(Terá de clicar no texto verde, deixar abrir, clicar em Slideshow e, se preferir ver as fotos, em êcran inteiro, clicar, em cima, à direita, em Full Screen).
As fotos darão uma ideia desse todo, Tejo-Veleiros que sempre andam por aqui mas, em grande escala só de longe a longe. Se estou bem informado, só em 2016 voltarei a ver o rio Tejo, todo engalanado, com estas pérolas dos mares.
Até lá, tentarei regozijar-me com uma ou outra passagem da linda, Sagres, do Creoula, da Santa Maria Manuela e de um ou outro que vire as velas para matar saudades do belo rio Tejo.
Espero que aqueles que nunca viram o Tejo engalanado assim, gostem.
Eu sei que vamos morrer todos, uns mais depressa, outros mais devagar. Iremos todos prestar contas do que fizemos e do que não fizemos, durante a caminhada que tivemos entre as belezas que nos foram proporcionadas por este nosso belo Planeta Azul.
Aqui nascemos, aqui vivemos, aqui terminaremos o nosso fôlego. Prestar contas, onde? Logo veremos!
É isso que vai acontecendo com todos e, hoje, infelizmente, aconteceu com o Miguel Portas. Ele, como todos nós, irá prestar contas e, como disse atrás, não sei onde. Mas sei que, contas ao Ventor, o Miguel Portas já prestou. Terminamos hoje o nosso dever e haver. Ele tentou, na sua luta política, defender as causas que melhor lhe pareciam para as gentes do país que, tenho a certeza, defendeu com afinco.
No cômputo geral, as perspectivas do Miguel Portas era tentar conseguir o melhor para o progresso de Portugal, do seu e do meu Portugal. Os nossos trilhos não eram os mesmos, mas a luz que ele, eu e todos nós, pretendemos alcançar, é a mesma. Afinal, o que todos pretendemos, olhando as estrelas, os planetas, as nebulosas, as constelações, os buracos negros, ... é apenas que o povo português viva uma vida digna como merecerá, tal como todos os povos merecerão. Para isso basta-nos caminhar nas vias da razoabilidade entre a estrela da manhã e a estrela da tarde e, entre a estrela da tarde e a estrela da manhã. Bastar-nos-ia, portanto, olhar a nossa querida amiga Vénus, a mesma que foi inserindo a chama do amor, nos velhos portugueses que, antigamente iam prolongando caminhadas, navegando rumo às índias, na mesma rota que o Miguel Portas tanto gostava.
Deixo aqui, um ramo de flores natural, nascido no Lugar do Sol, para o Miguel Portas
É isso meu amigo! O Senhor da Esfera levou-te, irá levar-me a mim um dia e, a nossa saga colectiva, entre estrelas ou, no meio da escuridão, contigo, comigo, com todos, irá prosseguir sempre.
Nunca fui tão abrilista como tu, longe disso que, para mim, economicamente, Abril, nunca passou dum grande fiasco! Abril só nos trouxe a liberdade, o fim da Guerra e, ... já foi muito! O resto, foi um marasmo de nabices que ainda nos continuarão a fazer sofrer e não vai ser pouco.
Pudera! Como poderiam levantar economicamente este país se os militares deixaram o país cair nas mãos de gente que nunca fez nada? O Portugal Amordaçado de que tanto se falou, amordaçado continua, não por não poder dar à língua mas por estar tulhido de alcançar tudo aquilo que nós queremos. Afinal uma coisa tão simples! Viver dentro do razoável.
Adeus Miguel. Que o Senhor da Esfera te proteja por esses lados. Por aqui, por agora, lamentando a tua sorte, só me resta deixar as minhas condolências a todos os teus amigos e à tua família que, acredito, todos sentirão a tua falta. Até um dia, Miguel.
Os amigos do Ventor são sempre muito especiais e hoje vou prestar homenagem a dois deles.
Um, o Ventor observou-o como amigo de carne e osso, um amigo virtual para mim mas que não esqueço o seu trabalho na selva e nas montanhas de Timor-Leste. Trata-se de João Maria de Vasconcelos que eu conheci das televisões, das rádios, dos jornais e revistas, como Taur Matan Ruak. Este seu nome de guerra, significa, em tétum (uma língua timorense), "dois olhos vivos"!
Taur Matan Ruak - o novo Presidente de Timor-Leste, nascido em 1956, o ano em que eu fazia, na Escola de Arcos de Valdevez, a 4ªa Classe - Foto tirada da Wikipédia da autoria de John de Guerre. A utilização deste ficheiro é regulada nos termos da licença Creative Commons - Atribuição - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada
Conheci-o, nos media, como comandante da FALINTIL, nos últimos tempos da ocupação de Timor-Leste pela Indonésia.
Foi eleito Presidente da República de Timor Leste, em 16 de Abril de 2012 por mais de 60% dos votos.
Boa sorte Taur Matan Ruak, para o senhor e para o povo de Timor-Leste.
Mas tenho outro amigo que não irei esquecer. Este é aquilo a que eu chamo amigo de lata - o Discovery!
O vai-vém Discovey, preparado para mais uma das suas caminhadas de 30 anos.
Foi o vai-vém que mais caminhadas realizou
Se as informações estão correctas e, se bem me recordo, regressou ao Planeta Azul, depois da sua última caminhada, em 9 de Março de 2011. Foi este vaivém que transportou o Telescópico Espacial Hubble e a sonda espacial Ulisses.
Deixo aqui a minha homenagem a esta bela engenhoca, levada a cabo pelos Estados Unidos e com colaboração de muitos cientistas deste mundo, entre eles, alguns portugueses que também trabalharam para a NASA. Prestando a minha homenagem a este "pedaço de lata", estou a prestar a minha homenagem a todo o Staff que trabalhou nessa frente científica do primeiro ao último trabalhador.
Resta-me desejar ao Discovery uma boa estadia no local onde o vão colocar e a que chamam museu! É preciso sorte, até para ocupar um lugar de destaque num museu qualquer. Lembro-me dos seus manos, Colúmbia e Challanger! Pela última vez terei visto hoje o Discovery ás cavalitas de outro companheiro das suas viagens de R/C - um Boeing, já habituado a transportá-lo para as suas sagas num total de 39 voos.
Todos nós, sem excepção, teremos o fim da vida. Também o Mark Twain teve! Também o Leão Tolstoi teve! ... Todos teremos, todos nós os que ainda estamos vivos.
Haverá os que morrem e de quem mais ninguém voltará a falar. Será porventura o meu caso e da maioria e haverá os que morrem e de que o mundo, por várias razões, nunca se esquecerá. É o caso desses que falei atrás, é o caso de D. Afonso Henriques, é o caso de Abraham Lincoln e, será o caso de tantos outros que o mundo não irá esquecer.
Mas estamos a falar de pessoas! Há também a morte das instituições, empresas, hospitais, cinemas, cafés, teatros, livrarias, ... nações ... sei lá que mais! Morre tudo!
Hoje, sentei-me frente ao computador e decidi fazer um post. vou falar aqui, pela ponta dos meus dedos, da morte de uma livraria. A Livraria Portugal.
É pequena a minha história sobre a compra de livros na Livraria Portugal. Mas tenho uma grande convivência com as suas portas e montras e transforma-a, tornando-a maior.
Olha como é a Rua do Carmo!
Hoje, já podemos perguntar: "Recordais-vos como era a Rua do Carmo? Não vai ser fácil passar na Rua do Carmo e não ter a imagem da Livraria Portugal. Desde 1961 que eu aprendi a observar aquele espaço como um dos mais belos espaços do Chiado. Sempre gostei e admirei o contraste multiforme que os livros dão a uma livraria. Sempre gostei de livrarias. Observar o colorido das montras e das prateleiras que os livros nos permitem observar e, a Livraria Portugal, tal como a Livraria Bertrand e a Livraria Sá da Costa, foram os meus espaços preferidos para essa observação, caminhando por elas e com elas, pelo Chiado.
O livro que comprei na Livraria Portugal, em 1967
Este livro acompanhou-me na minha guerrinha africana e komarov acompanhou-me, assim, a sul do Equador. Caminhamos juntos porque o Senhor da Esfera assim quis
Recordo-me bem do primeiro livro que comprei na Livraria Portugal! Já lá vão um grande par de anos. Ainda o tenho por aí. Faz parte do meu stock histórico. "Meu filho, nunca voes muito alto, nem muito depressa"! Foi uma das frases, mas não só, que me prendeu a esse livro. Era a mãe de Komarov a falar com o filho quando ele, um puto, a informou que se decidira ingressar na Força Aérea Soviética.
Subia eu a Rua do Carmo e, fiz rebolar os olhos sobre a montra da Livraria Portugal, como sempre fazia. Na frente, bem visível, um livro com a foto de Vladimir Komarov, na capa. Folheei o livro, dirigi-me à caixa, paguei e fui começar a devorá-lo na Brasileira do Chiado. Foi, de certeza, um dos livros que eu li mais depressa e, como não poderia deixar de ser, a minha única lembrança da minha compra de livros, na Livraria Portugal.
A morte de Vladimir Komarov
Voltei a reler o livro. Foi um dos privilegiados a caminhar comigo na minha "guerra" africana. Quase me atrevia a dizer que o Vladimir Komarov andou sempre comigo. Ele foi a minha sombra e eu, por causa dele, acompanhei sempre a grande corrida da conquista do espaço, entre americanos e soviéticos.
Há dias que fiquei triste quando soube que a Livraria Portugal iria fechar as portas. Quase não me dava para acreditar mas, no dia 29 de Fevereiro, chegou a hora da realidade dos factos.
O nosso país está bolorento e cheio de manchas podres. Portugal não lê, não compra livros por dois motivos: "falta de dinheiro e falta de vontade de ler". Também nisso eu mudei radicalmente. Havia, outrora, uma vontade enorme de ler mas, hoje, são muitos os factores que me afastaram dos livros, de comprar os livros novos:
primeiro, ando afastado das belas montras dos livros;
segundo, quando folheio um livro, fico com a sensação que já li aquilo tudo;
terceiro, o cheiro das tintas e do papel, tal como acontece com os jornais e revistas, fazem-me alergias, lacrimejo e acabo com a leitura;
quarto, posso dizer que desisti sem luta. Limitei-me a encostar às boxes.
quinto, a última obra que comprei custou-me uma "fortuna" e vou acabar por morrer, também, sem a ler, pelas razões anteriores.
Nunca tinha comprado tanto livro junto, de uma só vez! Primeiro, porque queria actualizar um pouco, pois iria ter tempo de sobra para ler e ver vídeos. Tinha-me esquecido, que deixei de ser um leitor assíduo de revistas e semanários por causa dos cheiros que me faziam lacrimejar os olhos e tinha de acabar com a leitura.
Não contente com isso, trouxe para casa:
18 volumes, de uma Geografia Ilustrada;
10 volumes da Nossa Natureza;
10 volumes das Maravilhes do Mundo;
10 Volumes da Terra Viva;
15 DVD's sobre tudo isso;
1 livro novo razoavelmente grande, "Os Lusíadas";
1 Novo Atlas do Mundo;
Tudo isto, apenas, para dizer que também estou a morrer. Tornou-se dificílimo, para mim, folhear livros. Portanto, por mil e uma razões, e para infelicidade de todos nós, acredito que mais livrarias irão morrer e farão companhia à Livraria Portugal.
Já imaginaram o que será de Lisboa, sem as suas livrarias? O que será o nosso país, sem livrarias? Será isso que irá acontecer nos próximos tempos! E, o "a, e, i, o, u"? Perguntarão vocês. Pois! No meu tempo levava a lousa e os livros. Agora, estão a entrar os Laptops, os Tablets (não são chocolates, não!), os ... !
Um dia chegarão à conclusão que, afinal, o Ventor não falhava muito. E as Bibliotecas? Valerá a pena editar livros só para bibliotecas? Terão os serviços públicos dinheiros para as manter?
Resumindo: ou vai ter de mudar tudo, ou chega a morte para tudo que ainda nem sonhamos.
No dia que a Sagres fez anos, neste ano de 2012, fui cumprimentá-la ao Tejo. Encontrei-a no mesmo local, onde o navio Niassa me apanhou para me levar para os confins de África. Vi, lembrei e recordei, o início de uma caminhada inesquecível.
Vi o Sagres, tirei umas fotos, conversei com ele, à minha moda, mas não entrei! Ouvi o Infante dizer-me: "foi tempo, Ventor! Foram tempos áureos em que tivemos de fazer o peito ao mar e avançar!
"Foi tempo em que desafiamos todos os Adamastores. Não foi só um! Foi uma catrefa deles desde a PONTA, lá em baixo, a Ponta de Sagres (nome que esta beleza austenta), até aos confins do mundo".
"Eu sei que tu julgaste que o irias enfrentar no campo da luta entre os oceanos que ali se enfrentam há milénios - o Atlântico e o Índico. Mas, como tu dizes, Apolo quis estar sempre a teu lado e demonstrar-te que, nos campos de Neptuno, o Adamastor poderá aparecer em qualquer esquina do mar, como o fez quando iniciavas a entrada na Baía do Espírito Santo, para conheceres a princesa dos teus sonhos, espraiada frente ao Índico - Lourenço Marques".
Na proa, a rasgar as águas, o Infante D. Henrique
Não entrei no Sagres, evito apertos, sempre que posso, mas deu para embrulhar, nos meus olhos, todo aquele espaço, por onde tenho passado, de vez em quando, pelos anos fora.
Ali, não tinha apenas o Navio Escola Sagres! Ali, estava o Vera Cruz, com mais de 2.000 homens a bordo, gritando que iria arrancar para o mar que conhecia bem mas, para aqueles militares era o desconhecido. Não participei na formatura de cerca de 4.000 homens mas, vi todos eles virados para as varandas da Rocha do Conde de Óbidos, muitos deles com a tristeza estampada nos rostos, enquanto eu, caminhando, no meio de uma multidão sem fim, que chorava, com lenços nas mãos que davam para acenar o adeus e para limpar as lágrimas, procurava e não encontrava quem queria. Meti-me no meio dessa multidão que via alguém chamar-me, de junto do Niassa, ao lado da minha mala e, quando se aperceberam que o chamado era eu, começara a incentivar-me a desistir: "desiste, não vás! Já stás cá fora!
O "Terreiro dos Choros e dos Sonhos" - Rocha Conde de Óbidos, no rio Tejo, em Lisboa
Como as dificuldades de sair dali, se tornaram enormes, não penetrava por qualquer lado, fui empurrando, rumo ao sítio mais curto. Precisava de espaço para tomar balanço e saltar as grades para o lado do Tejo. Foi então que tive uma ajuda preciosa. Olhei para a cara do homem que me tentava auxiliar e vi uma lágrima em cada olho. Ele fez um gesto e a multidão colaborou. Arrangei espaço e não saltei, voei sobre as grades para um espaço onde comecei a respirar. O homem que me ajudou, disse: "salte por aqui, meu rapaz, o meu filho já foi no outro. Que Deus vos acompanhe a todos", era um General que se fora despedir do filho que já tinha partido no Vera Cruz e ficou a aguardar a partida do Niassa.
O Navio Escola Sagres, mostra a sua beleza e saúda os portugueses, honrando-os com os seus 50 anos de Serviços
Fui o último militar a entrar no barco. Quando cheguei ao último degrau da grande escada, virei-me e acenei àquela gente, no meio dela, estavam alguns dos meus amigos que se foram despedir mas, que não cheguei a ver. No momento em que acenei, num todo, o esforço do adeus redobrou. Até pareceu que os braços e os lenços se multiplicaram. Olhei o sítio onde saltei e lá estava o general a dar com um bengalim ou chicote, numa perna. Vi que também levantou o braço. Eu levantei o meu, levantei a mão esticada até junto do meu boné que ostentava a gloriosa águia da Força Aérea e fiz-lhe, mais uma vez, a continência que era, para mim, naquele momento, o meu abraço a toda aquela multidão, onde muitos gritavam boa viagem, que Deus vos acompanhe ... e outros, lá no meio, estavam desesperados por não conseguirem abraçar-me.
Os portugueses, que puderam, foram felicitar o Sagres e agradecer-lhe
Recordei, então, ao lado do Navio Escola Sagres, toda aquela multidão, de rostos tristes, de braço no ar, dos lenços brancos! Olhei o espaço onde isso tudo aconteceu. As varandas estavam vazias, as grades não estavam lá, a multidão era outra e não passava duma súmula da de então mas, os gritos, lá estavam, penetrando no meu cérebro. Parece que liguei um botão para os recordar.
Mas de vez em quando, vejo as velas do Sagres desfraldadas, a entrar ou a sair do Tejo. Vejo a cruz vermelha, semelhante à da Força Aérea, ostentadas nas asas dos aviões e recordo-me dos tempos que o tempo não repete, mas que o "disco rígido" não desperdiça. Recordo-me da Cruz que substituiu a dos Templários, como Portugal deu a volta às pretensões do Rei de França, Filipe o Belo e a um Papa qualquer. Substituímos a Cruz e estava tudo feito. A Ordem deixou apenas de se chamar dos Templários e passou a chamar-se de Cristo - a Ordem de Cristo.
Isto permite-nos observar como o mundo, o nosso mundo e o mundo dos outros, é feito de voltas e reviravoltas. É o caso do navio Sagres que já pertenceu a quatro países. E sabem uma coisa? Com uns pechisbeques aqui e ali, com o Infante D. Henrique a abrir as ondas, com a Cruz de Cristo nas suas velas, ele deixou de ser apenas um barco e tornou-se numa maravilha dos mares!
Quando o Sagres abala, nas suas voltas ao mundo, já fez três,desfralda as suas velas e grita: "eu honro Portugal"
Mas este Sagres, é o Sagres III. É o terceiro navio a desempenhar as suas funções e a levar o nome de Portugal a cruzar os mares, os oceanos. Ele é o representante nacional e internacional da Marinha e do Estado Português. Por isso, tudo o que é «Sagres», tem uma história.
Este Sagres, o Sagres III, foi construído na Alemanha, nos estaleiros de Hamburgo, em 1937, para desempenhar as funções de navio escola da Marinha Alemã. Chamou-se Albert Leo Schlageter. No final da II Guerra Mundial, foi troféu de guerra dos americanos e vendido em 1948 ao Brasil, onde se chamou Guanabara. No Brasil, serviu como navio escola até 1961, ano em que foi adquirido por Portugal e entrou ao serviço da Marinha Portuguesa, em 8 de Fevereiro de 1962, até hoje.
Ele é uma pérola da Marinha Portuguesa e um símbolo de Portugal. Voltaremos a encontramo-nos, pelo Tejo, Sagres.