sábado, 4 de agosto de 2012

As Camarinhas

 | Ventor 04.08.12

As camarinhas são frutos silvestres de um arbusto a que chamam camarinha ou camarinheira (corema album) pertencente à família das Ericaceae. A camarinheira floresce na primavera, de Março a Maio e dá os frutos brancos (drupas), durante o verão, de Julho a Setembro.

Os frutos da camarinheira fazem lembrar pérolas e, por isso, eu lhe chamo, o arbusto das pérolas.

A camarinheira, cheia de drupas - as nossas pérolas

É só apanhar as camarinhas e, comer ou oferecer

Em Adrão, pela serra de Soajo, nas minhas Montanhas Lindas, não me recordo de ver camarinhas, embora até acredite que houvesse, por lá, alguma camarinheira, algures, entre as carrascas, as ericas.

Já me fartei de ver camarinhas, algures, pela costa alentejana pois recordo bem as pérolas mas, quando me falaram em camarinhas, não sabia o que era. Desconhecia o nome mas, sempre que via as drupas, armadas em pérolas brancas, não lhes ligava nada. Para mim, frutos silvestres, são como os cogumelos, os cagordos ou machouchos de Adrão. Sei que há um que posso comer à vontade, os outros que por lá há, até podem ser os melhores do mundo mas, no entanto, não contem comigo para os comer. Nem que sejam trufas!

As trufas com os instrumentos para as sacar do subsolo. Como vêm, este mundo é cheio de maneirismos, até a ferramenta para sacar as trufas, é à maneira. Entra o porco adestrado e, detectada a coisa, aí vai pá! Toca a escavar! Claro que terão de pagar um quinhãozito ao porco, senão ele diz: "procura-as tu"! Agora também há cães treinados para a "caça" à trufa. Penso que o cão, menos exigente que o porco, deve contentar-se com uma ou duas bolinhas de granulado. Os cães que são treinados para a trufa são treinados como os seus parceiros da droga


Truffe noire du Périgord. Consta ser a mais apreciada, em França e Espanha

As trufas são um túbero que nasce sob os solos a cerca de 40 cm, junto de carvalhos, castanheiros, nogueiras, ... e são procuradas porque são muito apreciadas pelo seu aroma. Segundo o meu amigo Luis Perricho, o kg de trufas, em França, ronda os 700 a 1.000 euros. Mas há por aí informação de que, trufas brancas de Alba, uma região italiana, entre Milão e Turim, acho eu, já foram leiloadas trufas abaixo do kg, por 100.000 ou mais dólares. As trufas, podem ser o melhor petisco do mundo mas, mesmo assim, só de olhá-las, eu fujo! Vale mais ficarmos pelas camarinhas. Mesmo assim, cuidado! Eu só comi duas!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Grandes Veleiros 2012 -I

 | Ventor 23.07.12

Deixo aqui algumas fotos dos Grandes Veleiros que ontem, 22 de Julho de 2012, desfraldaram as velas e zarparam do rio Tejo, em Lisboa, rumo a Cádis.

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A Sagres abriu o cortejo 

Pode ver aqui, no Shutterfly, (já não pode!) a bela caminhada destas belezas dos mares, Tejo abaixo.

(Terá de clicar no texto verde, deixar abrir, clicar em Slideshow e, se preferir ver as fotos, em êcran inteiro, clicar, em cima, à direita, em Full Screen).

As fotos darão uma ideia desse todo, Tejo-Veleiros que sempre andam por aqui mas, em grande escala só de longe a longe. Se estou bem informado, só em 2016 voltarei a ver o rio Tejo, todo engalanado, com estas pérolas dos mares.

Até lá, tentarei regozijar-me com uma ou outra passagem da linda, Sagres, do Creoula, da Santa Maria Manuela e de um ou outro que vire as velas para matar saudades do belo rio Tejo.

Espero que aqueles que nunca viram o Tejo engalanado assim, gostem.

terça-feira, 24 de abril de 2012

A minha Homenagem a Miguel Portas

 | Ventor 24.04.12

A morte é o fim de tudo.

Eu sei que vamos morrer todos, uns mais depressa, outros mais devagar. Iremos todos prestar contas do que fizemos e do que não fizemos, durante a caminhada que tivemos entre as belezas que nos foram proporcionadas por este nosso belo Planeta Azul.

Aqui nascemos, aqui vivemos, aqui terminaremos o nosso fôlego. Prestar contas, onde? Logo veremos!

É isso que vai acontecendo com todos e, hoje, infelizmente, aconteceu com o Miguel Portas. Ele, como todos nós, irá prestar contas e, como disse atrás, não sei onde. Mas sei que, contas ao Ventor, o Miguel Portas já prestou. Terminamos hoje o nosso dever e haver. Ele tentou, na sua luta política, defender as causas que melhor lhe pareciam para as gentes do país que, tenho a certeza, defendeu com afinco.

No cômputo geral, as perspectivas do Miguel Portas era tentar conseguir o melhor para o progresso de Portugal, do seu e do meu Portugal. Os nossos trilhos não eram os mesmos, mas a luz que ele, eu e todos nós, pretendemos alcançar, é a mesma. Afinal, o que todos pretendemos, olhando as estrelas, os planetas, as nebulosas, as constelações, os buracos negros, ... é apenas que o povo português viva uma vida digna como merecerá, tal como todos os povos merecerão. Para isso basta-nos caminhar nas vias da razoabilidade entre a estrela da manhã e a estrela da tarde e, entre a estrela da tarde e a estrela da manhã. Bastar-nos-ia, portanto, olhar a nossa querida amiga Vénus, a mesma que foi inserindo a chama do amor, nos velhos portugueses que, antigamente iam prolongando caminhadas, navegando rumo às índias, na mesma rota que o Miguel Portas tanto gostava.

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Deixo aqui, um ramo de flores natural, nascido no Lugar do Sol, para o Miguel Portas

É isso meu amigo! O Senhor da Esfera levou-te, irá levar-me a mim um dia e, a nossa saga colectiva, entre estrelas ou, no meio da escuridão, contigo, comigo, com todos, irá prosseguir sempre.

Nunca fui tão abrilista como tu, longe disso que, para mim, economicamente, Abril, nunca passou dum grande fiasco! Abril só nos trouxe a liberdade, o fim da Guerra e, ... já foi muito! O resto, foi um marasmo de nabices que ainda nos continuarão a fazer sofrer e não vai ser pouco.

Pudera! Como poderiam levantar economicamente este país se os militares deixaram o país cair nas mãos de gente que nunca fez nada? O Portugal Amordaçado de que tanto se falou, amordaçado continua, não por não poder dar à língua mas por estar tulhido de alcançar tudo aquilo que nós queremos. Afinal uma coisa tão simples! Viver dentro do razoável.

Adeus Miguel. Que o Senhor da Esfera te proteja por esses lados. Por aqui, por agora, lamentando a tua sorte, só me resta deixar as minhas condolências a todos os teus amigos e à tua família que, acredito, todos sentirão a tua falta. Até um dia, Miguel.   

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Caminhar com Amigos

  | Ventor 18.04.12

Os amigos do Ventor são sempre muito especiais e hoje vou prestar homenagem a dois deles.

Um, o Ventor observou-o como amigo de carne e osso, um amigo virtual para mim mas que não esqueço o seu trabalho na selva e nas montanhas de Timor-Leste. Trata-se de João Maria de Vasconcelos que eu conheci das televisões, das rádios, dos jornais e revistas, como Taur Matan Ruak. Este seu nome de guerra, significa, em tétum (uma língua timorense), "dois olhos vivos"!

Taur Matan Ruak - o novo Presidente de Timor-Leste, nascido em 1956, o ano em que eu fazia, na Escola de Arcos de Valdevez, a 4ªa Classe - Foto tirada da Wikipédia da autoria de John de Guerre. A utilização deste ficheiro é regulada nos termos da licença Creative Commons - Atribuição - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada

Conheci-o, nos media, como comandante da FALINTIL, nos últimos tempos da ocupação de Timor-Leste pela Indonésia.

Foi eleito Presidente da República de Timor Leste, em 16 de Abril de 2012 por mais de 60% dos votos.

Boa sorte Taur Matan Ruak, para o senhor e para o povo de Timor-Leste.

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Mas tenho outro amigo que não irei esquecer. Este é aquilo a que eu chamo amigo de lata - o Discovery!

O vai-vém Discovey, preparado para mais uma das suas caminhadas de 30 anos.
Foi o vai-vém que mais caminhadas realizou

Se as informações estão correctas e, se bem me recordo, regressou ao Planeta Azul, depois da sua última caminhada, em 9 de Março de 2011. Foi este vaivém que transportou o Telescópico Espacial Hubble e a sonda espacial Ulisses.  

Deixo aqui a minha homenagem a esta bela engenhoca, levada a cabo pelos Estados Unidos e com colaboração de muitos cientistas deste mundo, entre eles, alguns portugueses que também trabalharam para a NASA. Prestando a minha homenagem a este "pedaço de lata", estou a prestar a minha homenagem a todo o Staff que trabalhou nessa frente científica do primeiro ao último trabalhador.
Resta-me desejar ao Discovery uma boa estadia no local onde o vão colocar e a que chamam museu! É preciso sorte, até para ocupar um lugar de destaque num museu qualquer. Lembro-me dos seus manos, Colúmbia e Challanger! Pela última vez terei visto hoje o Discovery ás cavalitas de outro companheiro das suas viagens de R/C - um Boeing, já habituado a transportá-lo para as suas sagas num total de 39 voos.
Até sempre Discovery!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Subir aos Lagos de Covadonga

  Ventor 19.02.10

Uma vitela, junto ao lago Enol

Depois de caminharmos pelos arredores de Covadonga, já conhecida também por Santa Cueva, onde jaz o meu amigo Pelágio, começamos a subir rumo à região dos lagos Ercina e Enol.

Foi uma subida sempre rodeada de paisagens dos Picos, numa belíssima estrada de montanha em que as gralhas começaram por ser a nossa companhia.

Um dos vinte e tal Picos da Europa. Este nas Astúrias

Para mim, sem desperdiçar das minhas vistas o encanto das paisagens montanhosas que estão debruçadas sobre Covadonga e dos seus lagos a cerca de 1200 metros de altitude, ainda mais entusiasmado fiquei quando encontrei em redor dos lagos, as vacas pastando, algumas delas em companhia dos seus filhotes que tão bem embelezavam aquelas belas montanhas

Elas caminham e observam o Ventor, junto ao lago Ercina

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Uma gralha dançando a balsa com o Ventor, junto ao lago Enol

Mas junto do lago Enol, tive também a presença das gralhas, companheiras de velhos tempos que não perderam tempo a exibir-se para mim, esvoaçando à minha volta, dançando no ar, autênticas balsas como as de Viena, tal como o Danúbio Azul e que ali, por encanto, bem poderia chamar a balsa do Enol Azul!

Esta gralha, cançada de dançar a balsa com o Ventor, no chão, decide levá-lo até às nuvens

Mas tudo o que é bom termina depressa e com o mesmo entusiasmo com que subimos o CO-4, rumo aos lagos, o mesmo entusiasmo nos trouxe de volta a Covadonga, a Cangas de Onis e nos colocou nos trilhos que nos levariam até Léon onde chegamos cerca da meia-noite.

No entanto, não deixamos Cangas de Onis, sem que uma velha amiga nos saísse ao caminho e se despedisse de nós, desejando-nos uma boa viagem e que, no futuro, nunca esquecessemos aquelas belas serras de fadas, onde os duendes se banqueteiam com todas as maravilhas da Natureza - Maravilhas feitas pelas mãos dos homens e pelas Mãos de Deus. 

 À saída de Cangas de Onis, esta águia veio para se despedir dos apreciadores do seu reino - o mesmo reino do meu amigo Pelágio

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A Caminhada do Tomás

 | Ventor 25.09.09

Feliz Aniversário, Tomás

Vamos continuar juntos a nossa Grande Caminhada. Com beijinhos dos tios e padrinhos e da Avó Júlia.

Como diria o Quico, que o Senhor da Esfera te proteja sempre.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O Cuco

  | Ventor 11.06.09

Hoje ouvi cantar o cuco! (Este hoje foi em 11.06.2009. Já passaram uns aninhos, vão ser 17).

Há muitos anos que caminho por S. Pedro de Sintra e seus arredores e, nesta época do ano, Primavera-Verão, todo esse tempo procuro ouvir este meu amigo de sempre.

Hoje, tive a sorte que há muito esperava.

Esta noite sonhei que andava a passear por campos lindos, a tentar fotografar bichos e vejam que, para além de flores e para azar meu, só vi um louva-a-deus. Não havia qualquer outro bicho, de qualquer forma ou cor. Acordei muito desapontado!

Caminhava entre as silvas floridas

Mas, quando ontem à noite me deitei, disse à dona do Quico: "se estiveres bem, um dia destes, gostava de ir ao café da Natália, comer dois travesseiros, beber o café e dar a minha voltinha dos tristes".

Hoje, de manhã, levantou-se e disse-me: "arranja-te, quero ir beber um café"! Preparamo-nos e, já a caminho, perguntei-lhe onde queria ir e, se estava bem, que escolhesse. Ela sabia que eu gostaria de ir a Sintra e disse-me para ir à Natália. Lá fomos nós, eu ela e a mãe, ficando o Quico a guardar a casa.

Deixo aqui as ginjas, simbolizando outras fruteiras que me serviram de alvo

Chegados ao Café da Natália, bebi o café e comi dois travesseiros e, como quem não quer a coisa, meti sapatos a caminho, ficando elas à minha espera, na esplanada, à sombra.

Por fim, sempre cuscando, o cântico deste meu amigo, ouvi um som esquisito por ser anormal mas, como ia a passar uma camioneta, nem liguei.

De repente, e sem qualquer dúvida, lá estava o som que eu tanto esperava: "cucu-puti, cucu-puti, cucu-puti"! Exactamente, três vezes!

Ele passou a voar na minha vertical e, pareceu-me que já tinha cantado antes mas, com tanto barulho da camioneta, fiquei na dúvida. Porém, logo de seguida, todas as dúvidas se desfizeram. O meu amigo voltou a encontrar-me!

Enquanto ia fotografando o que me interessava, apareceu no ar uma maravilha destas com o seu lindo cântico (este tirei da Wikipédia)

Passaram tantos anos e nunca mais ouvi cantar o cuco em Adrão, talvez umas três vezes no máximo. Em Moçambique, não sei se o ouvi cantar se sonhei. Ainda hoje, 40 anos depois, vivo nessa dúvida!

Durante anos, nas minhas caminhadas pelo Alentejo, ouvia sempre o cuco cantar junto à foz do rio Mira. Na margem sul, na margem norte ou sobre o rio, mas sempre a voar. Depois deixei de ir para Vila Nova de Milfontes e voltei a deixar de ouvir o cuco.

Às vezes, quando passo por Vila Nova de Milfontes, lembro-me do cuco, mas é fora da época e só penso nele em relação ao passado. Há 3-4 anos, lá para os lados do Malhão, perguntei a um amigo se já tinha ouvido o cuco cantar naquele ano. A resposta era que não, que ele ainda não tinha dado um ar da sua graça. Ele a acabar de falar e o cuco na nossa vertical com o seu cucu-puti .. cucu-puti ... Ora vê! Ele descobriu que você chegou.

Passou-se este tempo todo e eu nunca mais ouvi cantar o cuco! Mas todos os anos ia renovando a esperança de ouvi-lo e, exactamente, onde o ouvi hoje. Não percebia porque não ouvia o cuco em redor da serra de Sintra!

Vocês dirão: "e que tem isso de especial"?

Nada! Mas apetecia-me ouvir cantar o cuco!

Todos sabemos que se trata de uma ave parasita, mas de parasitas está o nosso mundo cheio e esses parasitas a que me refiro, cantam bem mas não me alegram, enquanto que o cuco canta muito melhor e alegra-me bem!

Uma ferreirinha, uma das aves parasitadas pelos cucos (tirei-a da Wikipédia)

Por isso, hoje, registarei na minha agenda que ouvi cantar o cuco, às 11:06 horas. Ainda fiquei por ali a ver se o ouvia repetir o cântico, mas não. Ele sabe que eu lhe podia chamar parasita e seguiu outro rumo ou, então, seguiu o meu, mas não cantou!

O pisco de peito ruivo, mais uma das aves parasitadas pelos cucos, tenho lindas, (mas tirei esta da Wikipédia)

Entretive-me com outros bichos! Com as ovelhas, as borboletas, as flores das silvas, outas flores, dois gatos apavorados e escondidos no meio dos fetos e das silvas. Percebi logo porquê! Uma águia bem grande andava a caçar e eu só a vi porque ela gritava para todo o seu mundo que andava por ali o Ventor.

A águia, bem grande, que apanhei já muito longe contra a sombra dos eucaliptos

Uma gatinha aterrorizada ao ouvir o pio da águia. Ela estava de olhos no céu antes de eu tirar a foto

Esta gatinha preta estava também aterrorizada, espalmada entre os fetos com o olhar no rasto da águia. Ao ver-me, achou que eu seria o seu salvador e o pinheiro grande, à sua esquerda, não me deixou tirar a foto à águia

Quando perguntava às pessoas de idade mais avançada se ouviam por ali cantar o cuco, a resposta era invariàvelmente a mesma. "Dantes cantava, agora não se ouve"!

Mas hoje eu matei saudades, ao ouvir o cântico do cuco.

Uma felosa que acabou por desproteger os seus filhotes e cuidar deste brutamontes

Recordo-me de, quando pequenino, meu pai me dizer que os cucos (cucas concerteza) punha os ovos nos ninhos de outras aves mais pequenas. Por exemplo, nos ninhos dos chascos! A mim, tudo isso me fazia uma grande confusão, mas se o meu pai o dizia, seria mesmo verdade!

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Observando

 Sim, observando! É o que eu estou a fazer! ____________________________________________________________________________________________ O n...