sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Subir aos Lagos de Covadonga

  Ventor 19.02.10

Uma vitela, junto ao lago Enol

Depois de caminharmos pelos arredores de Covadonga, já conhecida também por Santa Cueva, onde jaz o meu amigo Pelágio, começamos a subir rumo à região dos lagos Ercina e Enol.

Foi uma subida sempre rodeada de paisagens dos Picos, numa belíssima estrada de montanha em que as gralhas começaram por ser a nossa companhia.

Um dos vinte e tal Picos da Europa. Este nas Astúrias

Para mim, sem desperdiçar das minhas vistas o encanto das paisagens montanhosas que estão debruçadas sobre Covadonga e dos seus lagos a cerca de 1200 metros de altitude, ainda mais entusiasmado fiquei quando encontrei em redor dos lagos, as vacas pastando, algumas delas em companhia dos seus filhotes que tão bem embelezavam aquelas belas montanhas

Elas caminham e observam o Ventor, junto ao lago Ercina

Uma gralha dançando a balsa com o Ventor, junto ao lago Enol

Mas junto do lago Enol, tive também a presença das gralhas, companheiras de velhos tempos que não perderam tempo a exibir-se para mim, esvoaçando à minha volta, dançando no ar, autênticas balsas como as de Viena, tal como o Danúbio Azul e que ali, por encanto, bem poderia chamar a balsa do Enol Azul!

Esta gralha, cançada de dançar a balsa com o Ventor, no chão, decide levá-lo até às nuvens

Mas tudo o que é bom termina depressa e com o mesmo entusiasmo com que subimos o CO-4, rumo aos lagos, o mesmo entusiasmo nos trouxe de volta a Covadonga, a Cangas de Onis e nos colocou nos trilhos que nos levariam até Léon onde chegamos cerca da meia-noite.

No entanto, não deixamos Cangas de Onis, sem que uma velha amiga nos saísse ao caminho e se despedisse de nós, desejando-nos uma boa viagem e que, no futuro, nunca esquecessemos aquelas belas serras de fadas, onde os duendes se banqueteiam com todas as maravilhas da Natureza - Maravilhas feitas pelas mãos dos homens e pelas Mãos de Deus. 

 À saída de Cangas de Onis, esta águia veio para se despedir dos apreciadores do seu reino - o mesmo reino do meu amigo Pelágio

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Rumo aos Picos da Europa

   Ventor 30.12.09

Creio que terei mesmo de vos falar dos Picos da Europa e da caminhada que nos levou lá!

Em 10 de Julho de 2007, estava decidido.

Saímos da Amadora e, via Vilar Formoso, fizemos um raid por Salamanca, (onde fizemos um pique-nique com a companhia das joaninhas, enquanto ia recordando a zorra como petisco de outras gentes e aproveitava, também, para observar os monumentos de Salamanca), por Valladolid, por Tordesilhas, por Burgos ... e, acabamos, depois, por penetrar nas "fissuras" dos Cantábricos.

Um caminhante descansando, em Burgos, em frente da Catedral, onde se encontra o nosso amigo D. Rodrigo de Vivar - "El Cid o Campeador"

Foi um raid com um simples objectivo. Observar os Picos da Europa, e a sua inserção natural sob o tecto do meu amigo Apolo mas, como compreenderão, não é coisa fácil para tão pouco tempo. De qualquer modo, tentarei dar aqui uma amostra resumida da nossa saga que será complementada com alguns albuns fotográficos.

Poderão não significar grande coisa para vós mas, para mim, são de uma grande estima, pois eles representarão mais uma saga das minhas belas caminhadas em tempos difíceis.

Teria para mim, maior importãncia, se:

se eu vos dissesse que caminhei entre aquelas belezas naturais, de uma das mais belas regiões de Espanha e da Europa mas, com botas no chão montanhoso;

se vos dissesse que me esfarrapei todo caminhando por entre árvores verdinhas e lindas;

se vos dissesse que seria lindo para mim, informar-vos que caminhei nos Picos como caminho nos cabeços das minhas Montanhas Lindas;

se vos dissesse que caminhei entre as carmuças, os ursos pardos, os lobos, as águias reais, ... enfim, entre todos aqueles companheiros maravilhosos que ainda continuam a usufruir das belas montanhas do meu amigo Pelágio.

Então sim! Então eu teria feito uma caminhada plena.

Cilleruelo de Bezzana, nos Cantábricos

Pelágio também conheceu a saga das caminhadas mas de modo diferente da minha. Ele foi levado desde os Picos, desde a sua casa, em Cosgaya, na Liébana, até Córdoba. Só que essa caminhada foi levada a efeito sob o "jugo" dos muçulmanos, mas Pelágio, não era homem de se sujeitar a "jugos" e, pensou libertar-se das planícies de Córdoba e alcançar de novo, as suas Montanhas Lindas, onde, aí sim, ele decidiria como morrer.

Caminhar na E-80, percorrer os locais de nossos "hermanos", entrar nos profundos vales da Cordilheira Cantábrica de cabeça no ar, virada ao cimo dessas belas montanhas e, deixar que o nosso espírito fizesse, também, uma caminhada apressada com os espíritos que por lá caminharam durante muitos milénios, será importante para qualquer um que goste de apreciar as obras dos homens e as obras divinas.

Nas obras dos homens sempre conseguiremos apreciar as belas cidades monumentais, como Salamanca, Valladolid, Tordesilhas, Santander, e muitas outras localidades lindas bem  incrustadas nos meios naturais como vários pueblos e vilas, e ... como Santillana del Mar, Altamira, a terra dos fumos-Requejada, S. Vicente de la Barquera, Potes,Camaleño, Riaño, Cangas de Onis (a primeira capital do velho Reino das Astúrias, mais tarde foi Oviedo), Covadonga e tantas outras...

Nas obras divinas, aquelas que nos são representadas pela Natureza, nunca iremos esquecer os Picos e seus desfiladeiros, os vales profundos e as encostas altas, cobertas de bosques cheios de várias matizes de verdes, a adoçarem-nos o verão temperado e cobertos de flores, de fenos e de animais, tudo isto num diálogo permanente connosco. Será sempre assim a nossa visão até rematarmos, de novo, as obras dos homens na bela cidade de León.

Caminhar na Naturza - Com entrada nos Picos (Altaamira a Camaleño) 

Caminhar na Natureza - Rumo aos Picos da Europa  (Cilleruelo de Bezana a Altamira)

Caminhar na Natureza - Rumos aos Picos da Europa  (Salamanca a Cilleruelo de Bezana)

Deixarei por aqui os vários albuns de fotos que tireinas minhas caminhadas pelos Picos da Europa e seus arredores.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

A Caminhada do Tomás

 Ventor 25.09.09

Feliz Aniversário, Tomás

Vamos continuar juntos a nossa Grande Caminhada. Com beijinhos dos tios e padrinhos e da Avó Júlia.

Como diria o Quico, que o Senhor da Esfera te proteja sempre.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O Cuco

   Ventor 11.06.09

Hoje ouvi cantar o cuco! (Este hoje foi em 11.06.2009. Já passaram uns aninhos, vão ser 17).

Há muitos anos que caminho por S. Pedro de Sintra e seus arredores e, nesta época do ano, Primavera-Verão, todo esse tempo procuro ouvir este meu amigo de sempre.

Hoje, tive a sorte que há muito esperava.

Esta noite sonhei que andava a passear por campos lindos, a tentar fotografar bichos e vejam que, para além de flores e para azar meu, só vi um louva-a-deus. Não havia qualquer outro bicho, de qualquer forma ou cor. Acordei muito desapontado!

Caminhava entre as silvas floridas

Mas, quando ontem à noite me deitei, disse à dona do Quico: "se estiveres bem, um dia destes, gostava de ir ao café da Natália, comer dois travesseiros, beber o café e dar a minha voltinha dos tristes".

Hoje, de manhã, levantou-se e disse-me: "arranja-te, quero ir beber um café"! Preparamo-nos e, já a caminho, perguntei-lhe onde queria ir e, se estava bem, que escolhesse. Ela sabia que eu gostaria de ir a Sintra e disse-me para ir à Natália. Lá fomos nós, eu ela e a mãe, ficando o Quico a guardar a casa.

Deixo aqui as ginjas, simbolizando outras fruteiras que me serviram de alvo

Chegados ao Café da Natália, bebi o café e comi dois travesseiros e, como quem não quer a coisa, meti sapatos a caminho, ficando elas à minha espera, na esplanada, à sombra.

Por fim, sempre cuscando, o cântico deste meu amigo, ouvi um som esquisito por ser anormal mas, como ia a passar uma camioneta, nem liguei.

De repente, e sem qualquer dúvida, lá estava o som que eu tanto esperava: "cucu-puti, cucu-puti, cucu-puti"! Exactamente, três vezes!

Ele passou a voar na minha vertical e, pareceu-me que já tinha cantado antes mas, com tanto barulho da camioneta, fiquei na dúvida. Porém, logo de seguida, todas as dúvidas se desfizeram. O meu amigo voltou a encontrar-me!

Enquanto ia fotografando o que me interessava, apareceu no ar uma maravilha destas com o seu lindo cântico (este tirei da Wikipédia)

Passaram tantos anos e nunca mais ouvi cantar o cuco em Adrão, talvez umas três vezes no máximo. Em Moçambique, não sei se o ouvi cantar se sonhei. Ainda hoje, 40 anos depois, vivo nessa dúvida!

Durante anos, nas minhas caminhadas pelo Alentejo, ouvia sempre o cuco cantar junto à foz do rio Mira. Na margem sul, na margem norte ou sobre o rio, mas sempre a voar. Depois deixei de ir para Vila Nova de Milfontes e voltei a deixar de ouvir o cuco.

Às vezes, quando passo por Vila Nova de Milfontes, lembro-me do cuco, mas é fora da época e só penso nele em relação ao passado. Há 3-4 anos, lá para os lados do Malhão, perguntei a um amigo se já tinha ouvido o cuco cantar naquele ano. A resposta era que não, que ele ainda não tinha dado um ar da sua graça. Ele a acabar de falar e o cuco na nossa vertical com o seu cucu-puti .. cucu-puti ... Ora vê! Ele descobriu que você chegou.

Passou-se este tempo todo e eu nunca mais ouvi cantar o cuco! Mas todos os anos ia renovando a esperança de ouvi-lo e, exactamente, onde o ouvi hoje. Não percebia porque não ouvia o cuco em redor da serra de Sintra!

Vocês dirão: "e que tem isso de especial"?

Nada! Mas apetecia-me ouvir cantar o cuco!

Todos sabemos que se trata de uma ave parasita, mas de parasitas está o nosso mundo cheio e esses parasitas a que me refiro, cantam bem mas não me alegram, enquanto que o cuco canta muito melhor e alegra-me bem!

Uma ferreirinha, uma das aves parasitadas pelos cucos (tirei-a da Wikipédia)

Por isso, hoje, registarei na minha agenda que ouvi cantar o cuco, às 11:06 horas. Ainda fiquei por ali a ver se o ouvia repetir o cântico, mas não. Ele sabe que eu lhe podia chamar parasita e seguiu outro rumo ou, então, seguiu o meu, mas não cantou!

O pisco de peito ruivo, mais uma das aves parasitadas pelos cucos, tenho lindas, (mas tirei esta da Wikipédia)

Entretive-me com outros bichos! Com as ovelhas, as borboletas, as flores das silvas, outas flores, dois gatos apavorados e escondidos no meio dos fetos e das silvas. Percebi logo porquê! Uma águia bem grande andava a caçar e eu só a vi porque ela gritava para todo o seu mundo que andava por ali o Ventor.

A águia, bem grande, que apanhei já muito longe contra a sombra dos eucaliptos

Uma gatinha aterrorizada ao ouvir o pio da águia. Ela estava de olhos no céu antes de eu tirar a foto

Esta gatinha preta estava também aterrorizada, espalmada entre os fetos com o olhar no rasto da águia. Ao ver-me, achou que eu seria o seu salvador e o pinheiro grande, à sua esquerda, não me deixou tirar a foto à águia

Quando perguntava às pessoas de idade mais avançada se ouviam por ali cantar o cuco, a resposta era invariàvelmente a mesma. "Dantes cantava, agora não se ouve"!

Mas hoje eu matei saudades, ao ouvir o cântico do cuco.

Uma felosa que acabou por desproteger os seus filhotes e cuidar deste brutamontes

Recordo-me de, quando pequenino, meu pai me dizer que os cucos (cucas concerteza) punha os ovos nos ninhos de outras aves mais pequenas. Por exemplo, nos ninhos dos chascos! A mim, tudo isso me fazia uma grande confusão, mas se o meu pai o dizia, seria mesmo verdade!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O Travesseiro ---

   Ventor 17.04.09

...ou travesseiros, pela beleza de Sintra!

Um pombo bravo que quis dois dedos de conversa

Um coelho bravo mais um amigo do Ventor

Mais amigos do Ventor que quiseram dar-me as boas vindas

Mais uma vez vou ter de falar-vos dos travesseiros. E porque não das queijadas, dirão vocês! Não falo de queijadas porque são os travesseiros o meu programa para as festas. Comer dois travesseiros, beber um café e dar uma caminhada por Sintra ou seus arredores é um dos meus momentos favoritos, sempre que posso.

Ontem foi um desses dias.

A beleza das deladeiras, tem feito parte das minhas caminhadas

Eram recantos destes que, noutros tempos  as cobras ameaçavam o Ventor, Dedaleiras, fetos, ervas e o terrível vibrar sibilino de cobras gordinhas e parece que conheciam como eu me queria ver longe delas!

Mas as dedaleiras são mesmo um encanto!

Fomos a S. Pedro de Sintra, ao Café da "minha prima" Natália e como não podia deixar de ser, bebi o café e comi os dois travesseiros da praxe! Deixei a Dona do Quico e a avó do Tomás, ali, cavaqueando abrigadas do frio e parti para a voltinha que sempre gosto e depois desta terminada, lá fomos para observar se haviam por ali alguns dos animais que me vão animando nestas belas caminhadas sintrenses. Mas nada!

Em Adrão chamamos-lhe "estroques"

Os galegos chamam-lhe "stroks"


Soprando na flor e apertando o ar lá dentro, dá um "estrondo" tipo bomba de carnaval

Mas encontrei outros belos "rapazolas" para me acompanharem na apreciação das belezas daquele local. Ao encostar o carro num trilho de terra, reparei que um coelho, todo empinado e sustentado nas patas trazeiras nos ia observando como se nós fossemos uns marcianos acabadinhos de chegar. Tirei a máquina, preparei o "shot" mas, pareceu-me ouvir ele dizer: "na, na! Querias? Paparasis não"! E, em dois pulitos, entrou no silvado.

Não é por acaso que, de vez em quando, encontro por aqui aves de rapina. E melhor que eu, elas vêm bem os coelhos

Saí do carro, utilizando o meu passo de leopardo e fui-me chegando, sorrateiramente, tal como um caçador faria, mas não o vi. Olhei para a minha direita e vi um coelho, em grande velocidade, seguir a linha do horizonte e também não deu para dar gosto ao dedo. Ainda pensei que fosse o mesmo coelho mas parecia-me impossível. Encontrei dedaleiras e esqueci-me logo aqueles "anti-paparasis". Segui o trajecto das dedaleiras e fui disparando mas, quando dei por mim, andavam os coelhos todos entusiasmados num frenético vai e vem, por entre as dedaleiras, a observar-me e controlar-me!


Observar, calmamente, as flores da macieira liberta-nos do aprisionamento do stress

Podem acreditar que aqueles malandros estão bem organizados!

Então, tirei o som da máquina e, como quem não quer a coisa, dediquei-me às dedaleiras e, assim, entretinha-me com a beleza das dedaleiras e com a organização dos coelhos e entretinha-me, também, a disparas para ver se, apesar de ser longe, obtinha alguma foto de jeito. Mas, assim, quem fica sem jeito sou eu! Os coelhos iam caminhando por entre as dedaleiras e eu ia observando aquela rapaziada e disparando sempre.

Depois fui ver uma velha macieira que se enfeitou com as suas belas flores para me receber e, visto de mais longe, lá estava o primeiro coelho controlador que quase me fazia lembrar uma marmota observando tudo à sua volta. Depois voltei a ver mais coelhos entre as dedaleiras, uns observando-me e outros a fazerem a sua vida normal como quem não quer a coisa.

Imaginam como serão os campos de produçãp de lavanda em França? Uma beleza!

Por todos os motivos e mais alguns, Sintra continua a ser o meu campo de ligação ao passado. É por lá que vou observando os grandes arvoredos, os animais que, nos velhos tempos, animaram a minha alvorada. Por ali está tudo presente!

Vacas, cavalos, ovelhas, cabras, burros ... coelhos, perdizes, pombos bravos, pica-paus, ... os carvalhos, os sobreiros, as silvas com as suas amoras, o tojo, os fetos, as dedaleiras ... enfim!


Uma beleza branca, que me dá os bons dias, as boas tardes e as boas noites ...

... pois são bolbos lindos, branquinhos aqui ao pé da porta

Para além de tudo isso, Sintra, tem muitas belezas sem fim e tem, também, as queijadas e os travesseiros.

Nada mau para fugir à rotina citadina, ao betão, ao bulício ...

Assim, tento também dar algum ânimo à dona do meu Quico e a mim.

Também ao pé da porta, a flor da salsa

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Adeus ...

    Ventor  06.08.07 ... até sempre! Hoje sinto-me triste! Hoje disse adeus a uma companheira de trabalho. No mundo moderno, há muitas novas...