sexta-feira, 14 de abril de 2006

A última águia real

   Ventor 14.04.06

Hoje, chamaram-me para ouvir uma notícia triste na SIC.

Um estudioso da Águia Real por zonas das Minhas Montanhas Lindas, diz que apenas há uma Águia Real no Parque Nacional da Peneda Gerez.

Imagem de Águia Real retirada da Wikipédia

Eu sinto o meu corpo estremecer quando ouço o «Grito da Águia». Normalmente o Grito da Águia de Asa Redonda, ou da Águia de Boneli. Sinto que elas me chamam e me fazem queixa do nosso desnorte.

Antigamente, nos meus tempos de miúdo, eu ouvia nos vales e montanhas da serra de Soajo, os gritos das Águias Reais. De vez em quando, aparecia junto de mim, a voar ou pousada, o corpo majestoso da Águia Real. Normalmente aparecia sempre solitária, mas cheguei a ver o casal a fazer as suas danças nupciais. Cheguei a ver uma Águia Real apanhar um cordeiro diante da sua dona e larga-lo nas alturas, talvez por a pele do animal se ter rompido nas garras daquela beleza alada.

Ainda tinho esperança de, na minha próxima ida à Pedrada, encontrar alguma Águia Real a fazer-me companhia, mas a esperança é muito ténue. De qualquer modo, ouvi um senhor, na imagem, dizer que ela tinha voado para os lados do Ramiscal. Eu que atravessei o Ramiscal com 12 anos, sob giestas retorcidas na raiz, carvalhos e matagais sem fim, há muitos anos, não precisarei de o fazer hoje, para ver a Águia Real se ela por lá andar. Vou fazer pousar a grande Águia junto de mim, Miguel Dantas!

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Certamente que preferias as rogosidades das rochas ou o galho de uma árvore, que estar cercada de arame em rede sobre boas madeiras aplainadas. Choro silenciosamente a tristeza da tua prisão.

Deixo aqui um obrigado a todos que trabalham, todos os dias, para fazerem abrir nucas de cabeças nhurras!

Espera por mim Águia linda, para podermos ver juntos, mais uma vez, as nossas Montanhas Lindas. A única homenagem que te posso prestar é escrever sempre o teu nome com letra grande.

Eu acredito nele, porque não tenho razões para não acreditar, antes pelo contrário! No processo desencadeado pelo progresso da chamada «modernidade», o homem desencadeou a sua própria extinção e de todos os animais seus companheiros de caminhada. As causas são muitas e deixo-as para os especialistas, mas não deixarei de considerar a minha espécie de «bicho execrável»!

Acredito que o Eng. Miguel Dantas, creio ser este o seu nome, que se dedica ao estudo da Águia Real, há vinte anos, segundo ouvi, verterá lágrimas pela sua «querida amiga», quando notar a falta dela nos céus, sobre a sua cabeça.

Todos que são honrados com as aparições dessa e de outras belas rapaces, sentirão saudades, um dia, de não mais acompanharam a sua beleza a cruzar os ares entre as montanhas ou ver o seu perfil pousado sobre as mais altas rochas em redor.

domingo, 9 de abril de 2006

Os amigos

  Ventor 09.04.06

Por aqui, através desta maravilhosa janela tenho feito bastantes amigos, e para além disso, obtido contactos perdidos, inclusivamente, contactos que nunca deveria ter perdido.

Mas hoje quero aqui falar-vos de um dos muitos amigos que obtive através desta janelinha. O meu amigo, Belmiro Xavier. Creio que lhe posso chamar amigo, porque não é toda a gente que perde uns minutos a incentivar-nos, a mim e ao Quico, a prosseguirmos esta Grande Caminhada.

Em Adrão

O Belmiro tem-nos incentivado através de e-mails e através do Guestbook a prosseguirmos este entretimento. Passa por aqui muita gente, mas nem todos têm sensibilidade para perder um minuto a dizer ao Quico que as coisas estão bem ou mal. Houve um momento em que não se viam algumas das fotos colocadas no Site e ninguém teve a amabilidade de me informar. Teve de ser um americano dos confins das Américas, um “camon”, a me informar e a dar-me, posteriormente, o feedback. Esse americano disse-me que tinha muita pena não saber português para poder ler os meus textos mas que fazia a tradução via Google, e não era a mesma coisa. Já lhe agradeci na devida altura pela sua amabilidade.

E porque destaco agora o Belmiro neste post? Porque nem eu conheço o Belmiro nem ele a mim pois nunca nos vimos, ou pelo menos, nunca fomos apresentados, mas ele sabe que um dos problemas que eu tenho tido é não ter fotos da minha aldeia para colocar aqui, pois das que tenho, nem todas posso aqui colocar, porque não pedi autorização às pessoas para o fazer. E o meu amigo Belmiro, em boa hora, deslocou-se da sua cidade, Braga e caminhou pelas minhas Montanhas Lindas, fotografou-as no seu manto branco e teve a amabilidade de partilhar as suas fotos comigo, enviando-as, via e-mail.

No seu e-mail dizia que me enviava fotos tiradas em 26 de Fevereiro de 2006 das Minhas Montanhas Lindas vestidas de branco, lindas, como nunca as tinha visto! Nos meus tempos de criança vi-as assim muitas vezes, mas cheguei a ver tudo coberto de neve onde só as verticais das paredes das casas tinham cor diferente.

Como muito bem tenho verificado nestes meandros da Net, os amigos podem não ter, para nós, um rosto, mas podemos verificar que, muitos deles, têm uma alma.

Obrigado Belmiro,

segunda-feira, 13 de março de 2006

Mais um raid sobe o Alentejo

  Ventor 13.03.06

Mais um raid e mais uma observação de passagem sobre estas lindas meninas albi-negras. Estas são as minhas meninas que me acompanharam por terras africanas e foram, também, belas companheiras de guerra.

Esta aldeia de cegonhas é um marco belo na caminhada de todos que por ali passam.

Junto à barragem de S. Domingos assisti a um bailado entre uma cegonha e uma águia, afastadas mas a reclamarem que o mundo é de todos e nos céus alentejanos estas duas belezas cohabitam e mantêm os seus propósitos.

É com as cegonhas que eu reabro novas caminhadas do Ventor.

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Elas executam um bailado para o Ventor

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As cegonhas parecem viver felizes no Alentejo

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Belezas à nossa passagem

domingo, 5 de março de 2006

Escuridão e Luz

  Ventor 05.03.06

Tive um sonho muito mau! Sonhei que voltei à idade das trevas. Senti que caminhávamos na escuridão, ouvia as pessoas falarem mas, à minha volta, só existia a negrura completa. No entanto, olhava o firmamento e lá estavam as lindas meninas tremeluzentes na abóbora celestial.

Depois lembrava-me que tinha existido uma época brilhante e na escuridão aguardava que o meu amigo Apolo aparecesse no horizonte e me ferisse a vista com a sua luz, mas aguardava, aguardava, e a noite era eterna.

Acordei a pensar nisso e na beleza da luz.

Entretanto, nesse mesmo dia a minha mulher, uma irmã e uma sobrinha foram até Odrinhas ali para os lados de Sintra, visitar uma loja de quinquilharias e resolveu comprar um candeeiro de petróleo!

Um dia depois fomos à nossa casa de Massamá e encontrei esta preciosidade. Um candeeiro a sério, com petróleo, torcida e tudo. Só me faltavam os fósforos ou o isqueiro para pegar fogo à torcida. Já tenho saudades das candeias de petróleo que me esturricaram as pestanas durante os anos primórdios.

Gostei desta prenda!

Depois comecei a pensar porque raio usar cera (as célebre velinhas) como alternativa às falhas da electricidade? Mas pronto, eu sei que no dia que usar o meu candeeiro a petróleo (durante o tempo que o curtir) não estarei aqui a tentar dialogar convosco sobre estas teclas. Mas, pelo menos enquanto houver petróleo no mundo, não viverei uma noite de trevas como aquela do meu sonho.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

1ª Caminhada de 2006

   Ventor 05.01.06

Ao 4º dia de Janeiro de 2006, caminhei 4 horas com a arrelia do nosso Planeta Azul.

Quatro horas, foi muito bom para quem já não fazia caminhadas a sério há algum tempo. Os últimos tempos, poucos, foram absorvidos em caminhadas com outros afazeres. Arranjei tempo para assistir à partida da Grande Caminhada, Lisboa Dakar, mas ainda não arranjei tempo para ver a célebre Árvore de Natal que resolveram colocar na Praça do Comércio. Eu sei que tem apenas mais uns metros que a do Natal anterior, mas gostaria de vê-la enquadrada naquilo a que já se chamou a Varanda da Europa. Porém, apesar do meu interesse nesse enquadramento, ontem senti mais interesse pelas arrelias do nosso Planeta Azul. E valeu a pena!

Encontrei muitos dos meus amigos e, para além deles, encontrei uma garça cinzenta que, por um triz, não fotografei como gostaria. Mas ela ainda me disse, que se eu não me armasse em Paparasi, teria muito gosto em posar para mim. Ainda fez a demonstração de como seria só para me fazer crescer água na boca.


Esta coisa Linda saiu-me do meio do ribeiro

Mas para além dela, lá estavam todos os meus amigos do costume, menos as galinhas d’água! Depois, caminhei para a minha Bouça e, mal entrei no meio do arvoredo, logo à minha vertical, apareceu, chamando, esta coisa linda que eu procurei imitar e ela teve a gentileza de corresponder, baixando sempre com a cabeça de lado a olhar-me, fazendo uma passagem baixa à minha frente, circulando por trás de um eucalipto e até fez um gesto para pousar mas preferiu apostar no seguro circulando pelo meio das árvores, mas de abalada.


Ela torna realmente os céus mais bonitos

Depois certifiquei-me da evolução da acção do longo estio sobre as árvores e apesar de alguns freixos mortos e outros quase, notei a recuperação dos sobreiros que, no Outono estavam totalmente despidos de folhas e, com as chuvadas que se seguiram, começaram já a arranjar uma roupagem nova.


As copas destas árvores faziam arrepiar, mas agora o tom verde é de facto esperança

Algumas das coisas boas que este mundo ainda pode ter para nós, são as árvores, os rios que ainda correm a céu aberto e os animais, nossos companheiros de caminhada. Espero que os homens que só sabem trabalhar em alcatifas não estraguem o pouco que ainda temos de bom, mas não me parece que vá ser assim. Se calhar, ainda no meu tempo, teremos de andar muito e não encontraremos árvores destas!


 


Sobreiros seculares

Engraçado que ontem vi um animal que não fazia a mínima ideia que existisse por aqui. O lagostim de água doce! Quando o vi já não deu para fotografar, limitei-me a ver o seu vulto a passar na água que corria já no escuro. Também perdi algum tempo a ver os morcegos esvoaçar e recordo-me do tempo que, ainda criança, me ensinaram a tentar apanhá-los com uma vara para saber se a sua perícia era, de facto, semelhante a um bólide com radar. Depois lá me fiz a casa, lamentando a pequenez dos dias de Inverno, mas 4 horas, já chegavam! E ainda assisti a um combate de patos.


Quiseram exibir-se para mim


O meu amigo Apolo abalou e eu segui-lhe as peugadas

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Setember Eleven

  Ventor  11.09.11 O dia que mudou o mundo e, por isso, o dia que também mudou o Ventor. Um dia que nunca devemos esquecer! Não devemos esqu...