segunda-feira, 1 de junho de 2026

Renovação da Carta de Condução online

  | Ventor 15.12.17

Sim, renovação online! Acho que começou em Maio.

Não foi fácil o início mas foi fácil a renovação online.

No início, era o relatório médico. Onde fazer o relatório médico? Marquei consulta para um médico que já me conhece e que me fez o pnúltimo relatório. Disse à recepcionista que a consulta era para me fazer o relatório médico para renovar a carta de condução e, como essas coisas são demoradas não tinha muito tempo para esperar. Fui logo informado pela recepcionista do consultório que o doutor não tinha plataforma e teria de arranjar um médico com plataforma para enviar o relatório para o IMT.

Perguntei-lhe se conhecia algum disse-me que não. Então fui à procura e comecei a ouvir a canção da Mariazinha, aquela que começa por «gosto muito da Mariazinha». E, depois, vem o «não, e não e não, e não e não, e não e não e não.

IMT - polegar bem levantado, um like

Bem, fui a uma escola de condução e disse: "preciso de renovar a carta, o que me podem fazer aqui"?

Resposta: "podemos tratar disso tudo mas vai ter de marcar para o dia 12 e a consulta é por ordem de chegada". Ok. Achei que era condenado a ir dormir uma soneca para a porta da escola de condução o dia 12 deste mês para poder ser atendido  e eu só tenho paciência para dormir numa boa cama.

Pedi à minha esposa, enquanto eu guiava de regresso a casa. «Liga para o Hospital da Luz e pergunta à mocinha se lá têm uma plataforma para me fazerem o relatório médico para a renovação da carta de condução e envia-lo para o IMT.

"Temos, sim senhora, D. Gisela. O seu marido tem cá médico"? Diz-lhe que pode ser um qualquer ou dois, os que fizerem falta ... «Tem sim é ....

Era uma quinta feira. "Então posso-lhe marcar para sábado às tantas, porque tem uma vaga. Pode ser"?

«Pode até ser agora»! Ficou para sábado de manhã.

Entrei no consultório e ouvi: "que o trás por cá, Senhor Luis"? «Vim cá para me passar o relatório médico para a renovação da carta».

"Meu Deus, isto é uma confusão que nem lhe passa pela cabeça. Eu vou tentar mas não sei se você vai levar o relatório hoje. Há sempre falhanços, ou nossos ou do sistema, ou .... Eu pagava-lhe para não o ter cá para isso"!

Uma boa médica refilona como eu mas, com mais ou menos dificuldades e com a ajuda de um colega lá me resolveram o problema. O sistema trabalhou. Pelos vistos, gosta de trabalhar ao sábado! Cheguei a casa e respirei fundo. Agora vamos à online.

Fiz tudo como o Site do IMT diz e poucos dias depois tinha a carta nos CTT de Massamá. Levantei-a ontem porque na véspera não estava em casa para a receber.

Fiz o pedido e tinha de pagar o trabalhinho 24 horas depois. Logo após o pagamento, tinha a guia e o recibo para imprimir. Em sete ou oito dias, tinha tudo tratado com a carta em casa.

Não vale a pena dizer mal das instituições só por dizer. E olhem que eu tinha ouvido dizer mal desde que o sistema foi instituído. Por isso eu deixo aqui uma palavra de satisfação para com o IMT.

Acredito que os médicos tenham problemas com a plataforma por várias razões mas Roma e Pavia não se fizeram num dia.

Mundo ignóbil

 | Ventor 10.05.05

Este nosso mundo, o nosso, o português, abstenho-me de falar do mundo dos outros, está cada vez, segundo as opções dos nossos políticos, mais social! Até está, mas no papel e na mísera distribuição de uns cêntimos para quem precisa, segundo se crê.

Afinal esses cêntimos não chegam nada para quem precisa e quem não precisa esbanja-os em luxos incríveis, numa sociedade que se pretende digna e capaz de tratar dos seus. A nossa sociedade, se repararem bem, tem sido um descalabro total, no aspecto social. E andam por aí, tantos ... ditos senhores, a tentar peneirar o sol a ver se enxergam luz.

Alguns familiares, matam, as suas crianças desprotegidas, por processos ignóveis e a sociedade sente-se manietada por se reger por leis, muitas delas sem sentido. Somos um país de advogados, ... de doutores e engenheiros de coisa nenhuma. Pavoneiam-se nos seus ciclos todos os dias, dão shows televisivos, armadilham leis e seguem os trilhos de "nossa senhora não te rales". As crianças morrem, por negligência das autoridades, que criaram camisas de forças de onde não saem e depois os sabichões do templo arranjam logo bodes expiatórios para tudo.

A verdade é que os nossos velhos, necessitados, não têm dinheiro para comer e para medicamentos. Há os que têm família que ajuda, mas há também os que não têm ninguém. Como é possível haver medicamentos no mercado a preços incríveis? Dar por dois ou três medicamentos para uns dias cerca de 80 euros, já descontado o subsídio da Segurança Social, quem tem uma reforma que nem para comer lhe chega, mais renda de casa, mais ... quando a gente olha para a chulice que nos rodeia, em grandes bombas, com cartões de crédito sem limites, com casa paga, muitas vezes com férias pagas, tudo isso saído do suor do povo, portanto pago por todos nós, que dizer da nossa sociedade cada vez mais social?

Sim, refiro-me aos políticos que nos levam couro e cabelo para nada! Sim refiro-me a administradores das grandes empresas, públicas e privadas que são reis e príncipes neste mundo de larápios! Para eles levarem essa vida faustosa, pagamos nós os incríveis preços de produtos mal feitos e de serviços mal prestados. Não seremos só nós, eu sei, mas os povos desta célebre sociedade (a grande comunidade da Europa) estão cada vez mais escravizados na sua luta para poderem viver com certa dignidade e, então, Portugal é o máximo!

Só vejo dificuldades à minha volta e os foristas do templo dizem-nos que a tendência é para piorar nos próximos 10 anos! Dizem que os empregos serão cada vez menos, que para a Segurança Social, virá um dia, não longínquo, que deixará de pagar a quem pagou o que lhe pediram. No entanto para amainar os péssimos ânimos do povo, aparecem sempre alguns prontos para nos divertir, como, por exemplo, a tourada a realizar nos Açores em terras de Santa Maria, para comemorar o aniversário da sua autonomia. Por isso o meu Quico enviou às faustosas autoridades daqueles sítios este e-mail:

«Ex-mos Senhores Presidência do Governo Regional dos Açores, Ministro da República para os Açores, Câmara Municipal de Vila do Porto, Circulo de Amigos de S Lourenço (entidade organizadora).

Eu sou o Quico, o gato do Ventor e estou muito desolado por saber que vão chegar aos Açores uns touros para serem toureados nessa bela terra de Santa Maria. Costumo dizer, nas minhas comunicações com terceiros que sou o vosso amigo Quico, mas neste caso não usarei essa doce frase, pois não poderei usá-la com aqueles que vão permitir que os meus verdadeiros amigos, os touros do Ribatejo, ou outros quaisquer, que vão ser terrivelmente mal tratados para satisfação e gáudio de meia dúzia de iluminados.

Eu dirijo este e-mail às Entidades acima porque sei que entre elas estarão os verdadeiros responsáveis por essa tourada. Ou porque a organizaram ou porque permitiram a sua organização e também porque, se quiserem, poderão evitá-la.

Também sei que os amigos das touradas não são sensíveis à voz dos homens, nem às dores e sacrifícios dos touros e se calhar, menos ainda ao desânimo e desolação de um gato. Vocês são políticos e têm por obrigação tentar arranjar emprego para os desempregados e também divertimentos para o Povo, porque não! Mas há sempre gente apta nos meios políticos, por arrasto ou por vontade própria, a entrar por caminhos que são uma nódoa para a dignidade do homem neste planeta cheio de arrelias.

Vocês querem satisfazer o Zé Povinho, mas como eu ouço os homens deste mundo em que me integro, podem fazê-lo muito bem sem mal tratar os nossos companheiros de CAMINHADA e satisfazer também a vossa própria satisfação pessoal! Se querem manter o povo entretido, é tão simples! Porque não transformam esse local da tourada num campo de jogos de Chinquilho, da Malha,  da Macaca!

Enfim! Já não falo noutros géneros de espectáculos que esses certamente conhecem. Vocês sabem o que é jogar ao Chinquilho? Eu sou gato, também não, nem sei se o Ventor sabe, mas sei que ele costuma ver uma gente do grupo de reformados a jogar ao Chinquilho e bem divertidos. Promove a auto estima, é bom para o stress e satisfaz plenamente aqueles que ao Chinquilho se dedicam nas horas de lazer.

Vocês são homens, e diz o Ventor que pertencem à classe dos notáveis. Serão mesmo notáveis? Eu penso que um homem notável será aquele que vela por si, pelos seus semelhantes e por todos os animais que o Senhor da Esfera colocou neste mundo para prosseguirmos ao lado uns dos outros a melhor caminhada possível. E seria tão simples! Bastaria que todos tivessem bom coração e soubessem respeitar aqueles que vos matam a fome e só por isso, eles deveriam ter no pouco tempo que lhes dão de vida, uma vida vivida com dignidade.

Se calhar comer-se-iam menos toxinas e haveria menos doenças ente nós todos. Por isso, em nome da DIGNIDADE QUE DEVE PAUTAR TODO O SER HUMANO, vos peço. NÃO FAÇAM MAL AOS MEUS AMIGOS! VÃO JOGAR AO CHINQUILHO SEUS CRETINOS!

Flores azuis

 | Ventor 20.04.05

Hoje, na minha caminhada, apareceram-me mais flores azuis. Estas são, de facto, de um azul muito lindo.

Anchusa Azurea

Claro que os meus parcos conhecimentos de botânica, não são suficientes para as identificar. Elas são selvagens, lindas e raras, tal como os metais preciosos. Mas mesmo sendo raras assim, acho que devo partilhá-las convosco. Hoje, 23 de Abril, já sei o nome pelo qual esta flor é conhecida. Chama-se Anchusa Azurea. Bem como partilho esta borboleta, Papilo Machaon, minha companheira de caminhada da qual também já sei o nome.

Papilo Machaon

Uma efeméride

 | Ventor 13.04.05

Nas minhas caminhadas tenho-me deparado com várias efemérides, entre elas, esta. Faz hoje, 13 de Abril de 2005, 2337 anos a Fundação oficial da cidade egípcia de Alexandria! Não tenho bem a certeza, mas creio que sim.

Farol de Alexandria tirado da Wikipédia

A minha memória, velha como o tempo, pode atraiçoar-me, mas raramente essas situações traiçoeiras me atingem. Enfim ... é possível. Poucas cidades fizeram uma entrada tão magnificiente na história da humanidade como Alexandria. Ela foi fundada por Alexandre, o Grande, o meu amigo Macedónio.

Já tenho falado disso ao Quico e acho que ele vai querer colocar tudo no seu Site. Será que ele ainda se recorda? Deve recordar pois todos os seus ascendentes foram bafejados pelas boas vontades divinais dos Faraós, mesmo muito antes do nascimento de Alexandria.

O Germano

  | Ventor 25.07.18

O Germano

«Para os amigos, sou Germano»

Foi assim que o Germano se apresentou ao Ventor! Foi esta a "história" que ele me contou! Pedacinhos da sua vida!

Mas esta história, valendo o que vale, para mim vale muito. Por isso a voltei a compor e deixar no sítio onde ela morreu.

O germano é (era?) um jovem! Tem (tinha?) 80 anos, mas parece que tem 60! Está a morrer e diz que quer morrer bem ocupado. Estudar! Deram-lhe 5 (cinco) anos de vida, dos quais, já passou 1 (um).

O Germano nasceu na serra da Estrela e só teve direito a calçado aos 7 (sete) anos! Veio para Lisboa com a 4ª Classe e diz que aos 12 anos já tinha devorado todos os clássicos franceses (seria exagero)?

As folhas nascem, amadurecem e caem e, tal como as folhas, no seu ciclo anual, também nós amadurecemos e caímos, como o Germano. Elas nascem verdes, amadurecem e caem no seu outono sendo transportadas pelo vento e pelas águas para, tal como nós, nunca mais sermos vistos

Esfalfou-se como pôde a fazer pela vida. Aos 18 anos alinhou com a esperança de mudar este país, com gentes de outros quadrantes, gentes onde reconhece, amigos de ontem serem inimigos de hoje. Mas como ele diz, a vida assim o determinou. Conheceu mundo. Privou com o Leste de outros tempos e não renegou a sua ideologia, mas cansou! Cansou e caiu para o lado. Foi salvo no hospital, de Santa Maria, em Lisboa. Foi operado por um método moderno e disse-me que teria morrido se não tivesse havido progressos no campo das doenças cardíacas. Assim, sempre ficou com mais cinco aninhos, como ele diz.

E cinco aninhos, é quase uma segunda vida. Curta, mas intensa!

Conversamos sobre tudo e sobre a sua esperança de ultrapassar a meta dos 5 (cinco)! Foi operado, e um ano depois ficou sem a sua mulher, companheira de toda a vida que, foi andando para “arranjar sítio para os dois”! Agora vive só, segundo ele, numa casa muito grande numa grande Avenida de Lisboa. Já só tem na bagagem o número 5 (cinco) do qual restam 4 (quatro)! Eu notei nos seus olhos uma montra que guardava por trás das vidraças, numa redoma dourada, a Paz! Depois de tanta Guerra, de uma vida de combate, é bom vivermos emoldurados na Paz!

Falou-me das suas ocupações. Já leva o estudo da sua ascendência na 12ª geração. É obra! Ele vai ocupar-se de um estudo de demografia dos concelhos da área sul de Lisboa, encostados ao Mar da Palha. Diz que vai chegar tão longe quanto puder e que será para servir um museu! Depois de acabar isso, vai dedicar-se ao estudo da Egiptologia e que já tem indícios que é uma falsidade quando se diz que a sociedade egípcia faraónica, era esclavagista! E também me disse que já se sabe que a primeira greve de que há memória deu-se no Egipto dos Faraós, ou há 4.000 anos, ou há 4.000 anos AC, não tenho presente a exactidão da data! Depois ficou parvo a olhar para mim quando eu lhe perguntei: "como e onde"!

Falei de muita coisa com este amigo, que noutros tempos, sem nos conhecermos, teríamos sido grandes inimigos! Mas a mim ensinaram-me que só devo reconhecer inimigos em combate! Gostei deste homem sem gostar do que ele representou! A nossa despedida foi à pressa, talvez para sempre, talvez por uns dias. Quem sabe? Seja como for, agora arranjei um amigo, chamado, Germano!!!

Eu estou tal como esta estátua de Rodin - o Pensador! De mão debaixo do queijo, pensando! Pensando o que será feito do Germano

Falo do Germano sem entrar na privacidade da sua vida. É difícil dizer-se algo de alguém, penetrando de ilharga, na estreiteza do que sobra para contar. O Germano disse-me o nome, disse-me onde morava, contou-me os seus desgostos e eu acredito que, apesar do Germano não acreditar em Deus, terá um lugar a seu lado! Também vos falo do Germano, sem dizer o que gostaria, para vos dar a entender que vale a pena olhar para o Outono da vida e respeitar as folhas prontas a cair!

Como caem as folhas no Outono, assim o Germano tombará um dia, quem sabe, numa grande casa, numa grande Avenida de Lisboa, ou só, como as folhas que tombam sem que alguém se preocupe com a sua queda, sobre o chão da floresta, sobre as pedras duma calçada ou sobre o chão macio dos Jardins.

As folhas, sabemos nós, serão renovadas, na próxima Primavera, mas o Germano cairá, junto dos seus, ou longe de todos, até que alguém se digne baixar a servis para lhe dar o destino que é dado aos homens, na chegada do seu Inverno! Quem sabe, só, sem família, sem amigos!

Desde que o homem se recorda da sua existência, que pensa. Pensa até ao momento da queda final. É majestática esta obra de Rodin. A sua simbologia diz-nos tanto!

Há obras de Arte que nos transmitem o inimaginável e esta é uma delas. Sabemos que pensamos, mas o pensador estará a pensar o quê? Imaginem a vastidão da sua imaginação! Imaginem se fosse possível dar vida aos pensamentos de cada retoque que o Rodin deu nessa peça!

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Continuando ...


... nas minhas caminhadas, ontem os doendes deitaram flores à minha passagem. Eles sabem como eu os invejo. Gostava de viver naqueles boraquinhos das árvores. Autênticas vivendas!

Belas flores selvagens 

Fui ver nascer os fetos e, pelo verão fora, tentarei assistir ao seu crescimento.


Fetos crescendo a velocidade de cruzeiro. Como este

Acabou de furar e já canta glórias a Apolo.

 Feto acabado de nascer

Há meia dúzia de dias passei ali de propósito para os ver e não havia nenhum. Também estive na conversa com a filhota da Vanessa. Ela ainda pousou nos fetos secos por onde sua mãe esvoaçava e me esperava.

Estes fetos quando verdes e depois já secos, suportaram a mãe Vanessa e agora a sua filhota já linda como ela.

Mas a filhota da Vanessa tem uma companhia. Esta lagartixa que também quis saudar o Ventor.

Uma lagartixa

Quando procurava a existência de uma possível cobra apareceu saída do chão esta lagartixa no local que nunca mais será o mesmo que eu encontrei em 2004. Vão faltar ali as minhas dedaleiras para embelezar a filhota da Vanessa. A única dedaleira que nasceu ali, este ano, já foi cortada por algum parasita humano. Daqueles que acham que Deus existe só para ele.

A Tasca do Carrasco


Ainda sobre a tasca do meu amigo Carrasco, local que enquanto tiver memória nunca esquecerei, sempre que regressava ao meu ninho, tinha uma visita obrigatória à Tasca.

Ali recebia os abraços da gente da terra que tropeçava em mim e isto, porque eu nunca dizia que ia - apenas, chegava! Ali se bebiam uns copos, era preciso não quebrar a tradição e ali eu revia parte da família, pois o Carrasco era casado com uma minha prima direita e, portanto, era meu primo.

Era ele que tinha o Correio, era ele que tinha o telefone, e era ele que recebia e enviava as boas e as más notícias para todo o Mundo, notícias que tinham a ver com a nossa terra e as suas gentes!

 Esta é a porta da saudade, qe nos mata a alma ao vê-la fechada. Há dias, Julho de 2006, estive lá e só vi tristezas!

Foi ali que eu recebi a primeira notícia da morte de um tio que, por ondas electromagnéticas eram levadas até Soajo e depois subiam a montanha na forma de telegrama. Normalmente as notícias eram más e começavam os choros. Foi ali que chegou a notícia da morte do meu irmão num acidente militar, e foi dali que partiu para o Mundo, a mesma notícia e que o Mundo recebeu como sendo a minha morte em África.

Sim eu sou apenas o vivo que já foi chorado morto! Assim, na véspera do Terror do 11 de Setembro 2001, enquanto eu comia o bolo da pedra da saudade, eu via passar pela minha retina, todo o ambiente da antiga Tasca, das malgas cheias de vinho que circulavam de boca em boca - era a rodada (nessa altura não se temia a SIDA, nem nada de semelhante), via os cavalos chegados montanha acima, vindos de Soajo, subir os 3-4 degraus que os levava a entrar tasca dentro e também beber o seu copo, em forma de sopas de cavalo cansado!

Ali, se ouviam as notícias da minha gente que chegavam a França, a salto, ou dos que ficavam presos pelo caminho sem nunca terem saído de terras de Espanha! Normalmente o regresso é sinónimo de alegria, mas ali, muitas vezes, o regresso era portador de muitas tristezas. Os dinheiros gastos, e eram tão poucos, para chegar a terras de França, significavam mais pobreza, mais dívidas, maiores compromissos e significavam também passar a conhecer quão bela é a palavra solidariedade! "Não desistas, o dinheiro não te vai faltar. Pagas-me quando o tiveres"! "Ó Carrasco, enche aí a malga"! Como eram belas as gentes da minha terra! Como se sonhava! Como caminhamos todos para o precipício do Mundo, para a dispersão, para a diáspora! 

A Caminhada do Tomás

  | Ventor   25.09.09 Feliz Aniversário, Tomás Vamos continuar juntos a nossa Grande Caminhada. Com beijinhos dos tios e padrinhos e da Avó ...