domingo, 7 de junho de 2026

Senhora da Peneda

  | Ventor 06.09.05

A Senhora da Peneda é uma romaria no Norte de Portugal. É uma romaria que dura de 1 a 8 de Setembro de todos os anos. No dia 6 de Setembro era, e penso que ainda é, o apogeu da festa.


Nossa Senhora da Peneda 

Faz hoje muitos anos que eu andei por lá, quando da minha Carta de Alforria! Há poucos anos ainda andei lá na romaria; há três anos, fui lá, no último dia, para fazer uma sardinhada e confraternizar com amigos perdidos no tempo mas não no coração e não tive onde poder fazer o braseiro, e bem! Era proibido e voltamos para fazer a sardinhada no Carvalho de Eixão.

 

O Carvalho de Eixão

Quando eu nasci, já aquele carvalho era grande e velho! À sua sombra descansavam os romeiros que convergiam para aquele caminho de Santiago! Mas há coisas que não me saem da cabeça! Antigamente, durante os meus anos de criança, penso que não haveria romaria no Norte de Portugal que tivesse mais fogo de artifício ou não, que a da Senhora da Peneda. Sabem quantos fogos (incêndios) houve? Se a memória não me falha, zero!

O Cruzeiro da Portela. Era aqui que se deitava os foguetes, frente à Senhora da Peneda

Quando eu era miúdo, os romeiros que se dirigiam à Peneda, passavam na minha aldeia, Adrão, carregados de canas de foguetes prontas a estoirar. Passavam mesmo naquilo que poderei chamar de Av. Principal e por debaixo da minha janela. Passavam de dia e de noite enroscados numa mézinha anti-cansaço e cheios de vontade de fazer fulia!

Tocavam as concertinas, ouviam-se as pandeiretas, era estridente a presença dos cavaquinhos e os ferrinhos, enferrujados ou não, ouviam-se também. Cantava-se e dançava-se a caminho da Senhora da Peneda! Claro que as pessoas eram jovens eram romeiros que levavam as suas músicas para a festa da Peneda, mas a festa fazia-se pelo caminho! Mesmo assim, quando lá chegavam, ainda apareciam com vontade para tocar, cantar e dançar!

Para trás tinha ficado Adrão e o Ventor, à espera dos estrondos que me iriam acordar logo de seguida

Só da minha aldeia, Adrão, à Peneda, são duas horas a andar bem e, para trás, antes de chegar à minha aldeia, a mais próxima, Soajo, ficava a hora e meia o que davam 3 horas e meia! Mas as pessoas caminhavam desde muito mais longe de todo o Concelho de Arcos de Valdevez e de mais longe. Como hoje os peregrinos se metem à estrada para chegarem a Fátima, assim era com os romeiros que iam até à Peneda.

Só que não havia estradas. Os caminhos eram entre as montanhas, de pedra em pedra, à biqueirada e não havia calçado que resistisse. No Cabaz das Merendas, para muitos rumeiros, tinha de caber sempre um par de calçado suplente. Eu, ao pegar no sono, era logo acordado por cantares ao desafio e pela sinfonia da música em que o som da concertina prevalecia e era assim todos os dias de 1 a 8 de Setembro. Quando um grupo de romeiros passava, logo despejava os seus fogos para cumprir as suas promessas na Portela, a montanha que fica entre Adrão e a Peneda.

Do lado de lá, para as bandas de Castro Laboreiro eram os que vinham do lado de Melgaço e Monção e mais os que vinham de Espanha a fazer os seus estoiros de artifício de noite e de dia. Hoje, não se vai a pé à Peneda a não ser que tenham de pagar alguma promessa. A estrada esventrou as montanhas, as concertinas e afins não se ouvem, as cantorias ao desafio, pelo caminho, acabaram e os fogos são proibidos. Sabem porquê?

Hoje em Portugal não se trabalha! Os animais que roíam os matos, cabras, vacas, ovelhas, cavalos ... desapareceram, ou estão reduzidos a uma pequena amostragem, e os donos que os orientavam foram à procura de melhor vida ao mesmo tempo que partiram à conquista de mundos. Penso que, na Peneda, já não se canta nem se dança! Reza-se por melhores dias e para que Nossa Senhora nos mantenha, embora longe uns dos outros, unidos. As romarias eram festas e preces, hoja as romarias são só preces! E mesmo só para isso, vão de carro. Eu também já só vou de carro à Peneda. Se quiser ir a pé, terei de o fazer sózinho porque ninguém irá comigo!

quarta-feira, 3 de junho de 2026

As Camarinhas

 | Ventor 04.08.12

As camarinhas são frutos silvestres de um arbusto a que chamam camarinha ou camarinheira (corema album) pertencente à família das Ericaceae. A camarinheira floresce na primavera, de Março a Maio e dá os frutos brancos (drupas), durante o verão, de Julho a Setembro.

Os frutos da camarinheira fazem lembrar pérolas e, por isso, eu lhe chamo, o arbusto das pérolas.


A camarinheira, cheia de drupas - as nossas pérolas


É só apanhar as camarinhas e, comer ou oferecer

Em Adrão, pela serra de Soajo, nas minhas Montanhas Lindas, não me recordo de ver camarinhas, embora até acredite que houvesse, por lá, alguma camarinheira, algures, entre as carrascas, as ericas.

Já me fartei de ver camarinhas, algures, pela costa alentejana pois recordo bem as pérolas mas, quando me falaram em camarinhas, não sabia o que era. Desconhecia o nome mas, sempre que via as drupas, armadas em pérolas brancas, não lhes ligava nada. Para mim, frutos silvestres, são como os cogumelos, os cagordos ou machouchos de Adrão. Sei que há um que posso comer à vontade, os outros que por lá há, até podem ser os melhores do mundo mas, no entanto, não contem comigo para os comer. Nem que sejam trufas!

As trufas com os instrumentos para as sacar do subsolo. Como vêm, este mundo é cheio de maneirismos, até a ferramenta para sacar as trufas, é à maneira. Entra o porco adestrado e, detectada a coisa, aí vai pá! Toca a escavar! Claro que terão de pagar um quinhãozito ao porco, senão ele diz: "procura-as tu"! Agora também há cães treinados para a "caça" à trufa. Penso que o cão, menos exigente que o porco, deve contentar-se com uma ou duas bolinhas de granulado. Os cães que são treinados para a trufa são treinados como os seus parceiros da droga


Truffe noire du Périgord. Consta ser a mais apreciada, em França e Espanha

As trufas são um túbero que nasce sob os solos a cerca de 40 cm, junto de carvalhos, castanheiros, nogueiras, ... e são procuradas porque são muito apreciadas pelo seu aroma. Segundo o meu amigo Luis Perricho, o kg de trufas, em França, ronda os 700 a 1.000 euros. Mas há por aí informação de que, trufas brancas de Alba, uma região italiana, entre Milão e Turim, acho eu, já foram leiloadas trufas abaixo do kg, por 100.000 ou mais dólares. As trufas, podem ser o melhor petisco do mundo mas, mesmo assim, só de olhá-las, eu fujo! Vale mais ficarmos pelas camarinhas. Mesmo assim, cuidado! Eu só comi duas!

Grandes Veleiros 2012 -I

 | Ventor 23.07.12

Deixo aqui algumas fotos dos Grandes Veleiros que ontem, 22 de Julho de 2012, desfraldaram as velas e zarparam do rio Tejo, em Lisboa, rumo a Cádis.

sagres.jpeg

A Sagres abriu o cortejo 

Pode ver aqui, no Shutterfly, a bela caminhada destas belezas dos mares, Tejo abaixo.

(Terá de clicar no texto verde, deixar abrir, clicar em Slideshow e, se preferir ver as fotos, em êcran inteiro, clicar, em cima, à direita, em Full Screen).

As fotos darão uma ideia desse todo, Tejo-Veleiros que sempre andam por aqui mas, em grande escala só de longe a longe. Se estou bem informado, só em 2016 voltarei a ver o rio Tejo, todo engalanado, com estas pérolas dos mares.

Até lá, tentarei regozijar-me com uma ou outra passagem da linda, Sagres, do Creoula, da Santa Maria Manuela e de um ou outro que vire as velas para matar saudades do belo rio Tejo.

Espero que aqueles que nunca viram o Tejo engalanado assim, gostem.

O Precípício

 | Ventor 25.10.12

O precipício?

Sim, ele está presente, permanentemente! Pelo menos caminha a meu lado, ultimamente.

Começou a parede do quarto a segurar-me. Quando, há cerca de 15 dias, caminhava entre a parede e a cama, senti uma vertigem. O que me estava a acontecer era terrível! Iniciei a minha nova viagem, uma viagem diferente. Entrei em órbita!

Parei, encostei as costas à parede, tentei deixar-me cair sobre a cama mas, a parede, uma amiga inseparável, tinha braços, agarrou-me e disse: "não Ventor, eu não te vou deixar cair"!

O Cabo a Roca visto do Cabo Raso. Hoje seria impossível o Ventor caminhar por lá como já o tem feito!

Agarrou-me, com braços invisíveis, magnéticos. Eu olhava a cama, queria cair sobre ela mas, a parede tornou-se minha aliada e não deixava. Joguei tudo na órbita e no vómito! Deitado sobre a cama, rodava permanentemente sobre uma órbita. A rotativa não era permanente mas, intermitente! E eu, olhava o tecto, as paredes, os móveis e dizia para mim: «mas para onde queres ir»?

O destino não existia e eu rodava, apenas, em volta de nada! Ou, então, tudo rodava à minha volta. Corria para a casa de banho e tentava deitar todas as minhas entranhas fora. Porém, não saía nada. A guerra, era apenas sonora! Sonhei, bem acordado, com Marrupa. Sonhei com a minha caminhada, chão dentro, a velocidade descontrolada, com o chão junto ao nariz mas, sempre em frente!

Agora tinha uma velocidade orbital. Só me apetecia obrigar a parar tudo à minha volta mas, infelizmente, não conseguia!

Pensei apanhar um táxi e ir fazer mais uma visita ao Hospital! Desisti! Se por causa de uma instabilidade qualquer tenho de ir para o Hospital, estou lixado e o país mais lixado fica.

Vamos lá Ventor, faz algo pelo Fox!

A minha companheira de caminhadas interveio. Vou chamar o médico. Se pagas para ele poder vir cá a casa, pois seja! Que se lixam as troikas, o país e tudo o resto!

Utilizou o telefone. Quase duas horas depois, o médico batia à porta. Contei-lhe a minha história, riu-se e disse: "você foi atingido por um problema que afecta muitos - vertigens! Vou-lhe receitar betaserc"!

O médico foi-se embora, desejando-me as melhoras e eu, de seguida, levantei-me para ir à casa de banho. As paredes quase me esmagavam e, com a cabina mais pequena, lá comecei a orbitar. Voltei para a cama, reentrei em órbita, voltei à casa de banho para deitar fora as entranhas mas, não saía nada. Tanto puxei que o meu ouvido direito deu um estalido. Comecei a melhorar!

De noite, fui obrigado a agarrar-me à cama com todas as forças que tinha, depois de voltar a entrar em órbita e gritar: «agora é que eu vou»! "Que foi Luis"? Respondi que o f.d.p. do disco voador não levantava. Afinal não iria para lado nenhum!

De manhã levantei-me, desci as escadas a contar os passos. Não por dificuldades mas, por receio delas. Pensava que, se entrasse em órbita, apesar do disco voador não ser muito forte, poderia partir as paredes em volta.

Dirigi-me ao carro! Olhei em volta, mobilizei a cabeça em várias direcções e, pareceu-me que tudo iria correr bem. Olhei à esquerda, com calma e, de seguida, à direita, de onde um eventual perigo poderia vir. Rodei a cabeça como se fosse um programa de software da Microsoft e, fiz marcha atrás, tal e qual como faria o Ventor dos meus sonhos. Segui viagem com todas as atenções do mundo. Tudo correu bem até Alfragide. Encostei o carro, dei uma pequena caminhada até à Farmácia, comprei o betaserc e, pronto! Comecei uma nova guerra. Entrei num café e zás! Aí foi o primeiro.

Penso que as coisas estão a correr bem mas, ainda sem garantia absoluta! Roda devagar mas sê soft!

Agora, dias depois, voltei ao Facebook, escrevi um post sobre a minha caminhada africana mas, entretanto, já passaram alguns dias. Nem sei, quantos!

Mas entre sonhos e realidade, tenho caminhado, de varanda a varanda!

Tenho me entretido com os meus amigos!

Vou à varanda e o minorca penudo tem continuado por lá. O seu grito é sempre o mesmo! "Olá, Ventor"!

Ouço as boas vindas dos pombos. "Olá Ventor"!

Vou para a outra varanda. A cerca de 200 metros, os cavalos dos ciganos, presos por cordas no espaço do seu sossego, gritam também: "olá Ventor"! Esvoaçando direitos a mim, vindos do campo, quatro estorninhos, que até pareciam vir estatelar-se nas vidraças da varanda, arrancam, quase na vertical, gritando: "olá, Ventor"!

O Tobias, vindo das oliveiras, pousou numa laranjeira à minha frente e gritou diferente: "salvé, Ventor"!

Uma galinha, acabando de pôr o ovo, começou a cacarejar e o galo bateu as asas, emproou-se e, num único folgo gritou: "salvé, Ventor"!

As gaivotas, que abandonam o mar e se colocam no rasto do Ventor, esvoaçam em volta e gritam, contentes: "salvé, Ventor"!

E assim por diante.

Enchi-me de coragem e fui para o jardim fazer rodar a cabeça e tentar comunicar com os meus amigos. Um dos guardas do jardim, que já me conhece, diz-me: "o seu amigo é mau"!

Tratava-se do meu amigo Pingas, o cisne branco, agora, o único da Amadora. «Então porquê»?

"Bate na pata coxa e está lixado comigo"!

Olhei para o Pingas e perguntei-lhe: «oh, Pingas, tu portas-te mal"?

Ele espanejou as asas, e deu um grito! Não sei se chateado com o guarda se contente por me ver. Voltou a abrir as asas e a gritar: "bem-vindo Ventor"!

Hoje, os medronheiros, tal como o Ventor, estão doentes

E, caminhando, lentamente, quase sem passos, estão a passar-me ao lado, os frutos do Outono. As castanhas, os medronhos e tantos outros vão morrendo, lentamente, esperando que o Ventor volte a fazer parte da sua linda caminhada outonal. Se calhar, com alguma sorte, para o ano, tudo será melhor!

Hospital Amadora-Sintra ...

  | Ventor 15.12.12

... onde o hall do descontentamento, esconde os Corredores do Desespero.

Olá, amigos!

Eu sou o Pilantras, o novo amigo do Ventor. O Ventor disse-me para eu escrever aqui, tudo o que lhe ouvi, tal como o Quico fazia nas caminhadas da sua Arrelia - a Arrelia do Quico!

O Quico contava-vos coisas várias, entre elas, algo sobre os Corredores do Desespero, corredores por onde o Ventor já caminha há muitos, muitos anos! O Ventor disse-me que, a vida de muita gente, de muitos dos seus amigos, foi ou é preenchida por muitos troços trágicos, ou trilhos trágicos das suas caminhadas. Ele diz-me que, desde que existe, se recorda de Corredores do Desespero, por vários sítios por onde andou.

No Hospital de S. José, na Clínia da Ordem Terceira, em Lisboa, no Hospital de Vila Cabral, em Moçambique e, o Ventor não se esquece que, é nos Hospitais, que os amigos e os inimigos se encontram ou reencontram e, quando o Ventor foi saber se o inimigo que ajudou a evacuar numa DO-27, tinha sobrevivido, ficou a saber como os seus olhos brilhavam quando aquele puto de 18 anos, sorria para o Ventor, um pouquito mais velho.

Mais tarde, os Corredores do Desespero continuaram e continuam, a sufragar o espírito do Ventor. Pelo S. José, pelo Santa Maria, pelo Hospital de Santana, pelo Instituto Português de Reumatologia, pela Clínica da Reboleira, pelo Hospital da Luz, pelo Hospital da Cuf Descobertas, pela Clínica da Luz, na Amadora, pela Clínica do Parque dos Poetas, em Oeiras, por vários consultórios e por outros locais que não enumero aqui, pelo Hospital da Amadora-Sintra, como quinta-feira passada, esses locais e instituições, fazem parte inesquecível das caminhadas do Ventor.

Hospital Amadora-Sintra, visto do lado dos Meninos da Floreira quando, em Maio passado, o Ventor procurava, nos ares da Amadora, os seus amigos falcões, Zuzu e Margarida, certamente bem mais inteligentes do que muita gente que, por muito descontentes que estejam com a sabujeira onde estão integrados, deviam servir os seus doentes com a digniade que merecem. Assim, como assim, bem ou mal, ainda são eles que lhes pagam. A hierarquia de que dependem, são como eles, seus serventes

Pelo Hospital da Amadora-Sintra já o Ventor passou algumas vezes e conhece bem aqueles corredores das urgências e o desespero de muitos dos seus amigos que passaram por lá.

Mas o Ventor também conheceu bem aqueles corredores por onde ele próprio já caminhou desesperadamente, não pelo tratamento hospitalar mas, só a pensar como conseguira ali chegar. Coisas complicadas de que não vale a pena falar.

Quinta-feira, o Ventor voltou lá! Aquela que tinha sido a avó do Quico, a avó que foi livrar-se das esmeraldas ao Hospital de Santa Maria, foi levada em mau estado para o Hospital Amadora-Sintra. Foi uma caminhada de 86 anos encostados em pequenas esquinas do tempo. Mas o Hospital da Amadora-Sintra, não deixa entrar acompanhantes, com doentes velhos, incapazes de ouvir, de compreender e até, de locomover-se, porque esse hospital e se calhar outros, mesmo que tivessem macas robotizadas, esses doentes, exactamente pelo desespero que os envolve, não seriam capazes de carregar no botão que poria a maca a rolar para o seu objectivo.

Tanto eu como o Ventor não  gostamos de dizer mal mas temos de o fazer! Os iluminados do Hospital da Amadora-Sintra, uma cambada de incompetentes, resolveram aplicar ou ruminar uma norma, uma regra ou o que lhe quiserem chamar, de os doentes não serem acompanhados. Mas há doentes e doentes! E, como se costuma dizer, não há regra sem excepção. Há doentes que não sabem explicar nada aos médicos ou seja a quem for. No nosso caso, quinta-feira, a avó das esmeraldas do Quico, foi chamada por quatro vezes, durante uma hora, para fazer exames e, clarinho como água que, ela, na situação em que se encontrava, jamais se apresentaria para qualquer exame que fosse chamada.

Três filhas foram chamar a atenção daqueles que tinham pela frente e, sempre baseados numa tal ordem hospitalar ou saída de algum gabinete de uma coisa monstrega a que chamam ministério da saúde, não podiam entrar, até que, uma delas, até aposto que seria bem capaz de enfeixar duas belas chapadas na médica que lhe apareceu pela frente e, outra, se dirigiu ao Gabinete do Utente à procura de apoio para desatar aquele Nó Górdio, bem pior do que aquele que o tal Alexandre, um velho amigo do Ventor, um dia teve de resolver. 

Por fim, com a intervenção da funcionária do Gabinete do Utente, alguém se terá apercebido que, de facto, era vergonhoso o que se passava e as coisas, tal como as águas dos montes N'Gongo, no Quénia, teriam de seguir o rumo para a sua Mombaça.

O Ventor teve conhecimento de outros casos semelhantes, como o de uma velhota que tinha dado entrada naquele hospital devido a uma trombose, esquecida num canto e outro caso grave de que já nem se recorda. Porém, o Ventor contou-me que também assistiu durante horas, a algazarras vergonhosas para aquele hospital, na porta que dá acesso ao espaço onde é feita a triagem dos doentes, quase sempre pelos mesmos motivos.

Eu explico, tal e qual como o Ventor me disse: "os doentes chegam, entram e é feita a triagem. O doente segue e, à respectiva pessoa que o acompanha é-lhe negado acompanhar o seu doente. Para o doente, dali em diante, é só dragões!

Doentes, incapacitados de resolverem qualquer problema, são simplesmente esquecidos, na maca ou na cadeira. Foi o que se passou quinta-feira. E, a estupidez é tanta, que se limitam a chamá-los para se apresentarem no local do respectivo exame. Tal e qual como se a vida desse doente fosse uma maravilha e se deslocasse ali para jogar à bisca com o examinador.  

Para o Ventor, tudo começa ali na triagem e é por isso, que ele acha que nem fazem triagem nenhuma porque, se a fizessem, reparavam logo que esse doente, de duas uma: "ou continuava acompanhado, ou o procedimento, dali em diante, teria de ser outro. Não é preciso explicar tudo tim-tim por tim-tim, pois não?

Ora bolas! São estes os hospitais que temos? São os outros como este da Amadora-Sintra? Apenas as amostragens a que o Ventor assistiu dava para pôr alguns daqueles responsáveis a ler o livro - Etiquetas (?) e Boas Maneiras, por castigo"!

Eu, este gato vosso amigo, acabei por ver o Ventor tão irritado com um hominho que apareceu ali numa janelinha virtual a vangloriar-se dos belos exemplares de hospitais que Portugal tem, que me apetecia arranhar com estas garras, todos os aldrabões que todos os dias vão arrasando este país. 

Os Castros do Tomás

  | Ventor 20.03.13

Os castros, de outros tempos, eram aldeias situadas em locais de mais fácil defensibilidade, normalmente, em montes e perto de riachos ou nascentes.

Hoje restam-nos algumas ruínas arqueológicas desses tempos da idade do cobre e da idade do ferro e, provavelmente, de tempos anteriores.

Deixo, aqui, como amostras, dessas construções, as fotos abaixo. Outros houve por aí fora.


 
Mas o Tomás teve umas lições do que eram os Castros, lá na sua escola e foi incumbido de realizar um trabalho sobre os mesmos. Assim, o Tomás e o avô, deitaram mãos à obra e começaram, mentalmente, a caminhar pelos Castros de nossos avós!
Para isso, deitaram mãos à obra, acarretaram pedras, colmos para as coberturas das casas e decidiram iniciar a construção  da primeira aldeia castreja dos tempos modernos.
Abriram um poço e nasceu um rio!
Chegaram os patos e não esqueceram o porco que continua a dar os presuntos e os chouriços ao Ventor. Verão que, com os tempos, tudo isso será, com certeza, multiplicado por muito mais.
Imaginem como foi no passado e, não esqueçam como sobram sempre hipóteses de poder vir a acontecer no futuro.
 

O pato no rio do Castro do Tomás

 
O porco junto à árvore, talvez a apanhar frutos caídos

 
O porco já cresceu que se fartou 
 
Os patos na sua azáfama, rio abaixo, rio acima 
Só falta dizer ao Tomás e a todos os outros que, o passado, o bom e o mau, poderão sempre ser nossos parceiros no presente e no futuro. Também podem ficar a saber que já, nos tempos dos Castros, a Leonor ia à fonte descalça e não segura, como dizia o Camões.

Descalça vai para a fonte,
Lianor, pela verdura,
Vai fermosa, e não segura.
....
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

Já antes do Camões havia quem pensasse assim!
Por isso, os homens dos Castros pensavam nas suas Lianores ou, se preferirem, Leonores. Por isso, os Castros ou Fortificações, para defenderem as Lianores de então, as fermosuras dos castrejos. Eles defendiam as suas mulheres, as suas fontes, os seus porcos, os seus poleiros (para continuarem a ouvir cantar os galos).
E, diziam, ... Este é o nosso chão!

PS -Para o Tomás saber, a maior concentração de Castros, existiu no Noroeste da Penísnsula Ibérica, especialmente Minho e Galiza, embora, haja castros por muitos locais portugueses e espanhóis. O mais famoso desses locais foi Numância. Esta antiga cidade, povoada por celtiberos, existia desde o século III A.C. nas margens do rio Douro, no centro norte de Espanha e formou grande resistência à invasão romana da Península Ibérica. Resistiu durante 20 anos mas os romanos nos últimos 11 meses cercaram-na e construiram uma muralha em volta do Castro, de onde não podiam sair. Terá sido, por comparação, uma espécie de muro de Berlim. Os Numantinos resistiram até não terem hipótese e iam morrendo por inanição. Resolveram, por isso, suicidar-se todos. Quando os romanos entraram só terão encontrado corpos mortos. 
Recordando isso, nunca devemos esquecer a cidade castreja de Numância.

Festejos do S. João

  | Ventor 23.06.13

Oh, S. João Baptista, oh, meu Santo milagreiro ...

Dizem-nos que foi assim há muito tempo, no rio Jordão. Pintura de Andrea de Verrocchio, um florentino que trabalhou na corte de Lorenzo de Médici. um grande artista, pintor, escultor, ourives e, para mais, teve como seus alunos, Leonardo da Vinci, Sandro Botticelli e outros. Dizem que o anjo pequeno da esquerda, foi Leonardo da Vinci que o pintou.

Como é bom recordar! Recordar o nosso S. João por Adrão, recordar o ti Joaquim Brasileiro (era assim como lhe chamávamos), recordar aqueles que nos ensinaram a ser homens, ... Recordar, é a chave de alargar a nossa caminhada! É caminharmos em todas as direcções, é ir para além das estrelas visíveis é saber estar entre a nossa gente e, para isso, temos de nos voltar para trás, pedir ajuda à nossa massa cinzenta e, até aos Santos, como agora, ao nosso S. João. Olho para trás e vejo o S. João levar-me até Adrão perfilado nos Trilhos da Memória.

Mas o S. João está para além disso. Está em festa por muitos recantos deste país e do mundo e nós estamos em festa com ele. S. João é a grande festa das gentes do Porto, de Braga e de tantos outros lugares, como era em Adrão. Uma festa simples e bonita para a criançada que nada tínhamos e tudo inventávamos. É por isso que eu nunca esqueço os meus primeiros 15 anos de vida, os meus 15 anos de Adrão.

Desde então, tem sido só de pala ou, então, recorrendo às memórias, como agora, porque, S. João em Adrão, certamente, não haverá mais.

O alho porro selvagem, como eu o vi e a minha máquina o captou, em Miraflores. Mas no Porto, haverá quem ganhe a vida a cultivar alhos porros para a festa do S. João.

Depois das minhas brincadeiras de Adrão, passei quatro dias de trabalho, no Porto e, como coincidiu com o S. João, passamos essa noite de S. João a comer sardinhas, nas Fontainhas, a brincar com as suas gentes e, claro, com o S. João. Foi a minha festa do alho porro e do martelo. Levei muitas alhadas e muitas marteladas mas também dei que me fartei. Foi diferente de Adrão, foi à moda do Porto!

 Salomé, deslumbrante, pintura tirada da Wikipédia

Foi assim que Gustave Moreau, imaginou Salomé que dançou tão bem que o tetrarca Herodes Antipas lhe disse que pedisse o que quisesse que ele lhe daria. Foi então que sua mãe interferiu, dizendo que ela não gostava nada de João Baptista e que iria pedir a sua cabeça. Assim, Salomé, fazendo a vontade a sua mãe, pediu ao rei Herodes Antipas que lhe oferecesse a cabeça de João Baptista, numa bandeja. Foi assim selada a vida de João Baptista na sua passagem pelo nosso Planeta Azul. Mais uma vez, uma luta entre a pobreza e a realeza aristocrática, onde os fortes ganham sempre.

O Travesseiro ---

    | Ventor  17.04.09 ...ou travesseiros, pela beleza de Sintra ! Um pombo bravo que quis dois dedos de conversa Um coelho bravo mais um am...