segunda-feira, 1 de junho de 2026

Uma efeméride

 | Ventor 13.04.05

Nas minhas caminhadas tenho-me deparado com várias efemérides, entre elas, esta. Faz hoje, 13 de Abril de 2005, 2337 anos a Fundação oficial da cidade egípcia de Alexandria! Não tenho bem a certeza, mas creio que sim.

Farol de Alexandria tirado da Wikipédia

A minha memória, velha como o tempo, pode atraiçoar-me, mas raramente essas situações traiçoeiras me atingem. Enfim ... é possível. Poucas cidades fizeram uma entrada tão magnificiente na história da humanidade como Alexandria. Ela foi fundada por Alexandre, o Grande, o meu amigo Macedónio.

Já tenho falado disso ao Quico e acho que ele vai querer colocar tudo no seu Site. Será que ele ainda se recorda? Deve recordar pois todos os seus ascendentes foram bafejados pelas boas vontades divinais dos Faraós, mesmo muito antes do nascimento de Alexandria.

O Germano

  | Ventor 25.07.18

O Germano

«Para os amigos, sou Germano»

Foi assim que o Germano se apresentou ao Ventor! Foi esta a "história" que ele me contou! Pedacinhos da sua vida!

Mas esta história, valendo o que vale, para mim vale muito. Por isso a voltei a compor e deixar no sítio onde ela morreu.

O germano é (era?) um jovem! Tem (tinha?) 80 anos, mas parece que tem 60! Está a morrer e diz que quer morrer bem ocupado. Estudar! Deram-lhe 5 (cinco) anos de vida, dos quais, já passou 1 (um).

O Germano nasceu na serra da Estrela e só teve direito a calçado aos 7 (sete) anos! Veio para Lisboa com a 4ª Classe e diz que aos 12 anos já tinha devorado todos os clássicos franceses (seria exagero)?

As folhas nascem, amadurecem e caem e, tal como as folhas, no seu ciclo anual, também nós amadurecemos e caímos, como o Germano. Elas nascem verdes, amadurecem e caem no seu outono sendo transportadas pelo vento e pelas águas para, tal como nós, nunca mais sermos vistos

Esfalfou-se como pôde a fazer pela vida. Aos 18 anos alinhou com a esperança de mudar este país, com gentes de outros quadrantes, gentes onde reconhece, amigos de ontem serem inimigos de hoje. Mas como ele diz, a vida assim o determinou. Conheceu mundo. Privou com o Leste de outros tempos e não renegou a sua ideologia, mas cansou! Cansou e caiu para o lado. Foi salvo no hospital, de Santa Maria, em Lisboa. Foi operado por um método moderno e disse-me que teria morrido se não tivesse havido progressos no campo das doenças cardíacas. Assim, sempre ficou com mais cinco aninhos, como ele diz.

E cinco aninhos, é quase uma segunda vida. Curta, mas intensa!

Conversamos sobre tudo e sobre a sua esperança de ultrapassar a meta dos 5 (cinco)! Foi operado, e um ano depois ficou sem a sua mulher, companheira de toda a vida que, foi andando para “arranjar sítio para os dois”! Agora vive só, segundo ele, numa casa muito grande numa grande Avenida de Lisboa. Já só tem na bagagem o número 5 (cinco) do qual restam 4 (quatro)! Eu notei nos seus olhos uma montra que guardava por trás das vidraças, numa redoma dourada, a Paz! Depois de tanta Guerra, de uma vida de combate, é bom vivermos emoldurados na Paz!

Falou-me das suas ocupações. Já leva o estudo da sua ascendência na 12ª geração. É obra! Ele vai ocupar-se de um estudo de demografia dos concelhos da área sul de Lisboa, encostados ao Mar da Palha. Diz que vai chegar tão longe quanto puder e que será para servir um museu! Depois de acabar isso, vai dedicar-se ao estudo da Egiptologia e que já tem indícios que é uma falsidade quando se diz que a sociedade egípcia faraónica, era esclavagista! E também me disse que já se sabe que a primeira greve de que há memória deu-se no Egipto dos Faraós, ou há 4.000 anos, ou há 4.000 anos AC, não tenho presente a exactidão da data! Depois ficou parvo a olhar para mim quando eu lhe perguntei: "como e onde"!

Falei de muita coisa com este amigo, que noutros tempos, sem nos conhecermos, teríamos sido grandes inimigos! Mas a mim ensinaram-me que só devo reconhecer inimigos em combate! Gostei deste homem sem gostar do que ele representou! A nossa despedida foi à pressa, talvez para sempre, talvez por uns dias. Quem sabe? Seja como for, agora arranjei um amigo, chamado, Germano!!!

Eu estou tal como esta estátua de Rodin - o Pensador! De mão debaixo do queijo, pensando! Pensando o que será feito do Germano

Falo do Germano sem entrar na privacidade da sua vida. É difícil dizer-se algo de alguém, penetrando de ilharga, na estreiteza do que sobra para contar. O Germano disse-me o nome, disse-me onde morava, contou-me os seus desgostos e eu acredito que, apesar do Germano não acreditar em Deus, terá um lugar a seu lado! Também vos falo do Germano, sem dizer o que gostaria, para vos dar a entender que vale a pena olhar para o Outono da vida e respeitar as folhas prontas a cair!

Como caem as folhas no Outono, assim o Germano tombará um dia, quem sabe, numa grande casa, numa grande Avenida de Lisboa, ou só, como as folhas que tombam sem que alguém se preocupe com a sua queda, sobre o chão da floresta, sobre as pedras duma calçada ou sobre o chão macio dos Jardins.

As folhas, sabemos nós, serão renovadas, na próxima Primavera, mas o Germano cairá, junto dos seus, ou longe de todos, até que alguém se digne baixar a servis para lhe dar o destino que é dado aos homens, na chegada do seu Inverno! Quem sabe, só, sem família, sem amigos!

Desde que o homem se recorda da sua existência, que pensa. Pensa até ao momento da queda final. É majestática esta obra de Rodin. A sua simbologia diz-nos tanto!

Há obras de Arte que nos transmitem o inimaginável e esta é uma delas. Sabemos que pensamos, mas o pensador estará a pensar o quê? Imaginem a vastidão da sua imaginação! Imaginem se fosse possível dar vida aos pensamentos de cada retoque que o Rodin deu nessa peça!

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Continuando ...


... nas minhas caminhadas, ontem os doendes deitaram flores à minha passagem. Eles sabem como eu os invejo. Gostava de viver naqueles boraquinhos das árvores. Autênticas vivendas!

Belas flores selvagens 

Fui ver nascer os fetos e, pelo verão fora, tentarei assistir ao seu crescimento.


Fetos crescendo a velocidade de cruzeiro. Como este

Acabou de furar e já canta glórias a Apolo.

 Feto acabado de nascer

Há meia dúzia de dias passei ali de propósito para os ver e não havia nenhum. Também estive na conversa com a filhota da Vanessa. Ela ainda pousou nos fetos secos por onde sua mãe esvoaçava e me esperava.

Estes fetos quando verdes e depois já secos, suportaram a mãe Vanessa e agora a sua filhota já linda como ela.

Mas a filhota da Vanessa tem uma companhia. Esta lagartixa que também quis saudar o Ventor.

Uma lagartixa

Quando procurava a existência de uma possível cobra apareceu saída do chão esta lagartixa no local que nunca mais será o mesmo que eu encontrei em 2004. Vão faltar ali as minhas dedaleiras para embelezar a filhota da Vanessa. A única dedaleira que nasceu ali, este ano, já foi cortada por algum parasita humano. Daqueles que acham que Deus existe só para ele.

A Tasca do Carrasco


Ainda sobre a tasca do meu amigo Carrasco, local que enquanto tiver memória nunca esquecerei, sempre que regressava ao meu ninho, tinha uma visita obrigatória à Tasca.

Ali recebia os abraços da gente da terra que tropeçava em mim e isto, porque eu nunca dizia que ia - apenas, chegava! Ali se bebiam uns copos, era preciso não quebrar a tradição e ali eu revia parte da família, pois o Carrasco era casado com uma minha prima direita e, portanto, era meu primo.

Era ele que tinha o Correio, era ele que tinha o telefone, e era ele que recebia e enviava as boas e as más notícias para todo o Mundo, notícias que tinham a ver com a nossa terra e as suas gentes!

 Esta é a porta da saudade, qe nos mata a alma ao vê-la fechada. Há dias, Julho de 2006, estive lá e só vi tristezas!

Foi ali que eu recebi a primeira notícia da morte de um tio que, por ondas electromagnéticas eram levadas até Soajo e depois subiam a montanha na forma de telegrama. Normalmente as notícias eram más e começavam os choros. Foi ali que chegou a notícia da morte do meu irmão num acidente militar, e foi dali que partiu para o Mundo, a mesma notícia e que o Mundo recebeu como sendo a minha morte em África.

Sim eu sou apenas o vivo que já foi chorado morto! Assim, na véspera do Terror do 11 de Setembro 2001, enquanto eu comia o bolo da pedra da saudade, eu via passar pela minha retina, todo o ambiente da antiga Tasca, das malgas cheias de vinho que circulavam de boca em boca - era a rodada (nessa altura não se temia a SIDA, nem nada de semelhante), via os cavalos chegados montanha acima, vindos de Soajo, subir os 3-4 degraus que os levava a entrar tasca dentro e também beber o seu copo, em forma de sopas de cavalo cansado!

Ali, se ouviam as notícias da minha gente que chegavam a França, a salto, ou dos que ficavam presos pelo caminho sem nunca terem saído de terras de Espanha! Normalmente o regresso é sinónimo de alegria, mas ali, muitas vezes, o regresso era portador de muitas tristezas. Os dinheiros gastos, e eram tão poucos, para chegar a terras de França, significavam mais pobreza, mais dívidas, maiores compromissos e significavam também passar a conhecer quão bela é a palavra solidariedade! "Não desistas, o dinheiro não te vai faltar. Pagas-me quando o tiveres"! "Ó Carrasco, enche aí a malga"! Como eram belas as gentes da minha terra! Como se sonhava! Como caminhamos todos para o precipício do Mundo, para a dispersão, para a diáspora! 

Pausa na Caninhada

 | Ventor 27.03.05

Fiz uma pausa na minha Caminhada. Vou-me dedicar às amêndoas. Deste caquinho de vidro tenho tirado, uma após outra, sempre que me apetece, uma amêndoa.

As minhas amêndoas

Mas tenho à mão os municiadores, não vão as munições acabar para quem passa à minha janela. Aproveitem e vão tirando uma amendoinha. Não pensem que nãopenso nos que não as têm.

Amêndoas para os amigos

Mas hoje é domingo de Páscoa e para mim, já são 37 domingos de Páscoa que são todos muito especiais. Fazem hoje 37 que, no domingo de Páscoa, só como três amêndoas. Por isso, já tirei as minhas três amêndoas hoje. Só não tenho a certeza se era uma branca e duas rosas, se uma rosa e duas brancas. Penso que eram uma rosa e duas brancas e como não tenho a certeza, vou alternando. Hoje são assim.

Para todos os que comigo comeram em 1968 três amêndoas, um grande abraço. Eu não mato a fome de amêndoas nos domingos de Páscoa, antes pelo contrário, mantenho a minha homenagem a esse dia e permite-me recordar todos que, infelizmente, não têm amêndoas para fazerem reviver a sua tradição.

As minhas três amêndoas para o domingo de Páscoa de 2006

Tenham todos uma Páscoa Feliz.

Hoje subi à Serra

 | Ventor 16.03.05

Hoje subi à sera da Mira. Foi uma passeata de 3 horas antes do almoço. Numa serra, mesmo que esventrada pela apetência do homem, encontra-se sempre muita coisa. Vejam esta rocha em baixo, coberta de líquenes.

Uma rocha na serra da Mira

Mas muma serra que faça jus ao nome, tem de haver rochas e tojo. Sem rochas e tojo, não lhe podemos chamar uma serra. Claro que tem muita coisa que não é próprio de uma serra. Por exemplo: a guarda avançada da destruição - a construção - acompanhada de máquinas, e homens de capacetes, a preparar novos caminhos! Mas esqueçamos, e vivamos o tojo.

 Tojo na serra da mira

Também, numa serra, tem que haver um cão. O cão procurava algo. Não seria certamente Ferrer Roger, mas talvez um coelhito, pois se é verdade que eu não o vi, também é verdade que já houve lá muitos e talvez procurem sobreviver à pedalada que o homem tem imprimido na ocupação da sua serra da Mira.

Cão na serra da Mira, numa busca frenética

Mas há uma boa razão para ainda haver por lá uns coelhitos, se assim não fosse, não andavam por ali tão afincadamente estas minhas amigas. Tive por companhia três belas águias. Mas eram muito envergonhadas e olhavam-me de soslaio. Difícl de fotografar, apenas por birrice delas! Disseram-me que não se achavam assim tão fotogénicas para serem exibidas na Net!

 Uma águia na serra da Mira 

Mas o instinto da caça não é exclusivo das águias e dos cães. Também esta gata diz que continua por ali a desenvolver o seu instinto de sobrvivência. E era tão meiguinha que até gostava da minha companhia.

 Uma gata na serra da Mira  

Mas uma serra, para ser completa, tem de ter flores. Neste campo, a serra da Mira já foi uma serra bela e hoje, apesar da seca, brindou-me com belas flores. Os lírios, por exemplo, são seu apanágio, mas estão muito pobres e mirrados com a falta de água. Continuam, no entanto, a exibir os seus robes mágicos no meio da secura!

  Lírios na serra da Mira

Mas além dos lírios haviam outras flores que espero colocar nas minhas Flores de Inverno. Mas estas, além dos cardos, foram também, noutros tempos, apanágio florístico da serra da Mira.

A solidão e a tristeza nota-se nesta flor. Era quase unica!

Mas numa serra, também se desenrolam tragédias. É o caso desta borboleta presa nos acúleos dos tojos. Ela debatia-se e nada conseguia. Eu ainda tive dúvidas, mas era verdade. Estava mesmo presa! O seu grito de socorro ao ventor salvou-lhe a vida e espero que sem danos.

Borboleta presa no tojo, na serra da Mira 

E reparem como há solidariedade na serra! A abelha passou três vezes sobre a borboleta e veio direita a mim para que tentasse fazer alguma coisa pela desgraçada da borboleta. Peguei numa palhinha seca e consegui fazer que a borboleta trepasse agarrando-se a ela como sua tábua de salvação e ei-la, esvoaçando, com a promessa de ser mais cuidadosa.

Borboleta e abelha, partem, partilhando o seu (nosso) mundo 

Mas, para além de tudo isto e muito mais, assisti a uma sinfonia ao ar livre! As abelhas e os meus queridos amigos, com predominância, amarelo-negro, tiveram a amabilidade de me brindar com uma bela sinfonia de sons mágicos. Não tentem imaginar o vosso amigo Ventor, como noutros tempos, sentado no meio dos tojos a assistir a este belo espectáculo. Foi para mim uma das maiores aberturas musicais que, hoje, numa manhã radiante, fui levado, por artes mágicas, a matar saudades. Aberturas musicais assim, já tive muitas, mas uma coisa é recordá-las e outra é vivê-las. Mais lindas, talvez, as sinfonias, cor de rosa, que já vivi nos carrascais da minha outra serra - Soajo

Um dos meus amigos

Outro amigo

A dança, a música e o cântico! Todos estes meus amigos colocaram alguma clarividência e bem estar na minha cabeça, nesta manhã bela mas seca, neste final de Inverno, em 2005.

Uma das muitas abelhas partilhando o seu dia com o Ventor

Os meus Trilhos



Eis alguns dos trilhos por onde, por vezes, caminho. São estes os trilhos por onde em tempos fazia os meus crosses. Agora passo por lá, para matar saudades. Saudades dos meus crosses e muito mais! Ontem, por exemplo, caminhei nestes trilhos, cerca de três horas.


 Um troço da minha caminhada

 Á esquerda, essas flores brancas, fazem-me lembrar outros tempos, onde só havia matos e um simples trilho. Dão uns frutinhos que ninguém liga, mas até acho que devem ser bons. Mas cuidado porque eu não sei se esses são dos bons! 

 Mas por arrelia do meu amigo NetSapinho, desisti, há dias, de colocar aqui os meus trilhos. Hoje procuro encontrar o meu amigo de bom humor e tentarei colocar aqui mais alguns dos meus trilhos, de rajada.





 


                      

Aqui assisti a um grande combate de amor ou por amor, entre dois melros. Depois o machão disse que a escaramuça fora apenas para me divertir!

 Nos meus trilhos, estavam as minhas dedaleirs do ano passado. 

E estas já estão a caminho! Mas estes trilhos são, na minha cabeça, um hino à Natureza. Estamos a ficar sem estas coisas boas para nos contentarem na nossa caminhada. É uma beleza sentirmo-nos acompanhados pelos nossos parceiros de caminhada sem abusos de parte a parte. Nestes trilhos as borboletas, os tira-olhos, os pássaros, são companhia estimulante para continuarmos a estucar a peugada. Agora que vem aí a Primavera e o Dia da Árvore, pensem como são belas as árvores e como poderemos ser bem mais felizes junto delas. 

 Claro que na nossa caminhada estamos sempre sujeitos a acidentes de percurso. Uma grande teimosia de Eolo em barrar-me o caminho! Prossigamos na nossa caminhada ...

O Travesseiro ---

    | Ventor  17.04.09 ...ou travesseiros, pela beleza de Sintra ! Um pombo bravo que quis dois dedos de conversa Um coelho bravo mais um am...