quinta-feira, 10 de novembro de 2005

Uma Tasca na Amadora

  Ventor 10.11.05

Uma Tasca na Porcalhota.

Há muitos, muitos anos que eu passava por aqui, a pé ou de carro, e olhava as portas desta tasca. A Tasca da dona Rita! Eu passava junto à porta ou do lado contrário e via os barris do meu amigo Baco. Olhava a velha caixa do correio que trazia e levava notícias de todo o Mundo. De repente um grupo de amigos, ao verem-me tirar a foto ao correio, pediram-me para lhe tirar uma foto e eu disse que sim, que tirava, mas apenas se os pudesse colocar na Net. Foi meio a brincar, meio a sério.

Que histórias nos poderia contar este pedaço das vidas de muita gente?

Fotografei-os e depois convidaram-me a entrar na Tasca e eu imediatamente fiquei engodado nas velhices dos tempos passados. Imaginei Baco a beber o seu copo, a esgrimir os seus argumentos com as beldades da região e a fazer com que os seus barris fizessem com que as torneiras despejassem o velho licor nas canecas.

As belezas que fizeram parte da vida de um ou mais tanoeiros

Conversa daqui, mais conversa dali, o nosso amigo que metido dentro do balcão alimenta as esperanças das gentes, falou em água-pé. Eu perguntei: "água-pé"? Sim, também quer? Oh, homem, espere aí. Você tem água-pé? Sim. A melhor da Amadora. Pode procurar tudo que não encontra melhor!

Um balcão cheio de histórias

Logo de seguida, um dos que me convidaram a entrar na Tasca, perguntou-me se queria provar e eu, muito inocentemente, disse que não! Oh!!! Foi o que ouvi. Hoje não estou preparado para beber água-pé - disse eu - mas vou voltar para levar alguma se me arranjaram e logo o nosso amigo do Balcão me disse que podia levar dois mil litros que outros dois mil vinham a caminho.

Estamos a prepararmo-nos para o S. Martinho

Lembrei-me logo das manhas do meu amigo Baco quando se mandava à água-pé! Ele tinha um jeito muito especial para beber água-pé, e muito mais especial para beber vinhos novos. Caminhava de Quinta em Quinta e não se arrependia de beber um copo em qualquer lado que lhe fosse possível.

O sonho de todos os amigos do meu amigo Baco

Muitos barris! Mas não interessa falar aqui das especialidades do meu amigo Baco. Terei outras oportunidades. Hoje apetece-me falar desta Tasca. Uma Senhora entrou na Tasca e voltou a sair, e logo um dos meus novos companheiros, reformado da Força Aérea, me disse que, aquela Senhora, era a Dona da Tasca.

Tralhas de uma Tasca

Ao mesmo tempo eu disse-lhe que me podia ter dito quando ela passou e não esperar que ela saísse! Ele veio logo com uma velha história em que - no tempo da outra senhora, quando andava na Aviação - etç. etç. tinha-lhe acontecido ... O quê, você andou na aviação? Disse eu com cara de santinho. Sim, andei! Na Civil ou na Militar? Na Força Aérea, pá! Ahhh!!!  É que eu também andei na Força Aérea!

Aqui sabem-se todas as notícias e sabe-se como os nosso políticos se estão marimbando para o povo

Ali, sem sabermos onde há um princípio e um fim, começou uma conversa que nunca mais acabava, sobre a Metrópole, a África e todas as misérias relacionadas, mas ele ganhou-me! Ganhou-me quando me disse que andou lá 33 anos até à reforma e quando eu lhe disse que me contentei com 52 meses ele ficou triste como que a indicar-me que eu não era o parceiro ideal.

Mais tralhas para todos os olhares

Mas a Senhora voltava e ele chamou-a logo! Esta é a dona da Tasca, a Senhora dona Rita! E apresentou-me! «Um amigo meu desde há alguns minutos e que gostava de a conhecer». Então o que era, disse a Senhora? E eu que estava atirado para ali sem saber ler nem escrever disse-lhe que achava muita piada à Tasca e se ela era de facto a dona se não se importava que a fotografasse. Perguntou-me logo se era repórter de algum jornal ou revista e quando eu disse que não, logo me perguntou porque gostaria de a fotografar?

A Senhora Dona Rita, uma simpatia para todos

Não é nada de especial. É que há mais de 40 anos que passo nesta rua e sempre olhei a disposição destes barris ou outros antes e sempre gostava de ter aqui entrado mas nunca se proporcionou, só hoje, a pedido destes amigos e como tenho um Blog gostaria de falar sobre este cantinho tão velho, tão simpático e tão acolhedor! «Um Blog? O que é isso»? Expliquei à senhora esta história dos blogs e ela logo anuiu a ser fotografada e que poderia colocá-la a boiar na Net que não haveria problema nenhum. Que a sua Tasca já tinha sido alvo de assédios televisivos e que pelo menos as televisões já lá foram 3 vezes e que pensava que foram as três ou pelo menos uma delas foi lá duas vezes!

Agora vou partir, mas prometo voltar

Ao observar aquela tasca com o mesmo aspecto de há 40 anos atrás, comecei a imaginar com quantos anos aquele cantinho terá carregado. Séculos? Quem sabe? Olhem bem para este estilo e imaginem comigo! Mas, para mim, é mesmo velha que baste. Logo me foi dito que é a Tasca mais velha da Porcalhota e mais precisamente, de toda a Amadora.

Olhem como é bela a Tasca da Dona Rita

Mas isso pouco interessa, apenas interessa que ela faz parte da caminhada da minha vida. Por mais algum tempo continuarei a passar por lá e sempre que me meta a caminho, olharei, mesmo que imaginando, a torneira a pingar. O pingo da força que nos arrastará na caminhada de cada um com mais um sopro de alento.

O pingo que chamava à realidade o meu amigo

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Castanhas para todos

   Ventor 26.10.05

... mais uma vez! Durante todo o ano, adoro ver os castanheiros. Quando estão carecas, lisos, sem folhas; quando as folhinhas começam a rebentar; quando as flores deixam a sua vez aos ouriços; quando, por esta altura do ano nos presenteiam com os seus belos frutos.

Adoro a Natureza e toda a beleza com que ela nos brinda e quase como um druida, sempre que posso, presto a minha homenagem às belas árvores que nos acompanham nesta nossa caminhada. Há dias, quando a minha companheira de velhos e novos trilhos, me olhava na Clínica que lhe deu guarida durante 14 dias e insuflava o seu peito com novo oxigénio de esperança me disse que no dia que saísse de lá, se não pudesse, iríamos no dia seguinte comer o nosso travesseiro a Sintra, eu comecei a ver os castanheiros de Sintra a homenagear a chegada do Ventor! Assim foi!

Ontem saiu da Clínica e hoje fomos a S. Pedro de Sintra comer o nosso travesseiro, no Café da Natália, uma prima emprestada que eu arranjei, com a ajuda de S. Pedro, por terras de Sintra. Eu chamo-lhe a prima Natália! Adoro aquele cantinho quer dentro de portas quer na Esplanada, mas hoje não havia Esplanada. No entanto lá estavam os castanheiros que me abençoavam o olhar que nunca se cansa de reparar neles. Por isso partilho convosco, mesmo que só em pensamento, as castanhas de Sintra.

Eis uma das mensagens dos castanheiros - ouriços com castanhas

Outra mensagem

Eu olhava os castanheiros ao mesmo tempo que sentia os ouriços caírem ao meu lado e sempre esperando levar com algum na corneta, lá fui apanhando um ou outro para trazer e mostrar à Joana e ao Tomás os produtos que eles já conhecem e que eu não me canso de lhe prestar a minha homenagem.

Com um olho no burro e outro no cigano ...

... lá espreitava se algum vinha com a força de camartelo que lhe está distribuída pelo nosso Anjo da Gravidade ...

... mas, como se tratava do Ventor, o nosso anjo colaborou! Agora que a maquineta está pronta, venham comigo e vamos assar as castanhas!

Uma beleza da técnica, uma fabriqueta pronta para assar castanhas

Tenho tudo e por isso, ofereço castanhas para todos! Mas não posso deixar de mostrar já as belas bolinhas vermelhas dos azevinhos de Sintra. Elas estão sempre presentes nas minhas caminhadas. Quando era miúdo não esqueço os melros que me indicavam os azevinhos como uma forma de beleza comum a mim e a eles nas nossas caminhadas de Outonos gélidos pelas minhas bouças da saudade.

Azevinhos de Sintra

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

"Chularia" nada mais

  Ventor 17.10.05

Pois é... Disseram-me ontem numa tasca em Entrecampos, que a Associação Nacional de Municípios está a tentar cobrar uma taxa pelas dormidas nos hotéis.

Estes gajos são todos uns mamões. Eu penso até que são capazes de apertar as goelas aos pais para meterem uns cobres nas carteiras. Se eu não tenho nada a ver com o Turismo, já acho que tenho a ver com a perda do bom senso.

«Os partidos são uns "chulos" da sociedade e as Câmaras Municipais são seus antros». Foi isso que ouvi nessa tasca!

Bolas! Ainda bem que eu nunca fiz nada para me infiltrar nesses manicómios!

Realmente!

  Ventor 17.10.05

Ao entrar numa tasca ali pelos lados de Benfica, sedento de algo fresco, devido ao mau comportamento dos meus amigos Apolo e Neptuno, um dá-nos calor, o outro não nos dá chuva, pedi um Ice Tea gelado.

"Oh, amigo" - apareceu logo uma voz de trovão a dar-me conselhos - "qualquer surrapa desta tasca é melhor que essa amostra de líquido doce, feito sei lá com que produtos"! E, quando eu me prpeparava para uma conversa sobre bebidas e como lhe dar uso, logo outra voz, mais calma e cheia de experiência (pelo menos, aparente), surgia com um jornaleco na mão e uma novidade.

«Vejam esta! O Marocas, disse em França, que Cavaco Silva é um homem sério e que foi um bom Primeiro Ministro, mas que não tem perfil para Presidente da República. Ah! Ah! Ah! ...

O meu interlocutor, de copo na mão, desvia-se lentamente de mim para o seu parceiro e replica:

"Pois é! Se calhar só têm perfil para Presidente da República homens que não sejam sérios e que tenham sido maus Primeiros Ministros".

"Se o homem o disse" - retorquiu o indivíduo do balcão.

Será mesmo? Eu não me apetece acrescentar nada.

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Eu acredito

   Ventor 10.10.05

Entrei em mais uma tasca, hoje, quando fazia uma grande chuvada. Entrei quase a voar e a primeira coisa que eu ouvi, foi: «O home não tem estaleca»!

Pensei que era para mim e que não teria estaleca para meter travões no chão molhado e evitar algum possível atropelamento nalgum dos presentes. Mas eu uso bons "pneus"! Mas não! Com o desenrolar da conversa apercebi-me que o homem que não tinha estaleca era o Carrilho.

E relamente não teve! Não. Não fiquei nada admirado! Vi logo no primeiro dia que tropecei nele, na TV, que não tinha mesmo estaleca! E dizem que se trata de um homem culto e por tal, até já foi ministro da cultura. Também se o PS, na altura, não arranjou melhor, é porque são mesmo muito pobrezinhos! O Carrilho, mais pareceu um arroaceiro, vivo prometedor de promessas, que um homem culto, durante a campanha eleitoral.

Só pelas poucas vezes que tive de o gramar, ouvindo-o, apetece-me deixar aqui os meus parabéns ao povo de Lisboa, por ter ponderado bem a sua escolha e parabens ao Engº Carmona Rodrigues pelo seu comportamento durante a campanha a que assiti, também, via meios de Comunicação Social. E querem saber uma coisa? Estou convencido que Dr. Manuel Maria Carrilho não aprendeu nada. Por isso, eu acredito que o homem não tem mesmo estaleca!

Agora falta ver o comportamento dos homens que, aparentemente, tiveram estaleca.

https://ventorcaminhando.blogspot.com/2026/06/lago-enol-um-lago-de-covadonga-que.html

Setember Eleven

  Ventor  11.09.11 O dia que mudou o mundo e, por isso, o dia que também mudou o Ventor. Um dia que nunca devemos esquecer! Não devemos esqu...