quinta-feira, 15 de maio de 2014

As Oliveiras

  | Ventor 15.05.14

A oliveira é uma árvore. Mas a oliveira não é uma árvore qualquer. É uma árvore de madeira dura e fornece-nos as azeitonas e o azeite. Já há milhares de anos que os homens do neolítico ou do final do neolítico sabiam extrair o seu óleo - o azeite - que sabiam aplicar na alimentação, na combustão ou como unguento. As velhas candeias de azeite aparecem em escavações arqueológicas de velhos tempos e velhos templos, tal como no palácio de Cnossos, em Creta.

Falar da oliveira, seria falarmos, também, de várias civilizações, antes da era cristã e também durante a era cristã. Talvez uma das primeiras civilizações onde se prosperou com o cultivo da oliveira e o comércio dos seus derivados, azeitonas e azeite, tenha sido a civilização minóica. Mas apesar das oliveiras serem de origem asiática, sul do mar Cáspio, Pérsia, elas terão estado sempre presentes em redor do mar Mediterrâneo, na vida dos Fenícios, dos Hebreus, dos Cartagineses, dos Romanos, dos Gregos, ... chegando até aos nossos dias, desempenhando um papel primordial nas nossas civilizações mais modernas, como a espanhola e a portuguesa.


Uma oliveira com muitos séculos, milénios (?) ...

Mas, como em tudo, para além das azeitonas e dos azeites, como seria se vivêssemos nos tempos em que as árvores falassem?! Como seria se as oliveiras nos contassem as suas histórias? Recordo-me, quando era pequenino, os velhotes da minha terra, onde quase ninguém sabia ler ou escrever e os que sabiam, saberiam muito mal, iniciarem as suas histórias assim: "era uma vez, nos tempos em que os animais falavam", ... "Era uma vez, nos tempos em que as árvores falavam", ...

Não sei como seria mas posso calcular como seria ouvir uma oliveira falar comigo!

Por isso, uns anos atrás, num dia solarengo, caminhava eu nos campos do Ribatejo, tentando encontrar uns mochos que me desafiaram para uma cantoria. Saí de uma estrada e entrei noutra de terra batida, uma espécie de picada africana, ladeada de campos floridos, por onde rodarão uma ou outra viatura, além de tractores. Por fim, vejo ao lado dessa estreita estrada, umas oliveiras mas eu só levava os olhos apontados aos pássaros e às flores, para além de ir observando a paisagem.

Por fim, observando umas sombras, lancei o meu olhar sobre as árvores que lhes davam origem. Verifiquei logo que se tratava de oliveiras isoladas, uma aqui outra ali e todas de troncos retorcidos mas, duas delas, eram realmente autênticos monumentos às oliveiras e aos homens que as podem observar.


Uma oliveira no Ribatejo

Nesse dia, durante essa caminhada, sentei-me à sombra desta oliveira.

Das reentrâncias do seu tronco, uma voz me disse: "estás sentado no mesmo local onde se sentou Dom Fuas Roupinho"! De certeza que não fomos só os dois, disse eu. "Não! Aqui tem-se sentado muita gente. Romanos, árabes visigodos, lusitanos, D. Fuas, tu e até ribatejanos". Pois, mas os ribatejanos estão na terra deles! "Sim, e até eles o conseguiram, porque esta oliveira resistiu aos milénios"!

Há pouco tempo, observei oliveiras extraordinariamente velhas, na Quinta do Lorido, para os lados do Bombarral e, há dias, na Quinta da Bacalhoa, em Azeitão. Estas quintas são propriedades do Joe Berardo. As oliveiras são, sem dúvida, autênticos monumentos das civilizações ditas mediterrânicas.

Há muitos anos, logo na sequência do 25 de Abril, estava sentado no escritório onde trabalhava e recebia um colega novo, que tinha saído da Força Aérea e tinha andado num helicóptero a fazer estudos para a implantação da então futura Barragem do Alqueva, no Alentejo. Perguntei-lhe qual a opinião dele sobre a hipotética barragem e ele depois de várias dissertações, disse-me: "olha Ventor, quanto a mim, a barragem já devia estar feita, já cheira mal tanta hesitação. Ou temos dinheiro e fazemo-la, ou não temos dinheiro e ficamos quietos. A mim, só me faz impressão alagar oliveiras com muitas centenas, até milhares de anos".


 Uma oliveira plantada pelos romanos em 300 A.C.


A placa escrita por alguém para quem esta oliveira falou

Depois apareceram empresas a quererem comprar as oliveiras para as voltar a transplantar nos seus locais para isso determinados. Só empresas e empresários com disponibilidade de capital podia meter mãos a essa obra. Foi o caso do Joe Berardo. E sabem que eu até comecei a simpatizar com o homem?!

Mas o Joe Berardo e seus assistentes, tentam, com as oliveiras do Alqueva e não só, tornar este mundo mais belo para cada um de nós. E foi por isso que, quando entrei, ali encontrei velhos amigos como Diana e Apolo que me contaram as histórias das oliveiras que eles viram crescer, por esse mundo fora bem como as histórias que eles foram ouvindo, vindas dos troncos retorcidos, sobre todos aqueles que pisaram a Península Ibérica e por entre elas caminharam, juntamente com os meus amigos Apolo e Diana.


 O cão guardador das oliveiras

Mas o Joe Berardo não se esqueceu de arranjar um cão, azul como o Ventor gosta, para guardar as suas oliveiras. Este cão é grande como o cão que tinha o meu amigo Nemrod, na Caldeia.

A minha amiga Diana tenta tirá-lo dali para levar nas suas caçadas mas ele não está disposto a deixar as oliveiras abandonadas. Tal como fazia o cão de Nemrod, também este não vai com Diana. Nesses tempos quando eu e Diana caminhávamos pelas margens do rio Eufrates, o cão do meu amigo Nemrod só ia com o dono e comigo.

Talvez um dia o Finitro me dê forças para acompanhar Diana em mais umas caçadas e, então, o cão azul poderá ser nosso companheiro de outras fabulosas caminhadas.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Tordesilhas ...

 | Ventor 06.05.14

... o sonho e a realidade.

Um dia passei em Tordesilhas. Pus a mão a servir de pala, observei o horizonte, lancei uma olhada sobre o rio Douro e rodamos rumo à E80.

Ao sair de Tordesilhas ainda tive tempo para olhar uma estátua de rainha com a coroa na mão, numa posição de entrega. Apontei a máquina pela janela do carro e tirei três fotos a essa rainha, um pouco atabalhoadamente.

Escusado será dizer que achei essa estátua muito bonita. Uma autêntica obra de arte. Essa estátua transmitia-me a alma de alguém que cabia tão perfeitamente nessa obra de arte.

Ela representaria uma rainha, mas qual? Não liguei muito porque achei eu, seria a rainha Isabel de Castela, a conquistadora de Granada. Tordesilhas representava o Tratado, para mim e a alma incrustada naquela estátua, seria a Rainha do Tratado. 

Tratado de Tordesilhas em (7 de Junho de 1494)

Há dias, quando preparava um périplo por terras de Castela e Leon, tropecei numa foto igual à minha. Achei que a estátua de Tordesilhas não tinha nada a ver com a Rainha Isabel I de Castela e, step by step, cheguei à rainha Joana "a Louca".
Chamavam-lhe "a Louca" mas, a conclusão que eu tirei foi de que se tratava de uma pessoa muito especial. Ela foi levada a casar com alguém que não conhecia mas, segundo reza a história, apaixonou-se perdidamente por aquele que lhe foi apresentado para seu futuro esposo.
Como era usual, os reis católicos de Espanha, seus pais, a Rainha Isabel I de Castela e o rei Fernando II de Aragão, negociaram com o Imperador Maximiliano I, o casamento da sua filha Joana com Filipe o Belo, Arquiduque de Áustria e mais mil e umas coisas, filho do Imperador da Alemanha.

Joana "a Louca". Parece que está interessada a entregar a coroa aos castelhanos!
Aquelas vidas de cá e lá, entre Castela e Flandres, não era a ideal para Joana que adorava o seu marido e as lides das vidas que levavam mantinham-nos demasiado afastados e diz-se que acabou por levar uma vida tresloucada permanecendo por Tordesilhas, 46 anos, onde foi encerrada por seu pai em 1509 depois de herdar a coroa de Castela em 1504. Quando seu pai morreu, seu filho herdou as coroas de Castela e Aragão
Seu filho Carlos herdou a coroa de Aragão e Castela, como Carlos I e o Sacro Império Alemão como Carlos V.
Joana a Louca sofria de esquizofrenia como sua avó, Isabel de Portugal, que foi rainha de Castela e Leon e, Carlos V, seu filho sofreu do mesmo mal.
Por isso, talvez eu vá fazer uma caminhada até Tordesilhas para conversar com a estátua que contém a alma de Joana "a Louca", cujos ossos, bem como os de seu marido, se encontram na capela real de Granada.
Ventor em Burgos
Talvez o Ventor tenha algo para ainda ouvir em Tordesilhas!

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Sexta-Feira Santa ...

  | Ventor 24.04.14

... uma caminhada pelos arredores da serra da Arrábida.

Os morriões azuis ...

... e a erva das sete sangrias, observam o Ventor

Nesta altura do campeonato, o Ventor bem se desunha para conseguir acertar o passo e fazer, normalmente, as suas caminhadas. Infelizmente as coisas não caminham como seria do seu agrado e substituiu as suas caminhadas por um ou outro andamento mais pausado.

Ao fim de um andamento calmo e pouco apressado mas, com cerca de 3 horas sobre as pernas a fustigar a coluna lombar, a coisa não fica bem. São horas de dores intensas mas suportáveis porque não prende as pernas. Só dói! Mas, claro, ninguém gosta de dores, nem o Ventor! Em Agosto passado, era a dor e a prisão de movimentos, por isso, a minha terrível e difícil caminhada à Pedrada. Custou, mas foi, como diz o outro.

 As sargacinhas amarelas ...


 ... e as sargaças das areias

Não gosto de estar sentado, gosto de andar, só se não puder! A alternativa é estar estirado numa cama, num sofá ou numa alcatifa mas, para mim, nada melhor que uma caminhada, especialmente, se ela me proporcionar os belos momentos oferecidos pela Natureza.

Caminhar por trilhos lindos, cercados de verde e todos floridos, ouvir cantar os pássaros nas árvores e nos arbustos, ver as lagartixas esgueirarem-se por entre as ervas, os escaravelhos apressarem-se para não serem pisados e ver as borboletas tentarem as flores mais vistosas, isso sim, é a minha maneira de agradecer aos deuses as belezas que nos são propiciadas pelo nosso Planeta Azul. Foi assim, nesta Sexta-Feira Santa de 2014. Por isso, não tenho só de agradecer aos deuses mas, também, a quem me proporcionou essa possibilidade.

Caminhei por entre o rosmaninho, por entre diversos carrascos floridos, por entre as abróteas, os craveiros do monte, as silenes, as ervas das sete sangrias, por entre os jacintos penachudos, os morriões azuis, os saganhos-mouros, as estevas, as roselhas, as sargaças das areias, os sargaços, os pilriteiros, as primaveras, as flores da borragem, as centáurea, as sargacinhas, as tremocilhas amarelas (faltaram-me as azuis) e tantas outras que caminharam a meu lado.


 As silenes ...


 ... e as ericas, as minhas carrasquinhas rosadas

Também fui curiosidade das águias que, por três vezes tentaram acompanhar a minha caminhada por entre os sobreiros e só fotografei o rabo de uma. Também tive a companhia de rouxinóis, de trepadeiras azuis, de uma pega (?), julgo eu pois não a vi com a clareza para a identificar.

Foi uma beleza, ter a companhia de tantos amigos, integrados nas maravilhas coloridas que, vivendo e morrendo vão sempre saudando o meu amigo Apolo e o Ventor.


Uma borboleta que me queria ensinar a voar


E um dos meus belos companheiros (as), a trepadeira azul

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Chamava-se Eusébio


Um dia, em 1962, quando entrei no café do Cinema Monumental, encontrei a equipa do Benfica que iria ser campeã da Europa.

Estavam todos ou quase todos presentes. Tinham sido convidados pelo Dono do Cinema, o cinema do Velho Monumental, a descontraírem-se por ali, no Bar e no Cinema, nas vésperas do grande jogo com o Real Madrid.


 Levaram tempo, Eusébio, a colocar-te no swítio certo

Do que mais me recordo é da grande Hermínia Silva, sobre uma cadeira do Bar, apontar para o José Augusto, estender o braço esquerdo e, com o braço direito, fazer um toma, (manguito): "oh, José Augusto, faz-lhe assim, aos espanhóis", ao Real Madrid, pois claro.

Eu tinha sido convidado pelo Gerente dos Bares do Cinema Monumental, do Cinema Alvalade, do Cinema S. Luis e já não recordo o outro. Uma vez, ao entrar no Cinema, encontrei uma nota de 50$00 no chão e, disse ao Porteiro do Cinema para a guardar e dar ao dono quando aparecesse. Um dia, passava eu junto da porta do cinema ao lado do Café Monumental, para ir beber o meu café e o porteiro a quem entreguei a nota veio-me dizer que o dono da nota tinha aparecido. Que andava ali de olhos no chão à procura e pela conversa lhe teria dado a nota. O porteiro seguiu e o que estava de serviço nessa porta falou comigo e tinha visto a malta toda a chamar-me parvo por ter entregue a nota.

Arranjei ali um amigo que me indicou ao irmão, o tal gerente e passei a ter sempre as portas abertas, especialmente, quando o que por ali se passava me agradava. Claro que, então o Benfica estava na mó de cima e eu vivia, já então, no meio de Benfiquistas. Devo muito a esses benfiquistas ferrenhos que terão ido para Moçambique, pelo menos um e nunca mais os vi.

Foi no Bar do velho Cinema Monumental que eu conheci aqueles grandes jogadores do Benfica, inclusive o Eusébio, durante uns anitos. Nunca mais vi o Eusébio a não ser nos jogos pela televisão e sempre que ele acompanhava o Benfica ou a Selecção Nacional nas suas caminhadas.


Quem passar por aí, continuará a recordar os teus fortes pontapés e a nossa Pantera Negra

Sempre acreditei no Eusébio pelo modo como ele jogava, respeitando os adversários, pelo modo como falava dos outros, especialmente, dos seus adversários desportivos. Sempre o achei bem educado. Mas, enquanto tiver memória, nunca me esqueço da desolação de todos nós no Bar da Base Aérea 2, na Ota, naquele célebre jogo, em 1966, com a Coreia de Norte. Estávamos a perder 3-0 e o Bar ia ficando vazio. Saiu tudo de revoada, escada abaixo e, eu, era dos primeiros. Disse para mim que, ver jogos assim, não valia a pena. Quando cheguei ao fundo das escadas, na televisão gritou-se golo de Portugal - Eusébio!

A mesma revoada que trazíamos escada abaixo, voltamos a levar escada acima. Ainda fomos assistir a mais quatro dos nosso golos. Foi nesse jogo que o Eusébio nos marcou a todos.

Ontem o Eusébio deixou-nos e hoje teve honras de herói nacional. Eu não estive lá, porque não podia, mas estive frente à televisão a despedir-me do Eusébio porque ele era, também, um dos meus. 

Ele era do Benfica cá dentro e do Real Madrid lá fora. Um pedaço disso também é meu. Eu sou do Futebol Clube do Porto cá dentro e do Real Madrid lá fora.

Uma noite, ao luar de Marrupa, no Norte de Moçambique, em 1968, vi uma pantera negra. A primeira coisa que me veio à memória, ao ver aquela beleza, foi a recordação do Eusébio, a nossa pantera negra - o mito.

Nunca esquecerei aquele puto, mais velho que eu cerca de quatro anos que, saído da então Lourenço Marques veio instalar arraiais em Lisboa, junto de nós e nunca mais será esquecido por todos. Ele será sempre nosso e nós, tenho a certeza, seremos sempre dele.


Chutavas de todos os ângulos. Por isso escolhi essas três fotos da tua estátua para quem passar por aqui te recordar

Recordo-me da sua última entrevista à TVI, quando ele diz que veio de Moçambique com o nome de Rute para despistarem o Sporting e recordei-me da moça de Moçambique, chamada Rute que, em 1970, devido a problemas familiares, teve de regressar a Moçambique, deixando de estudar. Lembro-me de, então, quando ela caminhava para o avião, se voltar para trás a chorar e gritar bem alto: "Fox, nunca mais esqueças o nosso Moçambique"!

Claro que eu não esquecerei! Não esquecerei Moçambique, não esquecerei as suas Rutes, não esquecerei o nosso Eusébio, não esquecerei nada de Moçambique.

Adeus Eusébio. Eu irei pedindo ao meu (nosso) Senhor da Esfera para te manter junto d'Ele. Eu acredito que tu ficarás junto d'Ele porque tu não eras só um jogador de futebol. Tu eras um Homem. 

domingo, 23 de junho de 2013

Festejos do S. João

  | Ventor 23.06.13

Oh, S. João Baptista, oh, meu Santo milagreiro ...

Dizem-nos que foi assim há muito tempo, no rio Jordão. Pintura de Andrea de Verrocchio, um florentino que trabalhou na corte de Lorenzo de Médici. um grande artista, pintor, escultor, ourives e, para mais, teve como seus alunos, Leonardo da Vinci, Sandro Botticelli e outros. Dizem que o anjo pequeno da esquerda, foi Leonardo da Vinci que o pintou.

Como é bom recordar! Recordar o nosso S. João por Adrão, recordar o ti Joaquim Brasileiro (era assim como lhe chamávamos), recordar aqueles que nos ensinaram a ser homens, ... Recordar, é a chave de alargar a nossa caminhada! É caminharmos em todas as direcções, é ir para além das estrelas visíveis é saber estar entre a nossa gente e, para isso, temos de nos voltar para trás, pedir ajuda à nossa massa cinzenta e, até aos Santos, como agora, ao nosso S. João. Olho para trás e vejo o S. João levar-me até Adrão perfilado nos Trilhos da Memória.

Mas o S. João está para além disso. Está em festa por muitos recantos deste país e do mundo e nós estamos em festa com ele. S. João é a grande festa das gentes do Porto, de Braga e de tantos outros lugares, como era em Adrão. Uma festa simples e bonita para a criançada que nada tínhamos e tudo inventávamos. É por isso que eu nunca esqueço os meus primeiros 15 anos de vida, os meus 15 anos de Adrão.

Desde então, tem sido só de pala ou, então, recorrendo às memórias, como agora, porque, S. João em Adrão, certamente, não haverá mais.

O alho porro selvagem, como eu o vi e a minha máquina o captou, em Miraflores. Mas no Porto, haverá quem ganhe a vida a cultivar alhos porros para a festa do S. João.

Depois das minhas brincadeiras de Adrão, passei quatro dias de trabalho, no Porto e, como coincidiu com o S. João, passamos essa noite de S. João a comer sardinhas, nas Fontainhas, a brincar com as suas gentes e, claro, com o S. João. Foi a minha festa do alho porro e do martelo. Levei muitas alhadas e muitas marteladas mas também dei que me fartei. Foi diferente de Adrão, foi à moda do Porto!

 Salomé, deslumbrante, pintura tirada da Wikipédia

Foi assim que Gustave Moreau, imaginou Salomé que dançou tão bem que o tetrarca Herodes Antipas lhe disse que pedisse o que quisesse que ele lhe daria. Foi então que sua mãe interferiu, dizendo que ela não gostava nada de João Baptista e que iria pedir a sua cabeça. Assim, Salomé, fazendo a vontade a sua mãe, pediu ao rei Herodes Antipas que lhe oferecesse a cabeça de João Baptista, numa bandeja. Foi assim selada a vida de João Baptista na sua passagem pelo nosso Planeta Azul. Mais uma vez, uma luta entre a pobreza e a realeza aristocrática, onde os fortes ganham sempre.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Os Castros do Tomás

  | Ventor 20.03.13

Os castros, de outros tempos, eram aldeias situadas em locais de mais fácil defensibilidade, normalmente, em montes e perto de riachos ou nascentes.

Hoje restam-nos algumas ruínas arqueológicas desses tempos da idade do cobre e da idade do ferro e, provavelmente, de tempos anteriores.

Deixo, aqui, como amostras, dessas construções, as fotos abaixo. Outros houve por aí fora.


 
Mas o Tomás teve umas lições do que eram os Castros, lá na sua escola e foi incumbido de realizar um trabalho sobre os mesmos. Assim, o Tomás e o avô, deitaram mãos à obra e começaram, mentalmente, a caminhar pelos Castros de nossos avós!
Para isso, deitaram mãos à obra, acarretaram pedras, colmos para as coberturas das casas e decidiram iniciar a construção  da primeira aldeia castreja dos tempos modernos.
Abriram um poço e nasceu um rio!
Chegaram os patos e não esqueceram o porco que continua a dar os presuntos e os chouriços ao Ventor. Verão que, com os tempos, tudo isso será, com certeza, multiplicado por muito mais.
Imaginem como foi no passado e, não esqueçam como sobram sempre hipóteses de poder vir a acontecer no futuro.
 

O pato no rio do Castro do Tomás

 
O porco junto à árvore, talvez a apanhar frutos caídos

 
O porco já cresceu que se fartou 
 
Os patos na sua azáfama, rio abaixo, rio acima 
Só falta dizer ao Tomás e a todos os outros que, o passado, o bom e o mau, poderão sempre ser nossos parceiros no presente e no futuro. Também podem ficar a saber que já, nos tempos dos Castros, a Leonor ia à fonte descalça e não segura, como dizia o Camões.

Descalça vai para a fonte,
Lianor, pela verdura,
Vai fermosa, e não segura.
....
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

Já antes do Camões havia quem pensasse assim!
Por isso, os homens dos Castros pensavam nas suas Lianores ou, se preferirem, Leonores. Por isso, os Castros ou Fortificações, para defenderem as Lianores de então, as fermosuras dos castrejos. Eles defendiam as suas mulheres, as suas fontes, os seus porcos, os seus poleiros (para continuarem a ouvir cantar os galos).
E, diziam, ... Este é o nosso chão!

PS -Para o Tomás saber, a maior concentração de Castros, existiu no Noroeste da Penísnsula Ibérica, especialmente Minho e Galiza, embora, haja castros por muitos locais portugueses e espanhóis. O mais famoso desses locais foi Numância. Esta antiga cidade, povoada por celtiberos, existia desde o século III A.C. nas margens do rio Douro, no centro norte de Espanha e formou grande resistência à invasão romana da Península Ibérica. Resistiu durante 20 anos mas os romanos nos últimos 11 meses cercaram-na e construiram uma muralha em volta do Castro, de onde não podiam sair. Terá sido, por comparação, uma espécie de muro de Berlim. Os Numantinos resistiram até não terem hipótese e iam morrendo por inanição. Resolveram, por isso, suicidar-se todos. Quando os romanos entraram só terão encontrado corpos mortos. 
Recordando isso, nunca devemos esquecer a cidade castreja de Numância.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Hospital Amadora-Sintra ...

  | Ventor 15.12.12

... onde o hall do descontentamento, esconde os Corredores do Desespero.

Olá, amigos!

Eu sou o Pilantras, o novo amigo do Ventor. O Ventor disse-me para eu escrever aqui, tudo o que lhe ouvi, tal como o Quico fazia nas caminhadas da sua Arrelia - a Arrelia do Quico!

O Quico contava-vos coisas várias, entre elas, algo sobre os Corredores do Desespero, corredores por onde o Ventor já caminha há muitos, muitos anos! O Ventor disse-me que, a vida de muita gente, de muitos dos seus amigos, foi ou é preenchida por muitos troços trágicos, ou trilhos trágicos das suas caminhadas. Ele diz-me que, desde que existe, se recorda de Corredores do Desespero, por vários sítios por onde andou.

No Hospital de S. José, na Clínia da Ordem Terceira, em Lisboa, no Hospital de Vila Cabral, em Moçambique e, o Ventor não se esquece que, é nos Hospitais, que os amigos e os inimigos se encontram ou reencontram e, quando o Ventor foi saber se o inimigo que ajudou a evacuar numa DO-27, tinha sobrevivido, ficou a saber como os seus olhos brilhavam quando aquele puto de 18 anos, sorria para o Ventor, um pouquito mais velho.

Mais tarde, os Corredores do Desespero continuaram e continuam, a sufragar o espírito do Ventor. Pelo S. José, pelo Santa Maria, pelo Hospital de Santana, pelo Instituto Português de Reumatologia, pela Clínica da Reboleira, pelo Hospital da Luz, pelo Hospital da Cuf Descobertas, pela Clínica da Luz, na Amadora, pela Clínica do Parque dos Poetas, em Oeiras, por vários consultórios e por outros locais que não enumero aqui, pelo Hospital da Amadora-Sintra, como quinta-feira passada, esses locais e instituições, fazem parte inesquecível das caminhadas do Ventor.

Hospital Amadora-Sintra, visto do lado dos Meninos da Floreira quando, em Maio passado, o Ventor procurava, nos ares da Amadora, os seus amigos falcões, Zuzu e Margarida, certamente bem mais inteligentes do que muita gente que, por muito descontentes que estejam com a sabujeira onde estão integrados, deviam servir os seus doentes com a digniade que merecem. Assim, como assim, bem ou mal, ainda são eles que lhes pagam. A hierarquia de que dependem, são como eles, seus serventes

Pelo Hospital da Amadora-Sintra já o Ventor passou algumas vezes e conhece bem aqueles corredores das urgências e o desespero de muitos dos seus amigos que passaram por lá.

Mas o Ventor também conheceu bem aqueles corredores por onde ele próprio já caminhou desesperadamente, não pelo tratamento hospitalar mas, só a pensar como conseguira ali chegar. Coisas complicadas de que não vale a pena falar.

Quinta-feira, o Ventor voltou lá! Aquela que tinha sido a avó do Quico, a avó que foi livrar-se das esmeraldas ao Hospital de Santa Maria, foi levada em mau estado para o Hospital Amadora-Sintra. Foi uma caminhada de 86 anos encostados em pequenas esquinas do tempo. Mas o Hospital da Amadora-Sintra, não deixa entrar acompanhantes, com doentes velhos, incapazes de ouvir, de compreender e até, de locomover-se, porque esse hospital e se calhar outros, mesmo que tivessem macas robotizadas, esses doentes, exactamente pelo desespero que os envolve, não seriam capazes de carregar no botão que poria a maca a rolar para o seu objectivo.

Tanto eu como o Ventor não  gostamos de dizer mal mas temos de o fazer! Os iluminados do Hospital da Amadora-Sintra, uma cambada de incompetentes, resolveram aplicar ou ruminar uma norma, uma regra ou o que lhe quiserem chamar, de os doentes não serem acompanhados. Mas há doentes e doentes! E, como se costuma dizer, não há regra sem excepção. Há doentes que não sabem explicar nada aos médicos ou seja a quem for. No nosso caso, quinta-feira, a avó das esmeraldas do Quico, foi chamada por quatro vezes, durante uma hora, para fazer exames e, clarinho como água que, ela, na situação em que se encontrava, jamais se apresentaria para qualquer exame que fosse chamada.

Três filhas foram chamar a atenção daqueles que tinham pela frente e, sempre baseados numa tal ordem hospitalar ou saída de algum gabinete de uma coisa monstrega a que chamam ministério da saúde, não podiam entrar, até que, uma delas, até aposto que seria bem capaz de enfeixar duas belas chapadas na médica que lhe apareceu pela frente e, outra, se dirigiu ao Gabinete do Utente à procura de apoio para desatar aquele Nó Górdio, bem pior do que aquele que o tal Alexandre, um velho amigo do Ventor, um dia teve de resolver. 

Por fim, com a intervenção da funcionária do Gabinete do Utente, alguém se terá apercebido que, de facto, era vergonhoso o que se passava e as coisas, tal como as águas dos montes N'Gongo, no Quénia, teriam de seguir o rumo para a sua Mombaça.

O Ventor teve conhecimento de outros casos semelhantes, como o de uma velhota que tinha dado entrada naquele hospital devido a uma trombose, esquecida num canto e outro caso grave de que já nem se recorda. Porém, o Ventor contou-me que também assistiu durante horas, a algazarras vergonhosas para aquele hospital, na porta que dá acesso ao espaço onde é feita a triagem dos doentes, quase sempre pelos mesmos motivos.

Eu explico, tal e qual como o Ventor me disse: "os doentes chegam, entram e é feita a triagem. O doente segue e, à respectiva pessoa que o acompanha é-lhe negado acompanhar o seu doente. Para o doente, dali em diante, é só dragões!

Doentes, incapacitados de resolverem qualquer problema, são simplesmente esquecidos, na maca ou na cadeira. Foi o que se passou quinta-feira. E, a estupidez é tanta, que se limitam a chamá-los para se apresentarem no local do respectivo exame. Tal e qual como se a vida desse doente fosse uma maravilha e se deslocasse ali para jogar à bisca com o examinador.  

Para o Ventor, tudo começa ali na triagem e é por isso, que ele acha que nem fazem triagem nenhuma porque, se a fizessem, reparavam logo que esse doente, de duas uma: "ou continuava acompanhado, ou o procedimento, dali em diante, teria de ser outro. Não é preciso explicar tudo tim-tim por tim-tim, pois não?

Ora bolas! São estes os hospitais que temos? São os outros como este da Amadora-Sintra? Apenas as amostragens a que o Ventor assistiu dava para pôr alguns daqueles responsáveis a ler o livro - Etiquetas (?) e Boas Maneiras, por castigo"!

Eu, este gato vosso amigo, acabei por ver o Ventor tão irritado com um hominho que apareceu ali numa janelinha virtual a vangloriar-se dos belos exemplares de hospitais que Portugal tem, que me apetecia arranhar com estas garras, todos os aldrabões que todos os dias vão arrasando este país. 

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Observando

 Sim, observando! É o que eu estou a fazer! ____________________________________________________________________________________________ O n...