sexta-feira, 2 de março de 2007

A OPA morreu

  | Ventor 02.03.07

Viva a Portugal Telecom!

Obrigado e parabéns, Granadeiro!

Hoje é para mim um dia grande!

Um dia, uns indivíduos doentes por sofrerem de gula, gulosos como são, lançaram uma OPA sobre uma das mais belas empresas portuguesas. Não digo a mais bela porque não quero ferir os gostos de outros mas podem crer que é, seguramente, em termos de empresas, a mais bela das nossas "meninas" cotadas e das "meninas" com um dos rostos mais lindos que este país, à beira-mar plantado, tem para mostrar ao exterior.

Eu não gostava de a ver morrer mastigada por gulosos. Não! Não tenho nada contra a beleza das Sonaes, mas neste caso, acredito, plenamente, que as suas intenções era esfarrapar a Portugal Telecom, triturá-la, ficar com o melhor bocado e lançar fora, por boas "quinhentas", os desperdícios.

Felizmente que, a maioria dos accionistas da Portugal Telecom perceberam isso. Não se tratava apenas de transferência de patrões, mas muito mais do que isso. E eles sabem que a PT tem capacidade para realizar um projecto contínuo de crescimento dentro e fora de portas que crie valor para os detentores do seu capital.

Mas o que mais me fez estar de coração aberto contra a Sonae, pela primeira vez, desde que a conheço, e muito mais do que defender, com esse mesmo coração, a derrota da Sonae, é porque não acredito no «projecto Sonae» para a PT. A Sonae nunca explicou muito bem o que pretendia fazer com a PT. A gente da Sonae queria, isso sim, a TMN! Estão de barriga cheia e já não querem o bolo, apenas pretendiam ficar com a cereja e, para isso, era necessário desfazer o bolo.

Eles sempre disseram que se desfaziam da Vivo no Brasil porque era um investimento de "tansos", esquecendo-se que todos os "tansos" deste mundo, incluindo também, os "tansos" da Sonae, morrem por investir no Brasil. Só que a Sonae retirou porque a Sonae procurou o lucro fácil e imediato e isso, como devem compreender, se não é "proibido" em países como este à beira-mar plantado, é "proibido" em países em desenvolvimeto, como acontece com o Brasil. As empresas têm de ter capacidade para investir e saber esperar e é dever moral de todos fazermos algo por todos!

Por isso estou satisfeito, acreditando que não estou errado, porque é certamente como eu digo e se não é, será apenas porque a Sonae não foi capaz de fazer passar a mensagem. Para mim a mensagem era esta: «nós queremos a TMN e para isso temos de comprar a PT toda e, depois de apanharmos a TMN veremos se algo mais nos interessa, porque haverá "tansos" prontos para comprar tudo que nós não queiramos».

Depois de tudo que vi e ouvi, ficou em mim uma apreciação negativa das gentes das Sonaes. Felizmente a maioria dos accionistas da PT também compreendeu o que as mensagens das Sonaes transmitiram.

Obrigado a todos que compreenderam. Obrigado ao Governo por não usar o seu direito de veto.

Obrigado Granadeiro.

Obrigado Portugal Telecom por saberes resistir.

Vamos a um copo?

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Montanhas lindas - Gerês

  | Ventor 14.08.06

Desvio para falar sobre incêndios!
Falar sobre incêndios é muito complicado, mas existe uma linguagem simples que é a do povo e podem crer que o povo sabe tudo! No mês de Julho andei pelas minhas Montanhas Lindas, tanto pela serra do Gerês como pela serra de Soajo, como pela serra da Peneda. Foi numa altura em que a Santa Bárbara estava muito zangada e haviam trovoadas todos os dias.
A minha primeira caminhada foi, no asfalto, em redor das minhas Montanhas Lindas, aquelas onde nasci, cresci e corri ao lado de tudo que por lá existe, desde as “mais reles” cobras de água, até às víboras, as salamandras, os tritões, as aranhas cuja visão já era um desconforto, a sapos quase de quilo! Lobos, raposas, coelhos, perdizes, aves de rapina, texugos, doninhas, ratos, etç., eram, naqueles tempos, permanentes companheiros de caminhada deste vosso amigo.
Agora, sempre que por lá apareço, cada bichinho desses que encontro, é saudado com uma festa. Toda a minha ascendência já se foi e a deles também, mas há sempre algo que nos liga e nem que mais não seja, basta o facto de termos ali o nosso berço. Eles fazem a minha caminhada feliz, mas os homens tornam-na muito infeliz e posso dizer-vos porquê!
Eu sei que há muitas causas originadoras de incêndios e pela primeira vez vi uma que sabia que existia pelo que ouvia contar mas nunca tinha visto ao natural. O incêndio provocado por um relâmpago! Estávamos a chegar ao posto de controlo de entrada na Mata de Albergaria, no Gerês, uma mata de carvalhos fenomenais, perguntamos aos putos que lá se encontravam a distribuir a senha de entrada se já tinham visto o incêndio, lá em cima, nos penhascos da montanha à nossa esquerda. Disseram que já tinham avisado os bombeiros. Não foi preciso usar o telemóvel! A beleza de um dos carvalhos da Mata de Albergaria no Gerês
Esse incêndio tinha acabado de ser provocado por um raio. O raio passou da nossa direita para a nossa esquerda, como um míssil e foi incrustar-se na montanha, incendiando logo uma boa porção de terreno. Os bombeiros foram aparecendo, pois nós encontrámo-los no regresso, quando regressamos da Portela do Homem, mas não foi preciso que fizessem fosse o que fosse, pois Santa Bárbara e as musas de Neptuno, em homenagem ao Ventor, fizeram cair água a cântaros e apagou, num ápice, aquela fúria emanada da boca de Vulcano. Depois de apreciarmos toda aquela beleza, dirigimo-nos para a Pedra Bela, local de onde apreciei, ao longe, o pico da Derrilheira das minhas Montanhas Lindas.
Tudo isto apenas para vos dizer que por todos os locais que andamos, as bermas das estradas estavam cheias de mato, e haviam zonas que foram invadidas por ervas, silvas, tojos, fetos, giestas, etç., ficando assim reduzida a largura da estrada uma vez que o alcatrão estava tapado por esses restolhos secos ou meio verdes e que seriam potenciais focos de incêndio a partir dali, pois o verão iria ajudar.
Da minha caminhada vindos da Peneda para Arcos de Valdevez, mas mais ainda na descida do Mezio para os Arcos, não havia uma única berma limpa. Parece incrível como se pretende manter a beleza verde do Parque Natural da Peneda Gerês naquelas condições, pois como era bem visível, nada estava a ser feito para isso. Segundo me parece, esta malta apenas aprendeu a fazer uma coisa. Banquetear-se com os fundos públicos. Se calhar, apenas uma suposição, fundamentada pelo que vejo, se formos verificar o Orçamento de determinadas instituições, servirá apenas para pagar ordenados e o restante para prémios, porque trabalhos executados nem em brincd. Mas se formos ver os papéis, fartam-se de trabalhar! Eu acho que, no que diz respeito ao Parque Nacional da Peneda-Gerês a malta que deveria velar pelo Parque, nem as suas belezas saberão apreciar, porque se soubessem, certamente teriam feito algo a tempo de evitar grandes catástrofes. Na decida do Mezio para os Arcos, devido ao tamanho dos matos, tudo corria perigo naquela estrada. Peões, animais …INCÊNDIOS!!!!


Eles roubam os vossos espaços, amigos, roubam-nos a todos
Depois, para ajuda, há milhares de pulhas a circular nas nossas estradas, que vão lampreiros a deitar fora as curiscas conforme sai da última chupadela, em brasa e, quando esta apanha um tofo de mato, eis como as coisas podem acontecer – FOGO! É pena é que esses gajos não sejam apanhados nas próprias labaredas que por desleixo, ou incúria, ateiam! Ainda hoje, ao passar junto às bombas do China, na Amadora, vi um desses tarados a deitar a curisca fora quando estava parado, à espera de vez, junto às bombas de gasolina. Era o segundo! Felizmente não fumo, mas se fumasse, tenho a certeza que ninguém me veria deitar a curisca fora da viatura. Cambada de paranóicos!
Mas também acho que paranóicos são todos esses que falam para nos entreter. Estamos num país de irresponsáveis. Ouvir o Ministro da Administração Interna falar de incêndios, torna-se risível, Não por ele pessoalmente como é evidente, mas pela generalidade do tema. Acredito que o Ministro tenha as melhores das intenções nas suas conversas sobre incêndios, como terão sido as conversas de todos os outros que por lá passaram. Mas depois de ouvi-lo e continuar à espera de notícias, quando ouço os bombeiros e responsáveis pelas autarquias locais, etç., etç., a me virem dizer o seguinte: «Não Ventor, as matas do Estado são as piores de todas. São as mais sujas, as mais porcas, aquelas a que ninguém liga, autênticas bombas»! Ouvindo isto na mesma televisão em que o Ministro acabou de falar, (qual bombeiro), que poderei eu pensar? «Afinal o que é o Estado? O interesse de meia dúzia de gajos»? Porque fala o Ministro apenas dos agricultores, dos proprietários de pequenas courelas com meia dúzia de árvores? Porque não é capaz de dizer: «nós próprios somos uns imbecis que não limpamos as nossas matas, e através delas, os incêndios propagam-se ás courelas dos agricultores»! Claro que eu sei que não compete ao Ministro da Administração Interna ir limpar as matas do estado, mas compete-lhe fazer tudo para que isso aconteça. Ou será que os ministros dos Governos de Ralé que temos tido, não são capazes de pôr os amigos a trabalhar!?
Os directores das instituições do Estado Português e a Panóplia de seus servidores não podem fazer nada? Porquê?
Os garranos estão a descansar, procurando a fresca e, ao mesmo tempo, vão comendo pedacinhos de saibro de onde tiram o silício que tanta falta faz aos ossos e articulações. 
Em nome dos garranos do Gerês apenas posso chamar a esses gajos todos – HIPÓCRITAS!!!!!

sábado, 5 de agosto de 2006

Montanhas lindas - Senhora da Peneda

 | Ventor 05.08.06

A Senhora da Peneda
«Quando era pequeno, contavam-me uma história para miúdos que ia passando de boca em boca. Eis o resumo: A Senhora da Peneda tinha mais irmãs e todas elas (seriam seis ou sete), depois de tanto caminhar à procura de lugar aprazível, resolveram enviar a sua "Benguela" pelo ar e onde a "Benguela" caísse, seria onde cada uma delas ficaria. A Senhora da Peneda foi encontrar a sua "Benguela" junto aos rochedos da Meadinha onde acabou por ficar. As irmãs tiveram pena dela por ficar num local tão agreste e pediram-lhe para voltar a enviar a "Benguela", mas ela não quis. Disse que o local era lindo e ficaria ali muito bem. Já não me recordo os locais das outras irmãs, todos melhores locais que o dela, visto por outro prisma, mas sei que, de todos eles, este é maravilhoso». (À bengala, chamavam benguela)
Os rochedos da Meadinha
Antes de passarmos por Castro Laboreiro, passamos ao “derredor” (era assim que dizíamos quando éramos pequenos) das minhas Montanhas Lindas. Aliás, mais para diante, irei escrever por aqui, vários textos com o título «Ao redor das minhas Montanhas lindas».
Montes junto à Branda das Aveleiras
Vi os contrafortes da Pedrada passando pelo S. Bento do Cando, brandas das Aveleiras e de Santo António, e muitos outros lugarejos, tendo sempre à minha esquerda a estrutura montanhosa da serra de Soajo. O Alto da Derrilheira, a Serrinha, o Fojo do Lobo, a Brusca, a Naia e a montanha por detrás da qual ficava escondido o outro braço do Fojo do Lobo. Mas vi a Pedrada, lá longe, pelos lados do Curral do Pai! Para os menos atentos, foi nos montes das Brandas das Aveleiras e de Santo António que o Pedro Alarcão e a esposa Anabela Moedas montaram arraiais para estudo da “Vida Secreta dos Lobos”, comentário que vi no Canal I e que me leva a deixar aqui uma homenagem bem merecida a esses dois e todos que os apoiaram.
 Mosteiro da Senhora da peneda 
Mas o essencial disto tudo é que a Senhora da Peneda é uma obra que dá vida às minhas Montanhas Lindas.
Deixo aqui, algumas fotos da Senhora da Peneda que tirei em Julho passado, com a minha máquina velhinha. Para azar meu, utilizei a pior máquina que tinha disponível na altura, pois as outras duas já tinham os cartões cheios. Mas melhores tempos virão para mostrar a Senhora da Peneda como ela o merece.
Uma visão visto das escadas de acesso ao Mosteiro
Topo das escadarias por onde vinham os romeiros que vinham do lado de Arcos de valdevez, Soajo, Adrão e outros locais
Da próxima vez, espero mostrar-vos a escadaria da Senhora da Peneda pois não tirei mais fotos, por dois motivos: porque, devido a problemas na minha coluna, não tinha estofo para descer e voltar a subir aquelas escadarias todas e porque não me convinha arriscar também devido a uma forte trovoada que lançou cântaros de água sobre a Senhora da Peneda, deixando pairar a ameaça de chatear o Ventor em forma de pinto. Coisas de Santa Bárbara que não me deixou descarregar o cartão, em Amares, e me ameaçou na Senhora da Peneda se descesse a escadaria. Inimizades que se criam sem sabermos porquê! E eu que até sou amigo de todos!
A Senhora da Peneda e o Hotel
Mais nada posso fazer que deixar a promessa de tentar, para a próxima, tirar fotos mais condignas com a beleza da Senhora da Peneda, local por onde passa um dos caminhos de Santiago.
Vale do rio da Peneda 
Vê-se antes o Baloiral e a seguir a Peneda onde Nossa Senhora encostou junto às rochas da Meadinha. A cascata trazia pouca água, apenas desciam uns escorrichos de verão pela montanha abaixo.
Lá ao fundo, a Senhora da Peneda vista das montanhas do lado de Adrão, um local que se chama a Portela de Baixo. Pela montanha que separa Adrão da Peneda passavam dois caminhos por onde os romeiros podiam ir. Pela Portela de Cima, onde ficava um pequeno cruzeiro de pedra de granito. Ali eram deitados os foguetes que assinalavam os romeiros à vista da Senhora da Peneda. Por ali o caminho era sempre a subir, do lado de Adrão, e depois, em direcção a Tibo, sempre a descer. Pela Portela de Baixo dava-se uma volta maior e era o caminho adequado para aqueles que não gostavam de fazer grandes subidas e descidas. Era exactamente o caminho para os que traduziam bem o provérbio de “quem vai por atalhos, mete-se em trabalhos”.
O Chocalho de um boi da Peneda, em tempos 
Esta última foto é da tasca, ao lado daquilo que eles chamam Hotel, onde bebi uma cerveja fresca. Esse chocalho era o chocalho que um determinado boi da Peneda usava para se ouvir bem longe porque as vacas eram todas dele e nunca se sabia por onde ele andava. A foto nem dá ideia do tamanho do chocalho!
Teófilo Carneiro
Mas mais do que eu possa dizer, diz-vos este poeta, Teófilo Carneiro, cuja foto tirei em Ponte de Lima. Creio que se pode ler, mas de qualquer modo eu escrevo o que está escrito nela. Ele refere-se, julgo eu, ao vale do Lima ou a todo o Minho, mas eu refiro-a aqui, especialmente, às minhas Montanhas Lindas.
Pintores de Portugal, ajoelhai!
Isto é um milagre, não é cor nem tinta!
Mas não pinteis, pintores! Orai, Rezai!
Uma beleza destas não se pinta!

terça-feira, 25 de julho de 2006

Montanhas lindas - Castro Laboreiro

 | Ventor 25.07.06

Castro Laboreiro

Em mais uma das minhas caminhadas por Castro Laboreiro, quero deixar aqui a minha homenagem a estas gentes serranas e às suas belezas.

Pouco conheço de Castro Laboreiro a não ser tudo o que me contam, tudo o que leio e de uma ou outra passagem por lá no deambular dos tempos. Mas posso dizer-vos que toda a região de Castro Laboreiro é um monumento. Desta vez descobri outro monumento: “o borrego grelhado”! Mas, não vos vou falar do borrego grelhado nem do Restaurante Miradouro. Vou falar-vos de Castro Laboreiro no seu todo. Nos penhascos (que dizer dos seus penhascos?), das suas gentes e da minha grande desilusão!

Uma beleza na serra

Os seus penhascos são um monumento a toda a Natureza! Eu sei que, por entre os seus penhascos, enquanto caminhavam os séculos, caminharam também as suas gentes. Gentes de muitas raças que foram rodando por muitos dos cantos desta Europa. Hoje continuam a caminhar por Castro Laboreiro, as suas gentes e outras gentes deste mundo que chegam e partem em camionetas de turismo. E vale a pena o passeio! Os descendentes de Castro Laboreiro que, certamente, tal como os de Adrão, estarão espalhados por esse mundo, por outras terras com outros penhascos, também gostarão de voltar para ver a terra de seus pais e avós. Todos fomos levados na chama de um Dragão chamado Diáspora, mas vamos voltando sempre até ficar ou até partir para nunca mais.
Eu caminho cantando ao som dos seus ribeiros
Mas o que mais se nota por Castro Laboreiro, são os sinais dos tempos longínquos, como os moinhos da minha amiga Flora e as pontes dos nossos amigos romanos para atravessar em segurança para a outra margem. Eu vi algumas das suas pontes sobre riachos de pouca água, ou de tempo estival, que são autênticos monumentos nacionais. Deslumbrei-me com as águas límpidas caminhando e cantarolando de rocha em rocha, esquivando-se por entre os carriços, ao mesmo tempo que homenageavam os arcos romanos que sobre elas se escanchavam ao mesmo tempo que os penhascos de granito se inclinavam para espreitar os trabalhos das gentes que há milénios por ali caminham. Estou-me a lembrar do arqueólogo galego, Pablo Novoa e os seus estudos das imagens das pedras. Não nos esquecendo que, por ali, a erosão destrói tudo, porque não?
Aqui o betão protege o moinho
Outros monumentos que não posso deixar passar são os carvalhos esburacados e podres de velhos que duros e erectos ou retorcidos, lembrando corcundas, faziam uma vénia à passagem do vosso amigo Ventor. Creio mesmo que, à sua volta, os duendes dançavam e cantavam misturados com almas de gentes que à sua sombra se abrigavam em dias de calor como este que por lá passei. Eles são dignitários da companhia dos velhos druidas (ou congéneres) que certamente nasceram e morreram por estas terras antes de os romanos e outros chegarem e, tal como eu, muito olharam os seus nobres carvalhos, vibrando.
O calor era muito, mas só olhar os charquinhos já atenuava
Mas também tive a minha desilusão! Passar por Castro Laboreiro, correr todos os lugares ou quase todos espalhados por entre os seus penhascos e não encontrar nenhum dos seus belos cães, foi para mim uma desilusão. Conheço alguém que veio da América com a ideia de levar um cão de Castro Laboreiro e só de ouvir falar deles, pois não conhecia nenhum, ainda mais desiludido fiquei por lhe ter pedido para não levar nenhum cão porque eles eram dali, daqules belos montes e não quereriam nada estar fechados num quintal do tio Sam, pois prezavam a sua liberdade! Ela já não vai querer mais um cão de Castro Laboreiro e eu não voltarei mais a Castro Laboreiro com o fito de ver um só dos seus belos cães e sempre fiéis amigos. Nunca me esqueço da história que o meu pai me contava desse cão de Castro Laboreiro, chamado Jolim e que o meu Quico reconta na página: «Quando os Lobos Descem a Serra».
Como podem verificar são belezas de ontem e de sempre

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Outro sonho do Ventor

 | Ventor 20.07.06

O Ventor não quer que eu conte os seus sonhos, mas vou contar. Por isso invadi o seu blog!

Uma noite destas ouvi o Ventor sonhar e acordou muito transtornado com um pesadelo. Eu só ouvia ele gritar. “Antar”! “Está quieto Antar”! “Tu dás cabo de tudo, Antar”! Isto era o que eu ouvia ao Ventor.

Claro que o Ventor já me tinha falado do seu cavalo branco, Antar, mas agora eu precisava de saber porquê aquela conversa toda com o Antar.

Então o Ventor contou-me, o resto do seu sonho que foi assim:

O Ventor sonhou que estava numa grande fila de automóveis e era impossível sair do mesmo sítio. De repente, vindo do céu, desce sobre aqueles automóveis todos um belo cavalo branco. O Ventor saiu do carro e começou a gritar pelo cavalo.

“Antar! Antar”! … “Que fazes aqui, Antar”?

E o cavalo branco respondeu-lhe que veio buscá-lo!

«Venho buscar-te, Ventor».

“Mas eu não vou. Eu pertenço a esta parte do Mundo, tu pertences à outra”.

 «Tu vais comigo Ventor. Eu prometi que te ia levar daqui».

“Prometeste a quem? Antar, tu só me obedeces a mim”! 

«Não me chames Antar, Ventor. O Antar é o meu pai, está muito doente e eu prometi-lhe a ele e ao Senhor da Esfera que te ia levar comigo. O meu pai e o Senhor da Esfera estão com saudades tuas. Eu sou o cavalo mais poderoso que existe na grande Esfera e trouxe comigo essa missão. Levar-te, Ventor!» 

“Missão impossível. Eu não vou”! 

«Ou vais comigo, ou eu dou cabo destes carros todos, Ventor. Começo já por este».

Espetou dois coices num carro de amigos nossos. O homem meteu as mãos à cabeça e a mulher saiu do carro a gritar quanto podia com o Ventor que tinha de matar aquele cavalo.

 Tal e qual o Antar

“Mata o cavalo, Ventor, senão ele destrói tudo”!

O cavalo desfez mais dois carros e o Ventor pegou num grande arrocho e prometeu dar cabo do cavalo. (Às vezes precisamos de fazer promessas!).

O cavalo branco colocou-se em frente do Ventor a ameaçá-lo com as patas da frente e com a boca aberta a mostrar-lhes os dentes grandes e branquinhos.

Depois provocava-o para o Ventor lhe dar com o arrocho, mas o Ventor tinha oportunidade mas não lhe dava. Só se lembrava do Antar, um cavalo maravilhoso que nunca poderia ter um filho assim, pensava ele.

Depois o cavalo branco faz uma correria sobre a fila de automóveis e com mais dois coices espatifou uma série deles. O Ventor, de arroxo na mão, só pensava no Antar e pensou que o Antar e o Senhor da Esfera não lhe podiam ter feito aquilo. (Só podia ser obra do diabo!).

Pediu ao cavalo branco para se ir embora e que não danificasse mais viaturas pois era um comportamento indigno de um cavalo celestial.

O cavalo branco fixou o Ventor, olhos nos olhos e deu início a mais uma correria sobre as viaturas fixando-as. Começou aos coices nas viaturas danificadas e colocou-as todas como estavam. Depois dirigiu-se ao Ventor voltou a olha-lo nos olhos e disse-lhe: «É verdade Ventor. Meu pai - o teu fiel cavalo Antar - mais o Senhor da Esfera, estão com saudades tuas e eu prometi-lhes que te vinha buscar. Se te levasse ganharia uma grande aposta, se não te levasse haveria de provar se tu eras o senhor de que meu pai me falava. Com o arroxo na mão tentaste intimidar-me, mas nos teus olhos nuca vi um sinal de ódio. Voltarei para eles vencido mas com a alegria de lhes contar que tu continuas a ser como eles me disseram que eras”. 

«Adeus Ventor»!

O cavalo, uma beleza branca, subiu pelo ar fora até se perder de vista penetrando pelo céu dentro. Ao lado do Ventor as pessoas batiam palmas ao cavalo que desaparecia e ao Ventor.

 Mas a única realidade é que o Ventor acordou de um grande pesadelo, todo molhado, encharcadinho em suor e encontrou-me sentado a seu lado, cheio de curiosidade. Para não se esquecer, foi-me contando o sonho e ia-me fazendo festas como teria feito ao Antar se estivesse aqui connosco.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

Arcos de Valdevez - os Malinos

 | Ventor 19.07.06

Os Malinos são mesmo Malinos!

Mas são um encanto a tocar bombo e caixa. Não cheguei a vê-los a tocar gaita-de-foles nem concertina mas, só pela conversa, deu para perceber que devem ser mesmo bons em tudo.

Na nossa última noite em Arcos de Valdevez, deu para ouvir uma “bombarda terrível” que até parecia que os cavalos de Afonso de Leão e do nosso Afonso, o Conquistador, estavam irrequietos, prontos para entrar numa dança em vez de um combate. Ainda pensei voltar para trás e ir ter com os bombos mas a coisa não estava bem para eu aumentar mais um pedacinho à minha caminhada.

No dia seguinte havia por ali, nas belas águas do rio Vez, outro torneio, não de vida ou de morte, mas de Kaiaks. Haviam por ali carrinhas de várias localidades e motocars e até parecia que tudo aquilo estava em festa, mas também quando o Norte não está em festa, quem está? Demos por ali umas voltas, pelas zonas do Vale, pelo Mezio e por Travanca e regressamos à vila, depois de cumprimentar os meus amigos de milénios.



  Aqui jazem homens de antanho


Em Arcos de Valdevez, tivemos de arranjar onde almoçar e, para isso, teria de ser um local onde coubesse o meu amigo Zé! Fomos ao local perguntar se podíamos almoçar na Esplanada onde teríamos o Zé junto de nós e à sombra. Assim foi. Havia uma mesa para cinco e para o Zé junto de nós. À nossa volta alguma rapaziada vestida de verde. 16, se sei contar. Mas levantei-me e procurava os lavatórios, porque não conhecia o restaurante que tinha sido todo renovado. Um rapaz, dos vestidos de verde logo se prestou a dar a sua ajuda e indicou-me por onde ir. Lá fui. Atravessei aquela “Floresta” toda, era assim que se chamava o Restaurante, e quando cheguei deu-me para ler a camisola que me tinha indicado os lavabos. Na camisola estava escrito os Malinos. Olhei os outros e tinham escrito a mesma palavra e a casa que os ajudava nas suas andanças – uma salsicharia. Virei-me para o que estava mais perto e perguntei-lhe: «vocês são Malinos a fazer o quê»?

Daí veio todo o historial do grupo. “ Nós somos Malinos a tocar bombo, a tocar caixa, a tocar gaita galega, a tocar concertina”! Um puto com 22 anos que tinha todo o jeito de ser o “cabecilha” e que irradiava simpatia por todos os poros, apresentou-me a sua rapaziada que ia desde uma menina de 12 anos que tocava concertina até o mais velho com 28 anos que tocava bombo. O chefe tem 22 anos e toca caixa. Os mais velhos que faziam parte do grupo trabalhavam em vários ramos e tinham de tomar conta do bombo em dias de festa.

O chefe do grupo ofereceu-me um cartão e depois ainda voltou ao restaurante para me oferecer um postal com a imagem do grupo em equipamento laranja. Eles vestem camisola verde ou camisola laranja.

Faziam parte de outro grupo de Zé P’reiras, mas zangaram-se e os que partiram formaram um grupo novo. Agora a sua condição de Malinos dá bem para rebentar com os bombos e ganhar prémios. Tocam tanto bombo que têm de proteger as mãos todas calejadas. Para eles rebentar com as peles dos bombos, partir baquetas e arrasar em volta, bater os seus velhos amigos, é condição necessária. Tão necessária, como beber 14 litros de água por dia, nestes dias de intenso calor para continuarem a “bombar” nos instrumentos.

Depois do almoço regressamos à auto-estrada pelo lugar do Souto onde eles iam actuar. Chegamos no fim, mas deu para ver que eles são mesmo bons! Debaixo daquele calor arrasador as grandes bandas esperavam a sua vez, mas tinham de aguardar a actuação dos Malinos. Perguntei-lhe pelas gaitas de foles e pelas meninas das concertinas, ele com tristeza no olhar, por não os vermos em todo o seu esplendor, disse-me que já tinham actuado. Uma das meninas disse-me: «venham à festa dos Arcos e vão ver o maior show da vossa vida, com bombos, caixas, concertinas e gaitas galegas».

Eles continuam bombando, no adro da igreja de Souto

Falo-vos nos meus amigos Zé P’reiras, os Malinos porque eles são mesmo Malinos. São Malinos contra o ócio, contra a tristeza, contra a vida inútil da maioria da nossa juventude. Eles transpiram alegria e transformam o semblante daqueles que por razões várias a sorte não bafejou ainda. Eles levam alegria cheia de música ás ruas dos Arcos, do Souto e de muitas terras do nosso Minho. Eles conseguiram mostrar-me que tocar bombo, tocar caixa, e outros instrumentos é muito difícil, mas vale a pena viver a vida como gostamos.


 


E assim terminaram com esperança de que, em Agosto, ainda ouçamos e vejamos as gaitas de foles e as concertinas

Boa sorte, na vossa Caminhada, amigos Malinos!

domingo, 25 de junho de 2006

Caminhar e correr na relva


Não posso deixar passar esta oportunidade de louvar publicamente a nossa rapaziada da bola. No meu post sobre o S. João, em Adrão, eu disse antes do jogo começar:

Hoje, o "exércvito luso", comandado por um brasileiro, tal como noutros tempos, vamos enfrentar os holandeses. Por esta, bandeira, vamos a eles!

E fomos! Fomos num campo de futebol que mais pareceu um campo de batalha, tal como aqueles que se seguiram noutros tempos que os holandeses tudo fizeram para diminuir a nossa capacidade de defesa do chamado grande império luso, pelo ódio que tinham a tudo que era espanhol.

Eu esperava que tudo aquilo iria acontecer. E aconteceu! O jogo iria ser difícil para os dois lados e a macaquice de alguns iria estragar o jogo.

Houve cartões sem nexo, como o primeiro mostrado ao jogador holandês e o primeiro mostrado ao jogador português. A falta de um vermelho directo que seria bem mostrado ao jogador que faz a segunda falta sobre o Cristiano Ronaldo e depois foi um ver se te avias! Tudo aquilo teria de descambar e eu achei o caso mal parado porque, normalmente, perdemos sempre netas jogadas. felizmente isso não aconteceu hoje porque os nossos rapazes bateram-se com galhardia.

Vamos lá rapaziada. Vamos a eles!

Por esta.

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Observando

 Sim, observando! É o que eu estou a fazer! ____________________________________________________________________________________________ O n...