da Peneda, deixando pairar a ameaça de chatear o Ventor em forma de pinto. Coisas de Santa Bárbara que não me deixou descarregar o cartão, em Amares, e me ameaçou na Senhora da Peneda se descesse a escadaria. Inimizades que se criam sem sabermos porquê! E eu que até sou amigo de todos!
A Senhora da Peneda e o Hotel
Mais nada posso fazer que deixar a promessa de tentar, para a próxima, tirar fotos mais condignas com a beleza da Senhora da Peneda, local por onde passa um dos caminhos de Santiago.
Vale do rio da Peneda 
Vê-se antes o Baloiral e a seguir a Peneda onde Nossa Senhora encostou junto às rochas da Meadinha. A cascata trazia pouca água, apenas desciam uns escorrichos de verão pela montanha abaixo.
Lá ao fundo, a Senhora da Peneda vista das montanhas do lado de Adrão, um local que se chama a Portela de Baixo. Pela montanha que separa Adrão da Peneda passavam dois caminhos por onde os romeiros podiam ir. Pela Portela de Cima, onde ficava um pequeno cruzeiro de pedra de granito. Ali eram deitados os foguetes que assinalavam os romeiros à vista da Senhora da Peneda. Por ali o caminho era sempre a subir, do lado de Adrão, e depois, em direcção a Tibo, sempre a descer. Pela Portela de Baixo dava-se uma volta maior e era o caminho adequado para aqueles que não gostavam de fazer grandes subidas e descidas. Era exactamente o caminho para os que traduziam bem o provérbio de “quem vai por atalhos, mete-se em trabalhos”.
O Chocalho de um boi da Peneda, em tempos 
Esta última foto é da tasca, ao lado daquilo que eles chamam Hotel, onde bebi uma cerveja fresca. Esse chocalho era o chocalho que um determinado boi da Peneda usava para se ouvir bem longe porque as vacas eram todas dele e nunca se sabia por onde ele andava. A foto nem dá ideia do tamanho do chocalho!
Teófilo Carneiro
Mas mais do que eu possa dizer, diz-vos este poeta, Teófilo Carneiro, cuja foto tirei em Ponte de Lima. Creio que se pode ler, mas de qualquer modo eu escrevo o que está escrito nela. Ele refere-se, julgo eu, ao vale do Lima ou a todo o Minho, mas eu refiro-a aqui, especialmente, às minhas Montanhas Lindas.
Pintores de Portugal, ajoelhai!
Isto é um milagre, não é cor nem tinta!
Mas não pinteis, pintores! Orai, Rezai!
Uma beleza destas não se pinta!

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Observando

 Sim, observando! É o que eu estou a fazer! ____________________________________________________________________________________________ O n...