quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Setember Eleven


O dia que mudou o mundo e, por isso, o dia que também mudou o Ventor.

Um dia que nunca devemos esquecer!

Não devemos esquecer

Faz hoje 10 anos que eu e o meu primo João Barbosa, nos encontrávamos a assar febras naquela nascente a que os nossos antepassados puseram o nome do "Olheiro do Avô", à mesma hora a que as Torres de Nova Iorque (New York), eram feitas ruínas por mentes depravadas.

Nós chegamos a essa nascente, a opção escolhida pelo João, acendemos o lume e começamos a fazer brasas para as febras. Alguns minutos depois, um helicóptero pairava sobre as nossas cabeças. Verificaram o nosso lume e verificaram que não haveria qualquer perigo de incêndio naquele local. Fizeram-nos sinal de que estava tudo ok, levantando o polegar, desejando-nos uma boa petiscada.

Nós ali ficamos a tratar do petisco e o helicóptero seguiu rumo aos Bicos-Mesio. Almoçamos e, do Olheiro do Avô, subimos à Pedrada, onde encontramos meia dúzia de vacas e umas cabras de Roussas ou Rouces, como dizemos em Adrão. O meu primo conhecia o dono das cabras e tivemos uns dedos de conversa com ele e a esposa e descemos da Pedrada até à Fonte da Corga da Vagem. Foi a última vez que eu vi cabras na Pedrada e foi um dia bem passado naquelas nossas belas Montanhas Lindas.

Por fim lá nos fizemos a casa. Fomos direitos ao Alto da Derrilheira, o nosso observatório especial, descemos via Poulo do Muranho, onde bebemos água e ia tentando contactar o meu Malmequer, por telemóvel, uma vez que as chamadas pingavam lá, mas não ouvia nada. Que raio se passará para ter aqui tantas chamadas não atendidas? Estávamos nas Lameiras, rumo à Portela. Um trrriimmm, um "estou" e apenas isto penetrou nos meus ouvidos: «Luis, ... aviões, ... Torres, ... Nova Yorque, ... muitos mortos»!

Virei-me para o João e disse-lhe: "deve ter acontecido caca da grossa, em Nova Iorque. Se calhar caiu um avião sobre a cidade. Não percebi o que a Gisela disse"!

Imaginei um acidente com um avião sobre Nova Iorque que deveria ter provocado muitos mortos. Como tinha ouvido a palavra aviões, admiti que tivessem chocado. Enfim, pensei em várias hipóteses mas, nunca pensei que haveria mentes tão depravadas neste mundo, para executar aquele plano tão macabro.

Escusado será dizer ter admitido, então que, se eu fosse Bush, iria ser o diabo!

Por isso, apesar das tantas coisas que se têm dito, continuo a acreditar que só mentes depravadas que por qualquer razão já teriam passado pelo Inferno, poderiam ter planeado e executado aquele plano execrável que envolveu tanta gente inocente. Os que viajavam nos aviões, para tratar da sua vida, os que trabalhavam nas Torres e, os que, no desenvolvimento de causas humanitárias, também por lá ficaram.

A todos eles presto aqui a minha homenagem com esta música emprestada relembrando todos os que foram forçados a partir mais cedo e como no silêncio, continuam a ser lembrados.

Il Silenzio de Nini Rosso

 Pelo choro de uns e pelo silêncio de outros, eles serão recordados, também com esta música - Silenzio 

Bom Natal de 2011 para Todos

   Ventor 21.12.11

Árvore de Natal.

Uma Árvore de Natal, não precisa de bolas, de fitas, de presentes pendurados, de luzes coloridas.

Uma Árvore de Natal, não precisa de estrelinhas, de anjinhos, de sininhos, de pinhas … Uma Árvore de Natal, pode ser assim como eu”! Despida de folhas, despida de flores, despida de preconceitos.

Uma Árvore de Natal pode aparecer vestida de uma névoa branca, aquecida pelo calor dos primeiros raios solares da manhã que a faz sorrir para quem passa.

Eu sou, este ano, a Árvore de Natal do Ventor - ele pediu-me para, à vossa passagem, vos desejar um BOM NATAL

Eu sorri todo o ano para o Ventor! Sorri durante o Inverno, durante a Primavera, durante o Verão e agora, durante o Outono e preparo-me para sorrir, para o Ventor, no Inverno que se aproxima e, por diante, durante o tempo que os homens e as intempéries me deixarem.

Lá por trás, escondidos pela névoa matinal, estão os pinheiros do Parque Florestal de Monsanto!

Verdinhos, vistosos, cheios de pinhas e, por aqui, um pouco afastada da margem de uma estrada sem saída, fico eu, especada a ver passar o tempo e as pessoas, a ver passar as perdizes, os coelhos, os estorninhos e demais passarada. Daqui observo tudo.

Enquanto o Ventor brincava com as perdizes, com os coelhos, com os pintarroxos, com os melros, com os estorninhos, com os rabirruivos e, demais bicharada, durante este ano de 2011, eu observava a sua alegria de estar entre estes amigos. Durante o ano, o Ventor viu nascer os meus rebentos, crescer as minhas folhas. Viu eu tornar-me velha, neste meu ciclo que passou, ano fora.

Em meu redor, o Ventor viu nascer e crescer flores lindas, como os malmequeres, as margaridas, as papoilas, … miríades de flores e, eu, aqui, quase solitária, observava como o Ventor as fotografava, como ele as acariciava, sem nunca me excluir daquela beleza que é o seu mundo Natural. Por isso, eu perguntei ao Ventor se este ano já tinha feito a sua Árvore de Natal. O Ventor disse-me que não e mais uma vez tirou-me uma foto, comigo despida. Depois disse-me: «sabes, numa casa com doentes, não há vontade de fazer uma Árvore de Natal. Estou farto de fitas!

Este meu Natal, serás tu e a Família»!

Nós somos companheiros das Caminhadas do Ventor - Ele pediu-nos para virmos junto de vós e desejar-vos um BOM NATALSeguiremos o Ventor e a sua árvore. A Árvore que representará todas as árvores de sonhos do Ventor!

«Este ano, vais ser tu a minha Árvore de Natal, presente no meu espírito. Como enfeite, terás a névoa branca cinzelada pelos raios do nosso amigo Apolo, ficarás assim, no meu espírito, até ao dia 7 de Janeiro de 2012 e serás tu a portadora da minha mensagem de Boas-Festas para todos os meus amigos. Vamos dar liberdade à nossa alma, este Inverno. Se estiverem dias bonitos e eu conseguir aparecer por aqui, virei visitar-te e, juntos, continuaremos a sonhar com os desgraçados deste mundo e a desejar, a todos eles que, o Senhor da Esfera se esforce um pouco mais para com eles todos. Os estorninhos que há pouco estavam pousados sobre ti e que eu não consegui fotografar devido às perdizes, serão os espalhadores da nossa boa nova!

Assim, o mundo ficará a saber que tu serás, este ano, a Árvore de Natal do Ventor e que desejamos a todos que o brilho de Apolo, seja o brilho da sua bela Luz para todos os nossos amigos, com o pão e a saúde».

Com Árvore ou sem Árvore, umas Boas-Festas para todos os nossos amigos.

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Observar

Observar? Sim, é o que eu estou a fazer!

No cabeçalho, a ponte romana de Cangas de Onis, sobre o rio Sella. uma maravilha por onde caminharam romanos, árabes e tantos outros _________________________________________________________________________________________


O nosso mundo está a desaparecer Blondie. faleceu a Bonnie Tyler mas ainda te temos a ti. Deus te conserve muitos anos.

Em 2006, como o Tejo é lindo com os barcos e esta bela música 

 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Lago Enol

 

lago-covadonga.jpg

Lago Enol, um lago de Covadonga que retrata as belezas dos Picos da Europa, nas Astúrias


O Ventor saiu das trevas para caminhar entre as estrelas.
Ele continua a sonhar, caminhando, que as estrelas ainda brilham no céu, que o nosso amigo Apolo ainda nos dá luz e que o nosso mundo continuará a ser belo se os homens tentarem ajudar...

Depois? Bem, depois ... vamos caminhando!


No cabeçalho, a ponte romana de Cangas de Onis, sobre o rio Sella. uma maravilha por onde caminharam romanos, árabes e tantos outros.


sábado, 28 de novembro de 2020

Sair de Casa

  Ventor 28.11.20

Pois é! Sair de casa pode ser para fazer uma caminhada. E há muitos modos de fazer caminhadas. Ontem, resolvemos sair de casa e fazer uma pequena caminhada sobre rodas. Fomos ao Jardim Primavera comprar umas coisinhas para tornar o nosso Natal mais agradável. Afinal, passamos a maior parte do tempo em casa e convém ir mudando de tom. Para isso até as brincadeiras de Natal servem.

Mas o Jardim Primavera serve para desenferrujar a vista. As pernas não porque caminhar num espaço de metros quadrados não é grande coisa mas a vista sim. Afinal tem lá tanta coisa para brincarmos ao Natal! Assim, enquanto a Dona do Pilantras procurava algo que tinha na mente, eu fui dar um passeio lá por dentro. Fui ver as flores, arbustos, árvores e muitas coisas aprazíveis à vista. Entre pinheiros e bonecada de várias ordens que estão por ali à espera de enfeitar os nossos Natais, quando passeava, deparei-me com uma rena escondida entre os abetos.

Uma rena entre os abetos

Chamou-me e perguntou: "que fazes aqui, Ventor"? Eu não faço nada de novo, procuro coisas para tornar o meu Natal mais bonito. «E tu? Que fazes aqui sem o pai Natal? Até parece que te escondeste no meio dos abetos»!

"Fala baixo pá! Estou com muito medo que o pai Natal apanhe o Covid-19 e depois seja mau de aturar ou até que morra! Ele anda fula porque não consegue os presentes que queria para a distribuição que gostaria de fazer. O Covid mexeu com tudo e até nós, lá pela Lapónia, temos medo dele. O pai Natal já diz que, este ano, com as quarentenas, se calhar, nem vai caber nas chaminés. Diz que, com as  quarentenas, nem os limpa-chaminés se lembram do Natal e estarão tão entupidas que não vai passar. Mas que se vai fazer? Também não vai haver presentes! Além disso ainda há por aí gente preparada para esquecer o Natal este ano. Mas olha, o pai Natal anda por aí a ver se encontra alguma chinesice, uma maquineta sabes, com que possa detectar se a chaminé onde for tem largura para descer com os sacos dos brinquedos. Este ano estamos todos muito atrasados. Vai lá Ventor, vai à tua vida. Se veres o pai Natal diz-lhe que eu estou aqui no meio dos abetos. É como se estivesse em casa"!

Despedimo-nos e fui caminhando.

Fui dar com o pai Natal. Andava às compras e estava sozinho de pé a observar. Parecia uma estátua com os olhos quase a perfurar os sobrolhos, olhando tudo em volta

Olhos regalados e ia observando tudo! Mal encarou comigo, depois de uns bla-blas, perguntou-me: "olha lá Ventor, é verdade que este ano querem acabar com o Natal? Mal que cheguei ouvi isso num tasco e já estou a pensar que ando por aqui a tentar alguns brinquedos mas isto está tão mau que já pensei em desistir"!

«Nada disso, Pai Natal! Dentro de nós haverá sempre Natal, mesmo com poucos presentes ou nenhuns e, fora de nós, a gente inventa-o. Há por aí muita gente a dizer baboseiras por tudo e por nada. Agora já se viraram para a vacina, até já fazem prognósticos. Quem toma, quem não toma, não chega para todos, etç. Até há jornalistas que se lhe disserem que afinal não é um grande sapo que está a engolir um boi mas sim uma rãzinha muito pequenina, vão logo espalhar a notícia por todas as TV's e pasquins como notícia de última hora. O melhor é não ligarem a isso. O pior de tudo é que o sacaninha desse vírus esmifrado vai matando os nossos amigos que poderiam aceitar presentinhos mais uns aninhos».

Cuidado pai Natal! Quando entrar numa loja é melhor desinfectar as mãos à entrada e à saída. Não se esqueça que você já está numa idade de super risco e a vacina, uma vacina a sério, com sorte, pode só chegar para os embriões de hoje. Tenhamos todos um BOM NATAL.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

O Germano

   Ventor 25.07.18

O Germano

«Para os amigos, sou Germano»

Foi assim que o Germano se apresentou ao Ventor! Foi esta a "história" que ele me contou! Pedacinhos da sua vida!

Mas esta história, valendo o que vale, para mim vale muito. Por isso a voltei a compor e deixar no sítio onde ela morreu.

O germano é (era?) um jovem! Tem (tinha?) 80 anos, mas parece que tem 60! Está a morrer e diz que quer morrer bem ocupado. Estudar! Deram-lhe 5 (cinco) anos de vida, dos quais, já passou 1 (um).

O Germano nasceu na serra da Estrela e só teve direito a calçado aos 7 (sete) anos! Veio para Lisboa com a 4ª Classe e diz que aos 12 anos já tinha devorado todos os clássicos franceses (seria exagero)?

As folhas nascem, amadurecem e caem e, tal como as folhas, no seu ciclo anual, também nós amadurecemos e caímos, como o Germano. Elas nascem verdes, amadurecem e caem no seu outono sendo transportadas pelo vento e pelas águas para, tal como nós, nunca mais sermos vistos

Esfalfou-se como pôde a fazer pela vida. Aos 18 anos alinhou com a esperança de mudar este país, com gentes de outros quadrantes, gentes onde reconhece, amigos de ontem serem inimigos de hoje. Mas como ele diz, a vida assim o determinou. Conheceu mundo. Privou com o Leste de outros tempos e não renegou a sua ideologia, mas cansou! Cansou e caiu para o lado. Foi salvo no hospital, de Santa Maria, em Lisboa. Foi operado por um método moderno e disse-me que teria morrido se não tivesse havido progressos no campo das doenças cardíacas. Assim, sempre ficou com mais cinco aninhos, como ele diz.

E cinco aninhos, é quase uma segunda vida. Curta, mas intensa!

Conversamos sobre tudo e sobre a sua esperança de ultrapassar a meta dos 5 (cinco)! Foi operado, e um ano depois ficou sem a sua mulher, companheira de toda a vida que, foi andando para “arranjar sítio para os dois”! Agora vive só, segundo ele, numa casa muito grande numa grande Avenida de Lisboa. Já só tem na bagagem o número 5 (cinco) do qual restam 4 (quatro)! Eu notei nos seus olhos uma montra que guardava por trás das vidraças, numa redoma dourada, a Paz! Depois de tanta Guerra, de uma vida de combate, é bom vivermos emoldurados na Paz!

Falou-me das suas ocupações. Já leva o estudo da sua ascendência na 12ª geração. É obra! Ele vai ocupar-se de um estudo de demografia dos concelhos da área sul de Lisboa, encostados ao Mar da Palha. Diz que vai chegar tão longe quanto puder e que será para servir um museu! Depois de acabar isso, vai dedicar-se ao estudo da Egiptologia e que já tem indícios que é uma falsidade quando se diz que a sociedade egípcia faraónica, era esclavagista! E também me disse que já se sabe que a primeira greve de que há memória deu-se no Egipto dos Faraós, ou há 4.000 anos, ou há 4.000 anos AC, não tenho presente a exactidão da data! Depois ficou parvo a olhar para mim quando eu lhe perguntei: "como e onde"!

Falei de muita coisa com este amigo, que noutros tempos, sem nos conhecermos, teríamos sido grandes inimigos! Mas a mim ensinaram-me que só devo reconhecer inimigos em combate! Gostei deste homem sem gostar do que ele representou! A nossa despedida foi à pressa, talvez para sempre, talvez por uns dias. Quem sabe? Seja como for, agora arranjei um amigo, chamado, Germano!!!

Eu estou tal como esta estátua de Rodin - o Pensador! De mão debaixo do queijo, pensando! Pensando o que será feito do Germano

Falo do Germano sem entrar na privacidade da sua vida. É difícil dizer-se algo de alguém, penetrando de ilharga, na estreiteza do que sobra para contar. O Germano disse-me o nome, disse-me onde morava, contou-me os seus desgostos e eu acredito que, apesar do Germano não acreditar em Deus, terá um lugar a seu lado! Também vos falo do Germano, sem dizer o que gostaria, para vos dar a entender que vale a pena olhar para o Outono da vida e respeitar as folhas prontas a cair!

Como caem as folhas no Outono, assim o Germano tombará um dia, quem sabe, numa grande casa, numa grande Avenida de Lisboa, ou só, como as folhas que tombam sem que alguém se preocupe com a sua queda, sobre o chão da floresta, sobre as pedras duma calçada ou sobre o chão macio dos Jardins.

As folhas, sabemos nós, serão renovadas, na próxima Primavera, mas o Germano cairá, junto dos seus, ou longe de todos, até que alguém se digne baixar a servis para lhe dar o destino que é dado aos homens, na chegada do seu Inverno! Quem sabe, só, sem família, sem amigos!

Desde que o homem se recorda da sua existência, que pensa. Pensa até ao momento da queda final. É majestática esta obra de Rodin. A sua simbologia diz-nos tanto!

Há obras de Arte que nos transmitem o inimaginável e esta é uma delas. Sabemos que pensamos, mas o pensador estará a pensar o quê? Imaginem a vastidão da sua imaginação! Imaginem se fosse possível dar vida aos pensamentos de cada retoque que o Rodin deu nessa peça!

terça-feira, 24 de julho de 2018

A Casa Velha

  Ventor 24.07.18

É assim que esta casa é conhecida lá pela serra do Cercal, no Alentejo.

Caminhar pelos arredores de Vila Nova de Milfontes, pelas margens do rio Mira, pela serra do Cercal, sabendo apreciar a Natureza, e esgalhar a imaginação e as realidades da história, apercebemo-nos como tudo é belo e o belo faz-nos sonhar.

Nas encostas da serra do Cercal, debruçadas sobre o rio Mira, bafejadas pelas maresias que sopradas do mar penetram no vale do rio e iniciam uma trepa, serra acima, existem várias marcas da existência das gentes do passado. Será fácil imaginar que por ali caminharam gentes no passado e que as margens do Mira terão sido devassadas e devastadas por homens vindos de vários recantos do mundo, como os vikings do norte da Europa, homens do Centro da Europa e os tais sarracenos das barbáries norte africanas, como muitos outros através dos séculos. Gregos, fenícios, cartagineses, romanos e muitos outros, terão, tal como eu, observado aqueles recantos do nosso mundo, com o mesmo olhar que eu, milénios ou séculos depois, o faço.

A foto da casa desapareceu na NET

A Casa Velha na serra do Cercal

Mas, subindo esse trilho que passa junto à casa velha, serra acima, de jipe ou a pé, podemos imaginar que, quem a construiu, refez o seu mundo imaginário, cheio de alegria e de vontade de viver a sua vida ou o resto da sua vida, nesse recanto da serra, chamando-lhe a minha "Casa Nova" e imaginando a sua futura vida de sonhos. Com o rio lá no fundo mostrando-lhe pachorrento as suas águas brilhantes e serenas onde podia apanhar o peixe, com as suas ovelhas espalhadas pela encosta, com o seu jumento, autêntica limosine da época, por perto das ovelhas para, quando necessário, o transportar até à vila tratar das suas necessidades mais prementes, com as suas hortinhas ao pé da casa, onde ia tratando dos seus produtos horticulas enquanto as ovelhas pastavam por ali, que mais querer?

Talvez um dia, velho e desgastado, se viesse a sentir engolido pela solidão. A solidão mata. Mata lentamente, mas mata! Então, a sua "Casa Nova" terá passado a ser a sua "Casa Velha" tal como hoje a vêm as pessoas que ali passam e imaginam as vidas que por ali pulularam, nos tempos em que para alguém, ela terá sido a melhor e a mais bela casa do mundo.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Renovação da Carta de Condução online

   Ventor 15.12.17

Sim, renovação online! Acho que começou em Maio.

Não foi fácil o início mas foi fácil a renovação online.

No início, era o relatório médico. Onde fazer o relatório médico? Marquei consulta para um médico que já me conhece e que me fez o pnúltimo relatório. Disse à recepcionista que a consulta era para me fazer o relatório médico para renovar a carta de condução e, como essas coisas são demoradas não tinha muito tempo para esperar. Fui logo informado pela recepcionista do consultório que o doutor não tinha plataforma e teria de arranjar um médico com plataforma para enviar o relatório para o IMT.

Perguntei-lhe se conhecia algum disse-me que não. Então fui à procura e comecei a ouvir a canção da Mariazinha, aquela que começa por «gosto muito da Mariazinha». E, depois, vem o «não, e não e não, e não e não, e não e não e não.

IMT - polegar bem levantado, um like

Bem, fui a uma escola de condução e disse: "preciso de renovar a carta, o que me podem fazer aqui"?

Resposta: "podemos tratar disso tudo mas vai ter de marcar para o dia 12 e a consulta é por ordem de chegada". Ok. Achei que era condenado a ir dormir uma soneca para a porta da escola de condução o dia 12 deste mês para poder ser atendido  e eu só tenho paciência para dormir numa boa cama.

Pedi à minha esposa, enquanto eu guiava de regresso a casa. «Liga para o Hospital da Luz e pergunta à mocinha se lá têm uma plataforma para me fazerem o relatório médico para a renovação da carta de condução e envia-lo para o IMT.

"Temos, sim senhora, D. Gisela. O seu marido tem cá médico"? Diz-lhe que pode ser um qualquer ou dois, os que fizerem falta ... «Tem sim é ....

Era uma quinta feira. "Então posso-lhe marcar para sábado às tantas, porque tem uma vaga. Pode ser"?

«Pode até ser agora»! Ficou para sábado de manhã.

Entrei no consultório e ouvi: "que o trás por cá, Senhor Luis"? «Vim cá para me passar o relatório médico para a renovação da carta».

"Meu Deus, isto é uma confusão que nem lhe passa pela cabeça. Eu vou tentar mas não sei se você vai levar o relatório hoje. Há sempre falhanços, ou nossos ou do sistema, ou .... Eu pagava-lhe para não o ter cá para isso"!

Uma boa médica refilona como eu mas, com mais ou menos dificuldades e com a ajuda de um colega lá me resolveram o problema. O sistema trabalhou. Pelos vistos, gosta de trabalhar ao sábado! Cheguei a casa e respirei fundo. Agora vamos à online.

Fiz tudo como o Site do IMT diz e poucos dias depois tinha a carta nos CTT de Massamá. Levantei-a ontem porque na véspera não estava em casa para a receber.

Fiz o pedido e tinha de pagar o trabalhinho 24 horas depois. Logo após o pagamento, tinha a guia e o recibo para imprimir. Em sete ou oito dias, tinha tudo tratado com a carta em casa.

Não vale a pena dizer mal das instituições só por dizer. E olhem que eu tinha ouvido dizer mal desde que o sistema foi instituído. Por isso eu deixo aqui uma palavra de satisfação para com o IMT.

Acredito que os médicos tenham problemas com a plataforma por várias razões mas Roma e Pavia não se fizeram num dia.

domingo, 12 de novembro de 2017

O Santiago ficou sem o Cocas

  Ventor 12.11.17

Hoje tivemos uma má notícia. O nosso amigo Cocas, morreu.

O Cocas era um gatinho que foi pedir comer junto de amigos no Algarve há cerca de 9 anos atrás. Apareceu todo remeloso a mendigar alguma coisa para matar a fome. A Joana, a nossa princesa mais velha exaucrinou a mãe e o pai para trazerem o cocas para casa. Mas a mãe da Joana ao se aproximar de gatos começa logo a espirrar e não podia trazer o gato.

Leva-o mãe que eu levo-o para a tia Tata.

Eras tão lindo Cocas

E assim foi! A Joana levou o gato para a tia Tata, mas ele estava doente. Foi para o veterinário e as despesas foram enormes. As alegrias, por vezes, são bem pagas.

O gato ficou bom e foram cerca de 9 anos de alegrias. Os cães dormiam fora e o Cocas tinha a casa por sua conta. De repente deixou de ter vontade de comer e foi morrer à veterinária que tratou dele. O Cocas morreu e eu perdi um grande amigo. Ele era um dos meus grandes amigos do Lugar do Sol.

Também o meu amigo Santiago perdeu esse belo amigo. Eles adoravam-se um ao outro. É triste a vida ser tão complicada para as pessoas e para os animais.

Mas quando choramos por um animal é porque ele fez mesmo parte da nossa família.

Sei como te vai custar Santiago. Sei como é difícil olhares em volta e não veres o teu companheirinho peludo a observar as tuas travessuras

Adeus Cocas. Vou sentir a tua falta quando voltar ao Lugar do Sol.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

O Ski deixou-nos

   Ventor 09.05.16

O Ski era meu amigo. Já é o segundo amigo que perdi no Lugar do Sol.

Sky

Quando eu partia para as minhas caminhadas, eles todos corriam a despedir-se de mim no portão, mas o Ski olhava-me sempre com uma doçura sem fim, naqueles olhos avelãs. Quando eu estava no campo, do lado contrário, era ele sempre o primeiro a ladrar. Espreitava-me por entre os arames e ladrava. De repente estava lá a matilha toda. O Ski e os perdigueiros.


O Ski tinha uma casa. Ele gostava muito da sua casa. Tanto nesta como na outra, ele deixava os seus amigos dormirem com ele. Viviam juntos, comiam juntos, sonhavam juntos.


Eles gostavam das suas casas debaixo do Telheiro, mas o Ski, teve direito a uma só para ele. Tinha quase 12 anos e os donos quiseram dar-lhe mais recato e conforto devido à doença. Mas eles não abandonavam o Ski. O último a chegar ficava quase todo de fora. Tal como os mosqueteiros, não diziam "um por todos e todos por um" mas diziam: "o que é do Ski é nosso e o que é nosso é do Ski"!

Quando eu chegava, mais pareciam uma "matilha de lobos" em volta da presa que uma matilha de cães a receber um amigo. Todos me queriam tocar, lambuzar, agarrar, cheirar. E todos me diziam, "não trouxeste o gato"? Porque nunca trazes o gato"? Porque se o trouxesse Ski, tu eras o primeiro a dar-lhe uma dentada. "Não dava nada porque sei que é teu e isso era quanto bastava para não-lhe fazer mal". Porque não seria assim?

 Eles eram todos amigos e o Ski adoptou os filhos da Maria e do Gaspar como se fossem dele. Como diz a célebre canção, "amigos para siempre"

O Ski tinha uma maneira especial de me olhar, de se chegar e de se colocar a meu lado. Acompanhava-me sempre todo discreto. Os outros aproximavam-se, agarravam-se a mim, uns estroinas maravilhosos mas o Ski olhava, aproximava-se e parecia-me dizer, calmamente, que a amizade deles era igual à dele.

Depois apareceu outro amigo - o Santiago

O Santiago gosta de todos mas tinha um carinho especial pelo Ski


"Ele é meu amigo, ele não xe janga"! Eu tenho a certeza que sim, Santiago

Aproximava-se do Santiago sempre num estilo protector. Parecia dizer-lhe, "estou aqui, contigo, Santiago". Na última vez que estivemos juntos, o Santiago agarrava-se-lhe, fosse onde fosse, até nas orelhas. Eu disse ao Santiago: não te agarres tanto às orelhas do Ski, Santiago que ele pode zangar-se, se o magoas. O Santiago tinha tanta confiança nele que me respondeu: "ele é meu amigo. Ele não xe janga"!".

Nunca mais te vais esquecer dele Santiago

É difícil perder um amigo e o Santiago começa cedo a aprender quanto custa. Até a mim vai custar muito quando lá chegar e não me aparecer aquele olhar especial do Ski. Mas a vida é assim, feita de atropelos permanentes em que uns ficam e outros vão partindo primeiro. O Ski nunca nos abandonará porque continuaremos a vê-lo em fotos e continuará no nosso cérebro a saltar e a correr pelo Lugar do Sol.

 


  


Deixo aqui duas flores que estavam na piroga, em 02 de Abril passado. A amarela já era minha conhecida mas a vermelha não e ele não me largava e olhava para mim e para as flores como que a tentar perceber-me

Mas, quer queiramos quer não, o Santiago, os pais, o Ventor, ... toda a família e amigos, ficamos sem o nosso amigo Branco de Weimar ou Weimarner, o nosso amigo Ski.

Foi em 8 de Maio de 2016 que o Ski se despediu dos seus amigos e de todos nós, dos amigos e da família. Os últimos anos da vida dele, foram de tudo o que havia de bom, sem fome, sem frio, feliz. Tinha uns donos que o adoravam. Devido à doença, a sua dona ia tapa-lo à noite e conversava com ele. Diz-se muito sortuda por fazer parte da sua vida. Vai colocar no seu lugar um cedro e uma linda planta selvagem e assim ficaremos sempre juntos.

Podes crer Cristina que estará sempre connosco. Irei procura-lo no meio dos seus amigos e não o encontrarei mas continuaremos juntos.

domingo, 10 de abril de 2016

No Lugar do Sol ...

  Ventor 10.04.16

... os meus amigos continuam por lá. Ontem fui visita-los!

O Germânico

O germânico, não é o germano mas é um grande amigo do Ventor. Eu passeio por entre as flores, vou clicando e ele está sempre com os olhos em mim. É uma beleza peluda e amigo do Ventor. Também está sempre com os olhos no Santiago.

O Santiago também está sempre de olhos neles. Brinca com eles e eles brincam com ele e já sabem que é ele o novo dono. O Santiago diz que eles são amigos e que gosta muito deles e eles dele.

Mas quando o Ventor se preparou para ir dar a sua caminhada da praxe, o Santiago encheu-se de coragem e disse: "eu vou contigo"! Não Santiago, tu não podes. Tu és pequenino, tens de comer muito para me acompanhares nas minhas caminhadas. Se comeres muito, para o ano vais comigo às perdizes. Mas o Santiago diz-me: "elas fogem"! Não fogem nada, elas são minhas amigas! Então vou contigo. Se são tuas amigas, também são minhas.

Enchi-me de coragem e levei o Santiago. Olha que eu não te posso trazer às costas! Eu levo o teu cajado! Vou contigo pelos montes todos e chamo as perdizes. Fez o gesto como faria para chamar os pombos. Ele queria, era ir comigo. E foi!

Ele era o homem das botas, eu era o homem dos ténis. Com as minhas botas, ninguém me apanha - pensava ele. Mas, os trambolhões nas verduras foram muitos. Eu dizia: "hoje estás a conhecer um colchão novo"! Ele dizia: "é bom"! Caminhamos entre as flores, as lindas flores da Primavera mas, o Santiago não percebe nada das minhas explicações mas, também que interessa? O que interessa é participar! E o Santiago participou. Participou e bem! Nunca pensei que participasse tanto.

Depois quis que eu chamasse a mãe e a tia Gisela para nos verem no monte. No monte, de pé, de cajado, e caminhando entre as flores. Para o Santiago foi uma festa e para mim, nem se fala. Depois, eu disse-lhe que fizemos um quilómetro. Ele ficou todo contente! Um quilómetro? É isso que ele está a dizer: foi um quilómetro mas, para a próxima vai ser mais um! Foi assim que o Santiago fez a sua primeira Grande Caminhada. Um, diz ele, com o dedo no ar!

Para a próxima, vai ser maior, Santiago

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Setember Eleven

  Ventor  11.09.11 O dia que mudou o mundo e, por isso, o dia que também mudou o Ventor. Um dia que nunca devemos esquecer! Não devemos esqu...